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Na Tribuna

22/06/09 - Segunda-feira
Política é ponto fraco de Alcides

postado na categoria Análise

O texto abaixo está na edição desta semana da Tribuna do Planalto, com o mesmo título acima:

***

O ponto forte do governo Alcides Rodrigues (PP) é a área econômica. As finanças, antes combalidas por conta de uma herança maldita do governo anterior, estão sendo gradualmente recuperadas. Pouco a pouco, o Estado volta a ter perspectiva de desenvolvimento sustentável. O ponto fraco é a política. Do ponto de vista político, o governo Alcides não existe. É um zero à esquerda.

O governo que nega estar fazendo política pensando em 2010, por exemplo, tem dois articuladores para a área: Fernando Cunha (PSDB) e Roberto Balestra (PP). A favor da tese de que não faz nem promove o debate político estaria, pode-se até argumentar que o governo tem dois articuladores mas não tem nenhum, já que ambos dão o tom zero à esquerda para as ações políticas que inexistem no governo.

A falta de articulação política é antiga. Mais: está na origem do governo. Um dos principais nomes do PP defende nos bastidores, há tempos, a necessidade de um nome que realmente tenha peso para dialogar com os agentes políticos do Estado. É colocada até na conta dessa falta de um nome político forte a situação de crise gerada na chamada base aliada, com o confronto aberto e fratricida entre PP e PSDB. "Isso só acontece porque o governo não tem ninguém para articular por ele", pondera a fonte.

No início do governo, Fernando Cunha teve suas funções esvaziadas por ser muito ligado ao senador Marconi Perillo (PSDB). Era preciso dar uma cara alcidista ao governo, dizia-se. Então surgiu Roberto Balestra. Mas Balestra é um secretário sem pasta desde o início. Não tem estrutura. Nem voz. Nos bastidores é recorrentemente desautorizado. É geral a avaliação de que ele não fala pelo governador. E o próprio governador vira e mexe trata de deixar isso claro, embora em conversas reservadas.

Homens do governo

Além deles, acredita-se que falam politicamente pelo governo o secretário de Infraestrutura, Sérgio Caiado, o secretário geral do PP, Sérgio Lucas, e o presidente da Metrobus, Francisco Gedda. E o que eles dizem? De concreto, nada. Dentro do PP, são na verdade os principais alimentadores da guerra deflagrada contra o PSDB. Funcionam como contraponto à altura de Carlos Alberto Leréia, Daniel Goulart e Sérgio Cardoso, no PSDB. Uma turma do barulho.

Politicamente, os articuladores do governo Alcides, ou anti-articuladores, criaram uma crise interna e agora estão sendo engolidos por ela. De tanta esperteza, estão sendo devorados por ela, a esperteza. Isso porque a situação hoje do PP é a de um partido sem lastro forte nas bases do interior e com três alternativas concretas:
1) aliar-se ao PMDB, o que geraria uma outra crise, essa histórica, com aqueles que por décadas têm os peemedebistas como inimigos figadais;
2) voltar ao braços do PSDB, em forma de rendição, dando por perdida uma guerra que, se não começou, alimentou com caviar e champanhe;
3) desintegrar-se de vez.

Mas e Henrique Meirelles, como fica nessa história?

A grande jogada política do PP nos últimos tempos foi assumir Henrique Meirelles como seu sonho de consumo e sua salvação. Sua candidatura ao governo foi lançada e incensada com convicção e dentro de visão de jogada genial, por colocar o governador Alcides Rodrigues de volta ao debate político, ele que estava escanteado pela ação estratégica de Marconi Perillo e Iris Rezende (PMDB), que não falam de outra coisa senão do confronto final entre dois como forma justamente de não abrir espaço para um terceiro nome.

O governador está só

De fato, a estratégia pepista funcionou. Mas funcionou contra, também. Colocou o PSDB em alerta e o fez antecipar a campanha e os contra-ataques ao governador, que virou "traidor" na boca de Leréia e "ingrato" na propaganda subliminar tucana na TV e no rádio. No que funcionou a favor, a estratégia do PP motivou Meirelles a se apresentar como possível candidato. E ele fez sua parte, de um lado dando corda às especulações, de outro, ajudando o governo a resolver problemas concretos, como a recuperação da Celg. Ocorre que Meirelles, ao mesmo tempo, avisou: topa ser candidato, está fazendo a sua parte, mas para isso o PP e o governador terão de fazer a parte deles.

A parte do PP e do governador é dar visibilidade ao governo, melhorando sua imagem, e criando uma estrutura partidária firme, para dar conta do embate com Marconi e Iris, se for o caso. Sobre esses dois pontos, o que foi feito até agora? Nada. O governo deu visibilidade há duas semanas a uma agenda positiva que ficou resumida ao lançamento de asfalto para cidades (Paci) e ao anúncio da salvação próxima para a Celg. Não há, além disso, qualquer trabalho de imagem sendo conduzido dentro do governo, de forma a dar um rumo a um governo que não o tem desde o início.

Se antes os governistas eram só entusiasmo com a candidatura de Meirelles, hoje o que impera é a desconfiança. Por uma razão simples. Menos por conta da falta de uma admissão oficial de Meirelles sobre uma candidatura (o que, naturalmente, pelo cargo que exerce no comando do Banco Central, não vai acontecer), e mais por conta da falta de segurança em relação ao atual governo sobre a decisão de verdadeiramente investir na candidatura dele contra Iris e Marconi.

A visão de dentro do governo é a de que Alcides bravateia a candidatura de Meirelles, mas nada faz para que ela se concretize. O resultado é um governo com auxiliares acovardados, que nem defendem Meirelles nem o governador. No fundo, nada fazem porque, mais que a fé num fortalecimento do governo e na candidatura de Meirelles, prevalece cada vez mais o medo da volta de Marconi Perillo ao governo.

Comunicação? Que comunicação?

Alcides é, assim, um governador que poucos elogiam, ou que, quando o fazem, o fazem de forma envergonhada, protocolar. Não há entusiasmo no hasteamento da bandeira deste governo. Não à toa o principal inimigo dos aliados alcidistas não são nem mesmo Marconi, mas o principal secretário do governador: Jorcelino Braga (Fazenda). Por incrível que pareça, Braga é elogiado no PMDB e no PT, visto com reservas no PSDB (fora os que o atacam estrategicamente, na ação e reação da briga pela 'paternidade' da quebradeira do Estado) e criticado principalmente por alcidistas, que o acusam de acumular poder.

Braga, no entanto, é a única voz que defende com convicção o governador. Certo que é sustentáculo do governo, operador e mentor. Quer dizer, falar mal do governo seria atirar no pé. Ainda assim, poderia permanecer em silêncio vendo o circo pegar fogo, já que não é político. Ele, porém, vai para o ataque. E são muitos alcidistas os primeiros a chamá-lo de primeiro ministro ou governador. Xingam Braga porque não têm coragem de falar mal do governador - a não ser nos bastidores, vez em quando, deixando o subconsciente falar mais alto.

Neste ambiente, é natural Henrique Meirelles surgir como a salvação, mas salvação não como parte de uma estratégia inteligente de gente inteligente buscando inteligentemente manter-se no poder, e sim como o milagre que, se Deus quiser, haverá de chegar. Como, em política, milagre é voto na urna, a questão que fica é: e se Meirelles decidir não ser candidato ao governo? Ou, ainda: neste ambiente, por que ele viria?
Eis que se volta às três alternativas mostradas anteriormente, com ênfase natural para o terceiro item.

A fragilidade política do governo Alcides é que faz a comunicação não andar. É ilusão imaginar que apenas propaganda sustenta um governo. Marconi, por exemplo, é criticado por ter gastado demais com publicidade, o que é verdade. Porém, ao mesmo tempo que sempre manteve gastos altos com publicidade, o senador sempre manteve azeitada máquina política que multiplicava com declarações, discursos, entrevistas, reuniões, bate-papos tudo aquilo que era dito sobre ele.

Do ponto de vista da comunicação, o governo Marconi foi politicamente forte, potencializando todo e qualquer elogio ao chamado 'tempo novo'. Do ponto de vista da comunicação, o governo Alcides é fraco por investir pouco e mal, mas também porque tudo que propaga não encontra eco, a não ser o do descrédito e o do deboche, o que se potencializa por total falta de ação política direcionada a favor e imensa movimentação inversa, dos adversários internos.

Marconi vence Alcides

A máquina de comunicação de Marconi é ainda hoje bem maior que a de Alcides. Maior e mais eficiente. Os espaços na imprensa ocupados pelo senador, além de maiores, são visivelmente mais consistentes e constantes. Basta abrir os jornais e olhar. Basta ligar o rádio e ouvir. Basta ligar a TV. Em reforço a isso, o que se vê é uma sequência interminável de defensores marconistas se somarem na defesa de seus propósitos, multiplicando os dividendos de uma boa imagem que vai sendo cultivada apesar da munição negativa, no caso, a que o apresenta como mal administrador e gastador inveterado.

Vê-se nas declarações de alcidistas uma ilusão constante: a de que o povo goiano está entendendo os desmandos que ele praticou e que, por isso, não o perdoará. Não é o que a história mostra. Não é o que pesquisa qualitativa a que a Tribuna teve acesso mostra. A imagem que segue desgastada é a do governador, e não a do senador. E somando-se a isso a perspectiva de poder que Marconi vai conseguindo cristalizar à sua ação, tem-se aí um nome que, em vez de perder força, tende a ganhar.

E é recorrente em Goiás a ameaça de dossiês contra este ou aquele político. O PMDB é conhecido por sempre ter em mãos documentos fortes contra adversários. Já os teve, em campanhas para o governo, contra o próprio senador tucano. Só que nada acontece. Na última campanha, por exemplo, a avaliação dos marqueteiros peemedebistas era de que bater seria um erro, denunciar seria um tiro no pé. Quer dizer: apesar da munição farta, optou-se pelo silêncio.

Números mostram, portanto, que na guerra da comunicação com o povo, Marconi está vencendo Alcides.E nessa área o governador nem pode contar muito com a ajuda do PMDB, que também não sabe se comunicar. O PMDB ainda está apegado aos tempos em que tudo que Iris dizia ganhava ares de profecia e virava verdade. O partido nem assessoria para a área tem. Muito menos equipe orientando suas ações, como o tem Marconi. O PMDB permanece gerido pela intuição.

O que faz prever que, em 2010, teremos a intuição de Iris versus o profissionalismo de Marconi. Nos últimos anos, quem tem vencido? Desde 1998, quem vence em Goiás?

E se não tem ajuda do PMDB, Alcides também não o tem do PT. Lula, o grande aliado político do governador, dá ajuda a conta-gotas a Alcides, e a estratégia que faz antever é a que coloca o PP como coadjuvante de seu inimigo histórico, o PMDB, e não como protagonistas.

Ou seja: o PP, em vez de ser coadjuvante de Marconi, tem como alternativa de sobrevivência ser coadjuvante de Iris.

Politicamente, é o tamanho do PP hoje.

***

(QUADRO)

Goiás em tempos de guerra

Eis alguns pontos do embate na política em Goiás. Até agora, os alcidistas acham que estão ganhando, os marconistas não têm dúvida de que estão na frente e os peemedebistas entendem que Deus proverá a Iris o que Iris acredita ser dele e do PMDB

Guerra da comunicação

O que se vê estrategicamente hoje no Estado

* A visão alcidista é a de que Marconi está desgastado, carimbado com a marca do administrador perdulário e que deixou de herança um Estado quebrado. O desgaste seria irreversível e fatal

* A estratégia marconista lembra que, sem o senador, Alcides não teria sido eleito, e que ele estaria sendo ingrato, embora nessa conta não entre o apoio que Marconi recebeu em 1998 e que lhe garantiu a eleição

* O PMDB dá corda à confusão. Tudo que quer é rachar a base inimiga e, quem sabe, ganhar um novo aliado (o PP). Já o PT prega a unidade da base lulista, prevendo o PP nela, o que também significaria afastamento do governador em relação ao PSDB. Os partidos menores aguardam para ver quem leva a melhor entre PP e PSDB, para então negociar com o vencedor, ou o lado que se mostrar mais forte.

Um e outro

Algumas diferenças de estilo entre o governador e o senador tucano

Alcides

1)  Além do secretário da Fazenda, não tem quem o defenda com convicção
2)  Comunicação falha. Pouco investimento e sem direção certa
3)  Não tem staff político nem de comunicação. Marca é o improviso e o amadorismo
4)  Atacado, se cala
5)  Agenda tímida, embora com constante presença no interior
6)  Discurso da negação da política
7)  Grupo político indefinido, sem força, conduzido em sua maioria por coadjuvantes sem voto
8)  Projeto político indefinido: candidato ao Senado? Perspectiva de poder é aposta na candidatura de Henrique Meirelles
9)  Lula como aliado indispensável. A estratégia seria mostrar que tem cacife para derrotar o favoritismo de Marconi, ainda mais em possível aliança com Iris Rezende (PMDB)
10)  Fé na capacidade de compreensão do povo com o trabalho em curso, e na visão positiva

Marconi

1)  Tem aliados de sobra para defendê-lo - elogiando ou batendo duro no inimigo
2)  Máquina de comunicação focada e ágil, ocupando todos os espaços
3)  Staff experiente de orientadores políticos e na área de comunicação. Marca é o profissionalismo
4)  Atacado, reage
5)  Agenda de candidato, com presença forte e assídua no interior
6)  Prazer visível em fazer política 24h
7)  Grupo grande de aliados, com e sem mandato
8)  Projeto político definido: voltar ao governo em 2010, o que gera perspectiva de poder, essencial para atrair aliados
9)  Lula definido como maior adversário em Goiás, estratégia tucana que procura colocar Marconi maior inclusive que Iris Rezende e Meirelles
10)  Pesquisas e muito profissionalismo para fazer valer a sua versão da história, verdadeira ou não

Reclamação de Base

A maior reclamação hoje nos bastidores do governo é esta: falta de apoio do governador para os seus velhos aliados/amigos, de modo a dar a estes confiança para enfrentar Marconi. No caso de deputados, falta de obras e benefícios para bases. No caso dos que querem mandato, falta de uma política direcionada a eleger fiéis colaboradores

Recomendação mais ouvida

Em vez de repetir que não é hora de fazer política, coisa na qual ninguém acredita - devido às constantes declarações políticas do próprio governador, a insistência em apresentar Henrique Meirelles como candidato governista, e o embate claro com os tucanos -, o governador Alcides Rodrigues deveria fazer mais política. Afinal, gestão é com equipe competente; política é com o governador. Não é o que Lula faz? E se o que está ruim é a política...

Ato falho

O PP e Alcides querem atrair Henrique Meirelles, mas o que estão fazendo para isso? A estrutura do PP em Goiás é hoje uma das mais frágeis dos médios e grandes partidos do Estado.

Postado por Vassil Oliveira em 22/06/09 às 10:45.
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26/05/09 - Terça-feira
FIM DA BASE ALIADA? NÃO É DE HOJE QUE Os tempos são outros em Goiás

postado na categoria Ensaio

Eis ensaio publicado na Tribuna do Planalto dia 11 de novembro de 2007 (acesso direto AQUI), depois reproduzido aqui no blog, as duas vezes com o título OS TEMPOS SÃO OUTROS EM GOIÁS, e esta chamada:  Reforma destrói mito do governo perfeito de Marconi Perillo e sepulta a aliança de uma base que nunca mais será a mesma

O chamado "Tempo Novo" já tinha acabado. Estava morto. Agora está morto e sepultado, com o anúncio da reforma administrativa do governo Alcides Rodrigues (PP). A reforma coloca em xeque os dois governos de Marconi Perillo (PSDB), de quem Alcides foi vice até o ano passado. Mais: desconstrói o mito de governo marconista revolucionário. Chega também ao último suspiro em Goiás uma era de disputas políticas polarizadas por dois grupos: o formado pela atual base aliada governista e o puxado pelo PMDB do prefeito de Goiânia, Iris Rezende. É o fim da história para um campeonato de clássico único: Iris x Marconi.

Depois da ditadura e antes de 1998, reinaram no Estado os peemedebistas. De lá para cá, os aliados - PSDB, DEM, PP e PTB, mais o PR, que em certa estratégica hora mudou de lado - é que têm dado as cartas. No futuro, os grupos fatalmente serão outros, porque outros são os interesses em jogo. A nova configuração de forças não está fechada. Está em formação. E não há ideologia que lhe dê razão. Há objetivos. Há vontade de poder. Há perspectiva de poder para todos os lados.

A reforma do ex-vice sepulta a unidade como ela tem-se mantido, porque consolida a idéia de herança maldita deixada pelo tucano, e porque recrudesce de vez, ainda que na resistência dos bastidores, uma disputa não mais surda e muda entre alcidistas e marconistas. Muitos anseiam pela liderança de Marconi; porém muitos outros a renegam. Fato que soma à  perspectiva natural de poder em 2010 o fator resistência a um novo mandato para o ex-governador é a sanha pelo que se terá: uma vaga para o governo, duas para o Senado e 17 cadeiras na Câmara dos Deputados.

A divisão de forças aliadas já não é mais negada nem nas declarações oficiais. No máximo, tenta-se inutilmente omitir a guerra interna. E o que parecia inimaginável, torna-se viável. Os inimigos podem ser novos amigos. Há semanas o presidente Lula defende abertamente a aliança, no Estado, entre o seu PT, o PP e o PMDB. E ela não é renegada por nenhuma das partes. Basta uma conversa reservada com os líderes de ponta dessas legendas para se perceber que um linha, além da vontade do presidente, os une: a possibilidade de derrotar ou ao menos refrear o apetite por poder de Marconi Perillo.

Iris já foi Marconi

Em um passado distante, Iris Rezende inspirava sentimento parecido, de amor e ódio, em igual intensidade. Foi derrotado pelo jovem Marconi Perillo, escolhido candidato quase por exclusão, no entanto sustentado por uma aliança política que só não era inédita porque, dois anos antes, tinha feito prefeito o tucano Nion Albernaz, e que se provaria alicerce eficaz para qualquer nome, desde que unida. Hoje, Iris navega sem o ranço de outrora em um partido que não está mais cego pelo poder. É o oposto do que era, assim como Marconi. E o PMDB tem mais a ganhar do que a perder.

Para 2010 é mais fácil imaginar PMDB e PR juntos do que PSDB e PR amarrados. Não é segredo para ninguém a aversão do presidente republicano, deputado federal Sandro Mabel, pelo ex-colega tucano, que o colocou no centro do mensalão em nome de uma ética que não titubeou, pouco antes, em cooptar prefeitos de um partido aliado, o DEM, apenas para que fosse marcada posição imperial de um governante contra o seu presidente, o deputado federal Ronaldo Caiado.

Pura reafirmação de força e de poder. E o que esperar de um aliado que, inesperadamente, manda para Aparecida de Goiânia, onde o PR (de Mabel, mas também do vice-governador, Ademir Menezes, e do prefeito, José Macedo) tem hegemonia, um de seus principais seguidores obedientíssimos, complicando uma aliança que, em tese, nem deveria ser posta em questão? Não foi o que fez este ano o PSDB, com a mudança de domicílio eleitoral do deputado estadual Daniel Goulart, que até há pouco mal tinha andado por uma rua da cidade? Por quê?

Pode-se argumentar que o PR vive um nó político, pelo desejo de aproximação de Mabel com Iris, ao mesmo tempo em que o PMDB prepara a candidatura do ex-senador Maguito Vilela contra José Macedo, porém o nó é mais um fator a alimentar as especulações que distanciam o PR do PSDB do que o contrário. Assim como a reaproximação do DEM de Ronaldo Caiado e do senador Demóstenes Torres com a base aliada mais se firma no distanciamento dos tucanos, porque fundada na boa relação com Alcides, do que o contrário.

Caiado sonha em governar Goiás. Demóstenes quer a reeleição. E com outra coisa não sonha o PR, que, lembremos, tem o vice, que pode em tese assumir o governo nos últimos nove meses e tentar a reeleição, a exemplo de Alcides no ano passado. Sonho por sonho, o PP já deixou claro que quer se manter no poder - eleger o sucessor de Alcides, e/ou Alcides senador, e quantos deputados for possível (, e prevalece a avaliação interna de que isso só se dará com o PSDB de coadjuvante, jamais na cabeça de uma chapa. Outro governo tucano com o PP de estepe? Fale isso para o pepista. Veja a reação.

As pretensões do PTB são menores. O seu presidente, o deputado federal Jovair Arantes, diz que quer a Prefeitura de Goiânia. Entretanto faz pouco para consegui-la. E de que lado ficaria Jovair em caso de choque entre PP e PSDB? A forte ligação dele com Marconi talvez seja a resposta. Ou já foi maior esta ligação? Que se diga que o PTB é uma das opções tidas como preferenciais do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para uma possível disputa dele pelo governo estadual em 2010. Sim, o PTB, o PR, o PMDB...

Fator agregador

Eis aí: Meirelles é hoje o maior fator possível de aglutinação política em Goiás. O que Iris não é, e Marconi menos ainda. Meirelles está sem partido. Pode escolher à  vontade. Dos maiores, todos o aceitam, quando não o desejam ansiosamente, como os supracitados. E que entre na relação dos desejosos o PP. Longe de ter sido fato ou ato isolado de política de boa vizinhança, no primeiro semestre Meirelles foi um dos comensais de Alcides no Palácio das Esmeraldas, em um jantar que rendeu ajuda providencial do presidente do BC ao logo depois confirmado secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, naturalmente presente à  mesa.

Partidos menores, que gravitam em torno do poder ou de legendas consideradas mães, igualmente sonham, igualmente planejam e igualmente estão aptos a acordos que atendam aos seus interesses. O PSB espera por Meirelles, mais para apoiar, porque Meirelles é um dos apoiadores informais de seu presidente, Barbosa Neto, que, por ora, é auxiliar de primeiro escalão do governo Alcides.

O PPS é poder. Tem sido assim. E está bem estabelecido com sua presidente, Linda Monteiro, à  frente de uma agência do Estado. Barbosa e Linda são outros que não admitem em público, mas que nos bastidores revelam guardar más lembranças da convivência política com Marconi. E com Iris, é certo, eles que foram tão ligados ao prefeito antes de romper e se entender com o então oposto político.

E o que poderia ser uma alternativa a tudo e a todos, está mais longe disso: o PT tem projeto de poder para o ano que vem, em Goiânia, e para o governo, em 2010; tem também a recorrente lembrança de que já governou a capital goiana duas vezes, com Darci Accorsi e Pedro Wilson. Só não tem nome. Darci, sem mandato, está em outra... legenda. Pedro Wilson, eleito deputado federal, está recolhido a projetos maiores, como salvar o mundo na árdua defesa do meio ambiente. O PT, que já foi alternativa de aliança para o PSDB em Goiás, é hoje adversário. Conversa com o PMDB, que tanto combateu no passado, e até com o PP, um partido convicto de direita. O PT não é mais aquele. O PT precisa primeiro se reencontrar.

Eis um esboço da nova ordem das alianças desenhadas no Estado. O jogo nunca esteve tão aberto, com campo tão livre para todos os times. Eis, pois, uma explicação razoável para a falta de oposição no Estado. Opor-se a quem se todos podem ser aliados, se é que já não são?

O que virá

Para re-unir a base aliada, só outra abstinência de poder, como a que resultou nas vitórias precursoras de 96 e 98; só outra confluência vital de interesses que fosse dar em um novo 'Marconi'. Um "novo", que inspirasse verdadeiramente um tempo novo - ainda que este se cumprisse unicamente no governo das palavras.

Nesta nova ordem é inegável, porém, que este Marconi terá participação destacada, a seu modo. Terá a experiência de dois mandatos como governador, um exército considerável de seguidores e um rosto e um nome conhecidos em todos os 246 municípios do Estado. Capital político invejável. Justo por isso ele tanto atraia quanto desagregue. Tanto inspire amor quanto resistência. Nesta nova ordem, ignorar a força potencial de Marconi Perillo será um erro fatal para quem quer que seja, assim como o papel de um Iris maduro para ser candidato ou líder em ação.

Irreversível o fim do chamado Tempo Novo. Irreversível a possibilidade de reestruturação do PMDB em um bloco coeso em 2010 (voltando ao tempo de temível máquina de campanha, como não conseguiu ser com Maguito Vilela candidato ao governo em 2002 e 2006). Irreversível a nova ordem. O que não quer dizer que não veremos nova polarização de poder no Estado. Mais certo é que se volte a ter duas forças opostas. Que forças serão estas, como elas estarão formadas, é que são elas. É isto que se vê em formação. E que definirá o destino de Goiás.

Para registro: as mudanças propostas por Alcides, ruins para Marconi, não deixam de ser boas para Iris, em pleno vigor da inauguração de obras. Ele está fortalecido no discurso contra o ´Tempo Novo` que o sucedeu. Este tempo, depois da ajuda alcidista, ele poderá muito bem definir como um tempo fracassado, ou, no mínimo, desastrado. Discurso na ponta da língua. Por fim: as mudanças mostram Alcides preocupado consigo, com o seu legado. Não há defesa de projeto político difuso, e sim a edificação de uma herança própria como governador. Alcides escreve a sua história.

E mais:

O fim do 'tempo novo'. E faz tempo

O fim do 'tempo novo'. E faz tempo 2

Alcides e o 'tempo novo'

A base e a 'Era da desconfiança'

O ódio derrota a base aliada

Aparecida & Goiânia: Iris elege Maguito, Maguito elege Iris

Postado por Vassil Oliveira em 26/05/09 às 17:09.
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09/03/09 - Segunda-feira
Demóstenes: candidatura de Caiado está nas mãos de Alcides

postado na categoria Geral

A Tribuna do Planalto publica longa entrevista com o senador Demóstenes Torres (AQUI, na íntegra).

Participei da entrevista. Demóstenes estava tranquilo, falante, mais magro.

Foi franco. Lembro que, na campanha para o governo, ele estava amargo, endurecido. Por exemplo, acreditava que a verticalização seria mantida e o PSDB acabaria obrigado a apoiá-lo - o que não aconteceu.

Escrevi, na época, que ele pensava e agia como promotor, e não como político.

Pois nesta entrevista, ele se mostra outro, bem mais amadurecido.

Abaixo, reproduzo parte da entrevista à Tribuna. A parte sublinhada trata justamente deste último tema.

***

Com o sr. avalia a oposição que o DEM e o PSDB fazem hoje ao governo federal?

É difícil fazer oposição. Primeiro porque se tem um presidente muito popular. Ele pode falar as bobagens que quiser e isso é entendido como um homem simples e o povo gosta dessas bobagens. Tudo que ele fala acaba gerando dividendos para ele mesmo. É difícil enfrentar alguém tão popular. Segundo, nós não temos um número expressivo de senadores para enfrentar o governo. De deputados então... É um rolo compressor. (...)

Trabalhar a aliança PSDB-DEM em Brasília é uma forma de garantir, por exemplo, espaço para ser candidato à reeleição? Isso é mais importante hoje do que até mesmo a movimentação de base?

Eu tenho a palavra dada pelo DEM, que eu serei o candidato à reeleição pelo partido. Essa reunião aconteceu em 2007, logo no início, em fevereiro de 2007, quando ainda era possível fazer aquelas trocas partidárias. O presidente da República me chamou para ir para um partido da base, o vice-presidente me chamou para ir para outro partido e havia uma série de propostas que, em termos pessoais, eram até vantajosas. Inclusive, eu poderia chegar até a um Ministério. Mas, eu nunca tive vontade de sair do meu partido. Naquele momento, o partido fez uma reunião, chamou seus principais expoentes, como o presidente de honra do partido, Jorge Bornhausen, o deputado Ronaldo Caiado, o senador Marco Maciel, Agripino Maia, o presidente Rodrigo Maia, José Carlos Aleluia, enfim, a executiva do partido. Ali ficou garantido que eu seria candidato a senador, em qualquer circunstância, com qualquer aliança. Agora, é óbvio que ser candidato dentro de uma chapa é muito melhor e muito mais fácil do que ser candidato sozinho. E é óbvio também que, José Serra tendo uma projeção grande, podendo ser concretamente um candidato à presidência da República vitorioso. E, nós tendo já essa aliança definida, com o PSDB e, principalmente, com o Serra, vai ser muito difícil no Estado fugir de uma aliança com José Serra e com o PSDB. Porque esses palanques podem se misturar. Nós não temos chance de fazer uma aliança com o PMDB e com o PT por questões históricas. Eu gosto do Iris como pessoa, como administrador. Mas, é difícil politicamente, numa eleição para governador apoiá-lo. Assim como também eu tenho muita afinidade com o Rubens Otoni. Mas, vai ser difícil fazer uma aliança com o PT por conta da nossa história. Essa coisa de juntar pessoas diferentes, partidos diferentes, tradicionalmente rivais, já tem merecido grande repulsa do eleitorado. Por que Alcides Rodrigues não fica junto com PMDB e com o PT? Porque sabe que o eleitorado dele vai massacrá-lo nas urnas. Qualquer outro candidato que apóie, se estiver contrário à história política dele, é complicado. Então, ou nós vamos ficar com o PSDB, nessa aliança com Marconi Perillo, ou com o governador, se ele tiver a opção de lançar outro candidato, o que já está demorando, na minha opinião.

No caso do DEM caminhar com o PSDB em 2010 em Goiás, o nome natural é o do senador Marconi Perillo?

O Marconi já é candidato. Falar que não é ou dizer que ele está estudando a hipótese de ser candidato é figuração eleitoral. O PSDB terá candidato e esse candidato se chama Marconi Perillo. Até porque se ele não for candidato a turma dele morre. Esses grandes líderes, com um grupo imenso de seguidores, tem que estar alimentando seus seguidores o tempo todo com esperança. Ainda que o Marconi não quisesse - e ele quer, ele está doido para ser candidato e ser governador de novo -, ele teria que ser candidato.

Até onde considerar viável uma candidatura de Ronaldo Caiado ao governo?

A candidatura do Caiado, e eu acho que ele sabe disso perfeitamente, só tem viabilidade se houver o apoio do governo do Estado. Então, ele tem um relacionamento muito bom com o Alcides e com o pessoal todo do PP. E, se o pessoal do PP der essa possibilidade a ele, é óbvio que nós estamos nessa terceira via. Isso aí é indiscutível. Ele hoje é uma figura muito mais madura. É um homem respeitado, honesto, decente, com propostas boas para o Estado, um estudioso, um líder nacional, e teria toda a chance. Mas, isolado eu não acredito que isso aconteça e nem acredito que o deputado sairia candidato.

O sr. já tentou ser governador. Não pensou ou teve vontade de trabalhar para ser candidato agora? Não era a oportunidade?

Poderia ser a oportunidade agora. Mas, eu a desperdicei na eleição passada porque eu não estive junto com a base. Eu tinha a ilusão de que um bom nome por si só poderia ganhar a eleição. Eu achava que eu poderia ir aos debates e ganhar os debates, como ainda hoje eu analiso que me saí bem neles, e achava que com um índice, que chegou a 17% logo no início, e que com a televisão isso iria ser ampliado, ou que ali eu teria visibilidade, para me aquilatar a qualidade de um ou outro candidato. Então, eu me desiludi completamente com essa hipótese. Estou sendo extremamente franco com vocês. Eu não acredito mais nisso de jeito nenhum. Eu acredito em bons nomes estruturados com uma boa máquina numa boa aliança.

Quando o Leonardo Vilela diz que a união entre o DEM e o PSDB vai acontecer no amor ou na dor como o senhor se sente?

Isso é uma burrice política. Eu até nem sei com quem eu comentei isso. É uma burrice. Me diz uma coisa: eles não querem uma aproximação com o DEM? Não querem que o Ronaldo Caiado seja candidato a deputado federal e apóie o DEM. Então, para que acuar o Ronaldo Caiado? Para que brigar com o Ronaldo Caiado? Isso pode dar uma sinalização para o eleitor, para a base. Talvez a intenção tenha sido essa, mas politicamente uma das coisas mais burras que eu já vi na minha vida foi esta declaração. Com todo respeito que tenho pelo Leonardo, eu gosto muito dele, nós nos encontramos praticamente todos os dias, mas foi de botar a ferradura.  

Postado por Vassil Oliveira em 09/03/09 às 15:59.
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09/03/09 - Segunda-feira
PMDB e PSDB com discurso unido: em 2010, é Iris X Marconi

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A análise, com mesmo título acima, é de Eduardo Sartorato, na coluna Linha Direta, da Tribuna do Planalto, que está disponível na internet desde a manhã de sábado, 7 (a edição impressa chegou às bancas no mesmo dia, à tarde):

A indefinição do governador Alcides Rodrigues (PP) em relação ao caminho que o PP seguirá em 2010, abre uma brecha que tucanos e peemedebistas estão usando bem. Sem a certeza da participação de uma terceira via, aliados do prefeito Iris Rezende (PMDB) e do senador Marconi Perillo (PSDB) propagam cada vez mais a idéia do confronto entre os dois líderes. A ação ensaiada por lideranças dos dois partidos mais antagônicos do Estado tem como objetivo sepultar qualquer possibilidade de candidatura alternativa. Os tucanos temem que o PP possa viabilizar a candidatura do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e de quebra levar o DEM e o PR. Há ainda a possibilidade de o PP apoiar o deputado Ronaldo Caiado (DEM) que, com o Palácio das Esmeraldas, toparia a disputa. Já o PMDB não esconde a sua preocupação de perder o PT que, juntamente com este mesmo grupo, pode articular a candidatura do deputado federal Rubens Otoni (PT). A segunda disputa entre Iris e Marconi pelo governo do Estado é uma ótima saída conjunta para segurar PP e PT com as suas respectivas 'bases'. E que as diferenças de entre Iris e Marconi sejam resolvidas nas urnas, no ano que vem. 

Postado por Vassil Oliveira em 09/03/09 às 11:31.
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02/03/09 - Segunda-feira
Contra a Celg... e Alcides

postado na categoria Análise

Na teoria, é grande a torcida para que a Celg seja salva. Na prática, a torcida é para que o empréstimo não saia e o atual governo se veja em maus lençóis.

Quem mais torce contra é quem mais tem explicações para dar a respeito do endividamento da empresa: o PSDB e o PMDB.

Os dois partidos, cada um ao seu tempo no comando do governo, são os principais responsáveis pela situação vivida hoje pela empresa, que amarga uma dívida real de mais de R$ 4 bilhões, segundo dados divulgados na últimas semanas (veja abaixo).

O insucesso da recuperação é encarado, embora não admitido, como um mal menor para peemedebistas e tucanos diante do pior: eles terem de dar explicações sobre o que fizeram com a Celg e, pior ainda, ver o governador Alcides Rodrigues (PP) sair fortalecido, depois de amargar meses de desgaste por falta de dinheiro e economia de obras - para dizer o mínimo.

Para os dois partidos, que propagam a todo momento serem os principais antagonistas em Goiás - estratégia indireta para conter qualquer outra candidatura fora do eixo Iris Rezende X Marconi Perillo -, preferem gastar espaço na mídia e o tempo dos goianos em uma infindável discussão travestida de debate para estabelecer quem quebrou MAIS a empresa, em vez de juntar forças ao governo em busca de uma solução que vai beneficiar não este ou aquele grupo, mas o Estado inteiro.

É até razoável crer que PMDB e PSDB, em certa medida, torçam a favor da empresa. O problema é que o efeito prático disso (vale insistir: a recuperação econômica da empresa significaria fortalecimento político do PP e de Alcides) não interessa a nenhuma das legendas. É o mal maior, na definição delas.

Porque, apesar de o PMDB procurar passar a idéia de que acredita em uma aliança com os pepistas para 2010, complicando a vida dos tucanos, a verdade é que são poucos os que levam a sério isso em qualquer partido. O apoio informal a Alcides, até agora, foi mais um ato de implicância com Marconi e o PSDB do que propriamente uma tentativa de se criar condições favoráveis a um possível entendimento político.

E há outro fator a ser considerado pelo PMDB: a possibilidade de um PP robustecido pelo próprio governo federal acabar 'roubando' o PT como aliado em 2010. Como roforço, a esta tese há as constantes declarações do deputado federal Rubens Otoni (PP), elo entre os governos goiano e da União, de que o caminho mais ao gosto de Lula para o seu partido seria a construção de algo como uma 'terceira via' na disputa pelo comando do Estado, justamente unindo PT e PP.

A tucanos e peemedebistas, em resumo, interessa mais um governo Alcides enfraquecido no ano que vem do que fortalecido a ponto de ser capaz de definir o jogo eleitoral.

Mas se o governo Lula surge como salvador de pátria goiana, as constantes declarações de petistas dando conta de que a decisão do presidente sobre o empréstimo do BNDES à Celg é política - e o fazem como forma de reforçar a possível aliança entre PP e PT -, há que se considerar também que não só PSDB e PMDB têm culpa, hoje, pela difícil situação da estatal.

Quanto mais protela a tal 'decisão política' em favor do empréstimo, mais o governo Lula afunda a estatal em dívida. Por exemplo: sem a solução, a Celg não pode aumentar a tarifa de energia, como as outras empresas fizeram. Resultado: além de esticar a agonia da Celg, Lula impediu um alívio para as suas contas de cerca de R$ 900 milhões.

Nesse caso, o governo estadual está refém do governo Lula (quer situação melhor: manter o governador no cabresto?), principalmente porque dá a entender que, fora isso - o dinheiro da União -, não há solução. E mais: ainda que prejudicado pela ação política de PSDB e PMDB, não há qualquer agente do Estado a puxar o debate da união por Goiás, cobrando de todos os partidos a conjugação de forças.

Do ponto de vista político, o governo do Estado prefere sofrer calado a gritar por socorro coletivo. Pode, assim, pagar o preço por todo o desmando na Celg. A divulgação, nas últimas semanas, de números que mostram o tamanho do buraco na empresa, e os responsáveis por ele, é um passo em direção ao fim do túnel, mas é muito pouco para quem quer alcançar a luz. Em certa medida, acirra os ânimos, sem resolver a questão principal.

Assim é que o caso Celg se mostra como a perfeita metáfora de um Estado iluminado por políticos movidos a querosene. Acesos pelo voto, não resistem a um sopro de inspiração republicana.

***

Notícias sobre a Celg

"O endividamento da Companhia Energética de Goiás (Celg) saltou de R$ 400 milhões, em 1993, para R$ 4,27 bilhões em 2006, e continuou em ritmo crescente no ano seguinte. Num período de seis anos (de 2001 a 2006 - o período analisado é o que está disponível na Comissão de Valores Mobiliários -CVM), as dívidas da companhia mais do que triplicaram, chegando a um patamar sem precedentes na história da estatal."

"Em 1993, com a estabilização da economia brasileira, já se falava em uma dívida de US$ 400 milhões. O contorno mais concreto da situação surge em 1995, no primeiro ano do governo de Maguito Vilela (PMDB). Naquele ano, a dívida "vencida e não-paga" era de R$ 318 milhões. O discurso do governo era de 'caos financeiro', e as iniciativas tentadas lembram muito as atuais: venda de ações e renegociações com o governo federal para "equilíbrio de contas". Em sua gestão, Maguito empreendeu a venda da principal fornecedora de energia à Celg, a Usina de Cachoeira Dourada, hoje credora da companhia."
"No primeiro mandato de Marconi Perillo (PSDB), mais especificamente no segundo ano de sua gestão, chegou a ser cogitada a venda completa da Celg, e depois a proposta era de venda de 40% da companhia, uma situação que se repete agora na gestão de Alcides Rodrigues (PP). Não são novidades negociações com a Eletrobrás, a principal credora, e precedentes de empréstimos com o BNDES."

"A origem da dívida da Celg gera polêmicas. Na semana passada (há duas semanas), o governador Alcides Rodrigues considerou irrelevante a discussão. O prefeito e ex-governador Iris Rezende (PMDB) cobrou investigação por parte da Assembleia Legislativa. O senador Marconi Perillo também se posicionou. Disse estar tranquilo e concordou com a abertura de uma investigação."

"A dívida bilionária da Companhia Energética de Goiás (Celg) tem, ao longo dos anos, dois componentes constantes, responsáveis de alguma forma pela situação a que chegou a estatal goiana. Um desses componentes é o débito do Estado com a companhia, de mais de R$ 1 bilhão. O outro é a dívida dos consumidores finais, que deixam de pagar a conta de energia e colocam a companhia numa situação ainda mais difícil. Uma fiscalização feita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nas contas da Celg em 1998 mostrava essa situação (...) Em 2005, a Aneel quantificou o problema: 52% dos consumidores estavam inadimplentes. Já a dívida do Estado, que deixou de pagar por diversos serviços e obras de energia elétrica executados pela Celg, mais do que dobrou em cinco anos. Em 2001, essa dívida era de R$ 454 milhões. Em 2006, já somava R$ 1,03 bilhão, conforme um relatório de fiscalização econômico-financeira da Aneel."

"A intenção de vender as ações, dentro da transação financeira com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), já aparecia no relatório de administração da Companhia Energética de Goiás (Celg) de 2007.Conforme a informação que aparece no relatório, o Estado de Goiás pretende disponibilizar 41,08% de sua participação acionária. Esta seria a garantia na operação financeira entre a Celg e o BNDES. A expectativa da empresa era ver o acordo aprovado ainda no primeiro semestre de 2008. A indefinição permanece, num momento em que as ações da Celg - endividada como nunca, com prejuízos e com despesas crescentes - estão desvalorizadas no mercado."

Fonte: O Popular - 22.02.09 (o acesso ao material do jornal é restrito. Os assinantes podem ir até a página inicial, AQUI, e buscar pela edições anteriores.)

***

O texto está na edição desta semana da Tribuna do Planalto.

Para acessar, clique AQUI.

Mais sobre o assunto:

Celg enxuga gastos operacionais e incrementa gestão financeira

A responsabilidade é de todos os governos

Postado por Vassil Oliveira em 02/03/09 às 12:47.
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01/03/09 - Domingo
Marconi busca ‘confiança’, mas PP teme vingança

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O título acima é a manchete da Tribuna do Planalto esta semana.

A reportagem é de Eduardo Sartorato. Mostra como está o clima entre os governistas de forma clara, objetiva.

Sartorato apresenta fatos. Diz o seu texto:

No meio político goiano não há dúvidas: Marconi Perillo está diferente. Desde que assumiu a primeira vice-presidência do Senado, há cerca de um mês, o parlamentar tem buscado intensamente diálogo com os partidos da base aliada. O que mais chamou atenção foram os encontros de Marconi com os deputados federais e desafetos do tucano, Ronaldo Caiado (DEM) e Sandro Mabel (PR). A reaproximação indica claramente a vontade de Marconi em garantir a unidade do grupo e criar as condições necessárias para mais uma candidatura sua ao governo. Nos bastidores, tal ação é vista positivamente entre tucanos e políticos dos três principais partidos em que o senador possui mais arestas (DEM, PR e PP), mas ainda há muito que fazer para que todas as lideranças possam voltar a falar a mesma língua.

O maior desafio de Marconi Perillo é resgatar a confiança destes líderes. O senador se envolveu em casos polêmicos com todos eles (ver quadro), e agora tenta superar as barreiras que foram formadas. Marconi sabe que se não conseguir reunir a sua antiga base de partidos terá um caminho muito difícil pela frente, já que hoje apenas o PTB diz seguir o PSDB em 2010. Ou pior, além de não contar com o apoio de partidos que foram seus aliados em eleições passadas, o senador ainda corre o risco de vê-los do lado adversário. Todos os três alimentam alguma possibilidade de estarem do lado do PMDB, em 2010.

***

Também escreve Sartorato, em "Medo de perseguição política afasta o PP":

Após mais de dois anos em atritos constantes, PP e PSDB vivem momentos políticos distintos. Enquanto o governador Alcides Rodrigues desconversa qualquer cenário eleitoral para 2010, o senador Marconi Perillo age para aparar arestas. A repetição da aliança PP-PSDB é a maior incógnita da política goiana e a definição deste impasse certamente significará a definição do próprio cenário político para 2010. Marconi sabe que terá o seu caminho ao Palácio das Esmeraldas encurtado, caso a máquina estadual atue a seu favor. No PP, porém, a palavra 'confiança' tem conotação ainda mais valorizada do que em relação aos outros dois partidos.

***

Para ler toda a reportagem, clique AQUI.

Postado por Vassil Oliveira em 01/03/09 às 22:22.
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14/12/08 - Domingo
Crise entre PP e PSDB está insustentável

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É a manchete da Tribuna do Planalto desta semana.

A reportagem de Eduardo Sartorato mostra como anda o clima na base aliada. Aliás, mostra que continua o mesmo de meses atrás: insustentável.

Uma pergunta que fica no ar: o presidente eleito da Assembléia ficará de que lado, do governo Alcides ou de Marconi?

Alguns trechos da reportagem (para ler a íntegra, clique AQUI):

Com o final das eleições municipais e a definição do quadro de poder partidário pelo interior do Estado, o cenário político vai se intensificando rumo ao processo que apontará o sucessor do governador Alcides Rodrigues (PP), em 2010. Lideranças definem seus caminhos, discursos ficam mais calorosos e disputas de espaços tornam-se mais agressivas. Nenhum lugar é melhor para medir tal impacto do que a Assembléia Legislativa, 'caixa de ressonância' da política goiana. O clima na Casa diz tudo: o embate entre deputados ligados a Alcides (chamados alcidistas), do PP, e os adeptos ao senador Marconi Perillo (marconistas), do PSDB, é maior do que nunca. Tanto que alguns parlamentares mostram-se muito tranqüilos ao afirmar que a 'guerra fria' entre os dois grupos já está em um nível tão alto que dificilmente se reverterá.

O grande problema do governador Alcides Rodrigues na Assembléia Legislativa é a falta de base própria. O grupo de deputados que dá suporte ao governo na Casa foi construído pelo ex-governador Marconi Perillo e herdado pelo pepista, quando este assumiu o governo. A edição 1.081 da Tribuna do Planalto, de agosto de 2007, relatou, na reportagem 'Bancada do governo é marconista', os perigos que o pepista corria no parlamento, já que não tinha o comando da sua bancada. Pouco mais de um ano depois, nada mudou.

A construção de uma base que tenha a defesa do governo Alcides Rodrigues como prioridade é fundamental para o sucesso do restante do governo pepista. Segundo os próprios deputados, o governador não terá dificuldade em formatar um grupo seu se valorizar melhor os parlamentares, queixa geral dentro da Casa. Alcides hoje tem adeptos, principalmente, no PSDB, PP, PT do B, PR e PTB. É no PMDB, contudo, que o governador pode conseguir a tranqüilidade que tanto necessita na Assembléia Legislativa.

O prefeito, ao lado do PT, está construindo um bloco político que dê suporte a uma candidatura do PMDB ao governo, em 2010, e já mostrou várias vezes que o PP seria muito bem recebido nesta composição. Do lado peemedebista, é uma ótima parceria. Já do lado do governador, a opinião de vários alcidistas é de que Alcides precisa definir esta posição o quanto antes. Ou vai, ou racha. Senão, corre o risco de perder o PMDB e ficar sem o PSDB.

Os destaques são do blog.

Agora, um levantamento longo de Sartorato sobre a relaçao governo-Assembléia, que acompanha a reportagem:

Assembléia X Alcides - 2 anos de um relacionamento nada tranqüilo

*01/02/2007 - O deputado Jardel Sebba (PSDB) é eleito presidente da Assembléia Legislativa. Com a benção do senador Marconi Perillo (PSDB), e a ausência do governador Alcides Rodrigues (PP) no processo, o novo presidente formata a Casa aos moldes do tucano. Para várias diretorias e cargos de chefias são nomeados aliados do ex-governador.

*15/03/2007 - Alcides recebe a bancada do PSDB no Palácio das Esmeraldas, após reclamações dos tucanos de falta de diálogo. Em meio aos desgastes pela demissão de três mil servidores comissionados, vários deles cotas de parlamentares, a Assembléia adota regime 'banho-maria', com muita discussão e pouca aprovação.

*21/03/2007 - Um pacote de vetos do governador é quase derrubado pelos deputados governistas, em meio à instrução clara do Palácio para que eles fossem mantidos. A situação de Alcides na Casa vira uma incógnita quando o governador convida o líder do governo, deputado Ernesto Roller (PP), para ser secretário de Segurança Pública. Helder Valin (PSDB) assume em meio a desconfianças, já que seu partido é um dos mais insatisfeitos com o governo.

*03/04/2007 - A Assembléia vive tumulto gerado por ameaças de três CPIs. A idéia da CPI do endividamento do Estado é encampada até mesmo por deputados da situação, como Daniel Goulart (PSDB), que forçou para que fossem investigados também os anos de governo do PMDB. Outras duas CPIs, da Saúde e da Educação, também são pedidas. Abacaxi para o novo líder descascar.

*09/05/2007 - Diante da grande insatisfação dos deputados, o governador Alcides Rodrigues passa a evitar a Assembléia Legislativa. O pepista deixa de enviar matérias para a Casa, já que os problemas financeiros do Estado o impedem de atender parlamentares.

*01/08/2007 - Nem mesmo o recesso acalmou os ânimos dos deputados. Logo após o período de descanso, a polêmica do fim do subsídio ao Eixo Anhanguera é motivo para muita polêmica na Casa. No foco da questão, os aliados do governador, que queriam diminuir os gastos do governo, contra os marconistas, contrários ao fim de um marco do governo tucano.

*25/08/2007 - Reportagem da Tribuna do Planalto mostra que a bancada governista na Assembléia, na verdade, é muito mais ligada ao senador Marconi Perillo que ao governador Alcides Rodrigues. Quando há polêmicas que chocam os interesses dos dois líderes, o pepista tem dificuldades para manter as rédeas do parlamento.

*08/11/2007 - Alcides Rodrigues e o secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, anunciam a reforma administrativa e pedem carta-branca aos deputados. Depois de muita articulação, o governo consegue a garantia dos parlamentares para mexer na máquina sem a necessidade de prévias aprovações, até o início de maio de 2008.

*01/02/2008 - No início das atividades de 2008, deputados declaram que confiam na valorização da Casa pelo governador Alcides Rodrigues, mas pedem melhor relação com o poder legislativo. Sem ações, já que deram carta-branca para o governo fazer a reforma, os parlamentares esperam as mudanças do governador.

*24/03/2008 - Bancada governista tem conversa "franca" com o governador Alcides Rodrigues, que concorda atender individualmente cada deputado, juntamente com seus aliados do interior. O deputado Helder Valin fica responsável por fazer o agendamento das audiências.

*06/10/2008 - Com a aprovação da reforma e as eleições municipais o parlamento goiano fica em segundo plano, no segundo semestre. Em paz, Helder Valin articula a sua eleição para a presidência da Casa. Após o pleito nos municípios, embate entre PP e PSDB volta à cena, com a possibilidade de disputa entre o deputado Ozair José (PP) e Valin.

*15/10/2008 - Governador Alcides prefere não desestabilizar a Casa, e não age pró-Ozair. A não-ação garante a vitória de Valin, que uniu todos em torno de seu nome.

*03/12/2008 - A adequação constitucional trouxe duas pendências polêmicas ao governador: a diminuição da participação orçamentária da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e a situação dos ex-servidores da Caixego, que pedem anistia. Uma nova crise entre alcidistas e marconistas coloca o governo, mais uma vez, em xeque.

Postado por Vassil Oliveira em 14/12/08 às 22:02.
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10/11/08 - Segunda-feira
Marconi é só ansiedade 3

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Está também na edição da Tribuna desta semana:

MARCONI QUER UNIÃO, MAS QUEM QUER UNIR-SE A ELE?

Em 1998, a oposição uniu-se pela primeira vez em Goiás. Em caso raro, a unidade veio antes da definição do candidato. Aliás, mais difícil foi a escolha do candidato. Até que se chegou ao nome do então deputado federal Marconi Perillo, que, para aceitar, impôs uma séria de condições.

Outro fato inusitado: o candidato a vice, Alcides Rodrigues (do PPB, que virou PP), foi definido antes do cabeça de chapa. Batido o martelo na chapa, Marconi e Alcides saíram a campo para pedir votos. Venceram. A oposição virou então base aliada, que se mantém no governo desde então.

Em 2010, a situação será outra: Marconi é o nome que se pretende natural, porque o mais forte (se se olhar o agrupamento original de 98), mas a base não está mais unida.

Quem está unido é o adversário, o PMDB, que dez anos atrás tinha uma unidade aparente, e uma arrogância gritante, a mesma, aliás, identificada nos últimos anos nos marconistas, tão ávidos pela volta ao poder que nem notaram que os velhos companheiros foram se sentindo, anos após anos, espezinhados e reduzidos a pouca insignificância (lembram-se de quando o PSDB alardeava que queria mandar os cerca de 90% de cargos no governo? Pois é: 90%. E os outros?).

O resultado da eleição deste ano produziu o resultado que o PP buscava: aumento de seu poder nos municípios, com diminuição do poder do PSDB. Sempre esteve claro que o PP não se importava com o crescimento do PMDB, desde que os tucanos não crescessem as asas. Agora, se o PSDB quiser o apoio do PP, terá de conversar baixando o bico.

E não só com o PP: também com o PR de Sandro Mabel e do atual vice-governador, Ademir Menezes, com o PTB que não lhe diz amém, com o PSB etc. etc. Isso é equilíbrio de poder interno, fortalecido pela convicção de que Marconi só será competitivo, mais que isso, só será candidato com o governo do seu lado.

A questão é: para se chegar a este ponto, as relações internas foram esticadas ao máximo. O que leva à pergunta: o equilíbrio abre ou fecha negociações? O que leva a outra pergunta ainda: quer o PP, e o PR, e talvez mais partidos, querem eles, agora fortalecidos, Marconi como candidato?

Os fatos, por ora, respondem que não. Marconi inspira medo - medo de retaliações, caso volte ao poder, contra aqueles que hoje levantam o queixo para ele; medo de vingança com o poder da caneta na mão; medo de que, uma vez eleito, lance mão de todos os meios para se perpetuar, impedindo que outros possam também disputar o governo, sonhar em chegar lá, inclusive à Prefeitura de Goiânia.

Em outras palavras: Marconi quer unir, mas quem quer unir-se a ele? Interlocutores dele garantem que ele entendeu a mensagem das urnas, e já está em campo trabalhando para reverter a situação. Mas há tempo? Não é tarde demais?

Para os atentos, o que há nas entrelinhas da base que já foi aliada é isto: entre uma possível volta ao governo de Marconi Perillo ou de Iris Rezende (PMDB), melhor que volte Iris. Ainda que melhor porque menos pior.

Discurso só não faz política. Mais dia, menos dia, cada um colhe o que planta. Líder não depende do poder dos Palácios; líder é o poder. Ou é, ou não é.

Postado por Vassil Oliveira em 10/11/08 às 14:29.
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10/11/08 - Segunda-feira
Marconi é só ansiedade 1

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Marconi durante o encontro tucano em Goiânia

APARAR ARESTAS E UNIR A BASE. MARCONI CONSEGUE?

Este é o título de reportagem de Anapaula Hoekveld, manchete esta semana da Tribuna do Planalto. Diz o texto:

As eleições estaduais se aproximam a passos largos e o senador Marconi Perillo (PSDB) corre contra o tempo para se viabilizar à disputa do Palácio das Esmeraldas. É bem verdade que o líder tucano neste momento não se inscreve como candidato. Mas é verdade também que ele nunca deixou de trabalhar para retornar ao comando do Estado. E enfrenta dificuldades. O senador é considerado forte por líderes da base, mas sua candidatura não é vista como natural. Marconi terá de trabalhar muito para unir os partidos da base e terá de aparar muitas arestas.

(Para ler mais, clique AQUI.)

No sábado de manhã, o editor de Política da Tribuna, Filemon Pereira, acompanhou o encontro do PSDB. Reproduzo o texto dele na íntegra, para consulta daqueles que ainda acreditam que a base aliada está aliada e que o PSDB não está em campanha faz tempo para o governo:

MARCONI É ACLAMADO EM ECONTRO TUCANO

O evento que era para ser uma confraternização dos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores do PSDB de Goiás, eleitos ou não, tornou-se um grande ato político em torno do senador Marconi Perillo (PSDB). O encontro de sábado, 8, no Parque de Exposições agropecuárias de Goiás, dá a exata dimensão da força do senador tucano e de seus aliados. Que não é pouca. E, ao mesmo tempo, evidencia claramente as limitações impostas ao PSDB goiano hoje. Exemplo maior é que o governador Alcides Rodrigues não apareceu e nenhum dos seus principais interlocutores.

O PSDB em si mostrou-se unido. A maioria absoluta dos eleitos - prefeitos, vice-prefeitos e vereadores -, prefeitos em final de mandato, deputados estaduais, federais e os dois senadores da legenda foram ao encontro. Além deles, todos os aliados de primeira hora do senador Marconi Perillo estavam lá. Lideranças do DEM, do PR, do PPS, do PTB, PT do B, PDT, PSDC, entre outras siglas. Ao todo, mais de duas mil pessoas estavam no evento. A única presença nacional foi do senador Arthur Virgílio, do PSDB do Amazonas.

Todos os nomes presentes, porém, eram previsíveis, por serem aliados de primeira hora de Marconi. Do DEM estavam lá representantes da ala do partido próxima ao senador, como o deputado Nilo Resende e o secretário estadual de Saúde, Hélio de Sousa. O PR foi representado pelo vice-governador Ademir Menezes, outro marconista declarado. Da mesma forma o PTB do deputado Marlúcio Pereira, o PPS de Gilvane Felipe e o PDT de Misael Oliveira.

Com tantos tucanos e marconistas fiéis, a cara do encontro não poderia ser outra. A confraternização transformou-se em uma grande demonstração de incentivo a uma candidatura de Marconi Perillo ao governo de Goiás, em 2010. Entre muitos elogios a Marconi, chama a atenção da declaração do deputado Nilo Resende. Olhando para o tucano, o democrata disparou: "Você não será imposto, você será glorificado o próximo governador de Goiás".

"O nosso projeto político é o senador Marconi Perillo", declarou em outro momento o prefeito de Jussara, Joaquim de Castro (PSDB). "Marconi, essa festa está mais bonita que a de Barack Obama nos Estados Unidos e assim será a festa da sua vitória em 2010", derrama-se Célio Silveira (PSDB), prefeito reeleito de Luziânia. E assim foram se sucedendo os oradores com elogios e mais elogios aos governos do Tempo Novo e a crença na volta de Marconi ao governo de Goiás em 2010. Ao fundo, o tema musical do evento não podia ser outro: o jingle tema da campanha de Marconi em 98, que subia para apresentar cada novo orador.

União

Ao mesmo tempo em que o PSDB volta-se a Marconi como depositário único de todas as expectativas de poder dos tucanos, em vários momentos da festa dos adeptos do Tempo Novo a cobrança pela unidade se fez presente. A senadora Lúcia Vânia cobrou apoio ao governador Alcides Rodrigues e sugeriu que o momento é dos partidos juntarem os esforços e apostarem nas administrações. "Nós temos a responsabilidade de sermos parceiros do governador Alcides na sua luta para prosseguir no desenvolvimento do Estado. Nós precisamos estar mais unidos do que nunca", afirmou.

Em seu discurso, o ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz (PSDB) também cobrou unidade à base aliada para 2010. Nion, inclusive, fez menção a sua vitória na eleição para a Prefeitura de Goiânia, em 1996, e de Marconi ao governo, em 98, como exemplos de vitórias conseguidas pelo mérito da união dos partidos. A deputada federal Raquel Teixeira (PSDB) também mencionou a importância da manutenção da base aliada unida.

Lealdade

Além da festa para Marconi e do discurso de unidade na base, um recado acabou ecoando no evento. A cobrança de lealdade ao governador Alcides Rodrigues, ausente no evento. O senador Arthur Virgilio, principal convidado do evento, disse no seu pronunciamento que lamentava não ter podido se encontrar com Alcides, mas que tinha nele as melhores referências, a principal dela de ser um homem leal aos seus companheiros.

O senador Marconi preferiu outro ao alvo para falar em lealdade, por sinal, um nome próximo de Alcides. Foi ao cumprimentar o vice-governador Ademir Menezes, por quem ele frisou que agradecia a presença, a lealdade, ao companheirismo em todos os momentos.

MARCONI E LÚCIA VÂNIA TROCAM AFAGOS

No ano passado, quando o PSDB regional publicou uma carta com críticas contundentes à senadora Lúcia Vânia, poucos acreditavam que ainda haveria espaço para conciliação entre o a senadora o PSDB. A tucana, em vários momentos, desferiu críticas contundentes ao senador Marconi Perillo, sobretudo, por posicionar-se contra a sua supremacia absoluta sobre o partido. No entanto, hoje o tempo é de paz no ninho tucano. No encontro do PSDB, Marconi e Lúcia Vânia trocaram elogios eloqüentes.

"Cumprimento aquele que tem sido o nosso guia. Que é jovem, inquieto, ousado e competente. É ele que motiva a todos estarem aqui. É ele que motiva o Estado de Goiás a avançar, carregado de fé, carregado de esperança e de certeza em um futuro melhor", observou a senadora. Lúcia Vânia havia cumprimentado todos os presentes e deixou Marconi para o final, quando o descreveu dessa forma.

Os elogios da senadora ao colega de partido de bancada no Senado não ficaram apenas na valorização das qualidades pessoais. Lúcia Vânia fez uma contundente defesa dos oito anos do governo de Marconi Perillo. "Tivemos nessa eleição a resposta de oito anos de governo bem administrados, que correspondeu aos anseios da população goiana. Somos um Estado que cresce acima da média nacional, que gera emprego e renda mais do que qualquer outro Estado (...). Temos uma Universidade Estadual que é o maior patrimônio de Goiás".

O senador Marconi Perillo não fez por menos. Elogiou o trabalho desempenhado pela colega tucana. Marconi disse que muito do sucesso dos governos do Tempo Novo deve-se ao esforço de Lúcia Vânia no Congresso Nacional, trabalhando em favor dos interesses de Goiás. Por fim, arrematou: "Obrigado, Lúcia Vânia! Sou eternamente grato a você", agradeceu.

MARCONI DIZ QUE NÃO TEM MEDO DAS ADVERSIDADES

A platéia inundada por tucanos de todos os cantos do Estado foi ao delírio com a metade final do discurso do senador Marconi Perillo. Nesse momento, o tucano elevou o tom, desafiou seus adversários e comportou-se como se estivesse em um palanque, em plena campanha para retornar ao governo de Goiás. Naquele momento, Marconi parecia saciar a cede de poder dos tucanos. "Ao tomar um banho, hoje pela manhã, eu me dirigi ao guarda-roupa e tomei uma decisão mais ou menos óbvia: vestir uma camisa azul", a platéia quase veio abaixo.

A camisa azul é um dos símbolos da campanha vitoriosa de Marconi ao governo, em 1998. A decisão de vestir tal camisa, segundo o tucano, é a de arregaçar as mangas e dizer que não tem medo das adversidades. "Vesti de propósito. Nós não temos medo de cara feia", afirmou.  "A covardia, o medo, nunca foram meus companheiros", acrescentou o tucano.

Marconi disse também que o candidato da base aliada será quem conseguir aglutinar mais e também quem estiver melhor nas pesquisas. A defesa das pesquisas, para escolha do candidato ao governo, segundo ele, é por que o povo também precisa participar da escolha.

"Nós vamos à luta, sem temor, comparando os nossos governos com os governos dos nossos adversários", explicou. O tucano, porém, evitou citar qualquer adversário de forma mais direta. O discurso tinha muito mais o objetivo de fortalecer os aliados, de dar ânimo a 'tropa'. "Temos energia, disposição e projeto" e concluiu dizendo que "o Tempo Novo está vivíssimo".

O exemplo

Depois de ser comparado pelo senador Arthur Virgílio ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, Marconi voltou aos Estados Unidos em seu discurso. Mencionou a força, a determinação e a grandeza do candidato republicano John McCain e trouxe a comparação da vitória da democracia norte-americana como exemplo ao PSDB de Goiás. "Quando todos pensavam que nós tínhamos saído enfraquecidos, com aquela mesma cantilena, nós damos essa demonstração de nossa força e de nossa união, que nos levará a vitória", arrematou.

Postado por Vassil Oliveira em 10/11/08 às 13:16.
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01/11/08 - Sábado
Novos tempos 2

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Estou assumindo mais funções na Tribuna do Planalto - por uns tempos.

Por conta disso, deixo de fazer os comentários diários na Rádio 730 e de participar também diariamente do Cá Entre Nós, junto com o Marcelo Heleno, o Altair Tavares, o Marcos Cipriano e o Cláudio Curado.

Deixo ainda de fazer os comentários no programa Goiás Verdade, da TV Brasil Central, comandado de segunda a sexta-feira pelo amigo Fernando Faria.

Enfim, tempos de tranformações.

E já que lembrei do poema do Drummond, cito outro, de José Régio, que me guia, sempre (ainda encontro a gravação feita pelo Paulo Autran desse poema, que perdi em muitas mudanças de endereços!):

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

Postado por Vassil Oliveira em 01/11/08 às 16:10.
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18/10/08 - Sábado
Disputa para deputado federal corre solta

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A reportagem é de Eduardo Sartorato, e está na Tribuna do Planalto desta semana:

Não é só o cenário para a eleição majoritária estadual que se forma com o resultado das eleições municipais. A corrida pelas 17 cadeiras goianas na Câmara Federal, objeto de desejo de todo político em ascensão, causa uma verdadeira luta entre lideranças, tanto na capital, quanto no interior. A expansão das chamadas bases eleitorais, zona de influência de cada político, é um duelo paralelo que define quem terá dificuldades ou um caminho mais fácil para chegar a Brasília. Tendo como parâmetro as eleições deste ano, 2010 será de forte concorrência para quem se candidatar a deputado federal. Novas forças surgem no cenário, enquanto vários dos atuais parlamentares continuam com influência alta.

Para ler mais, clique AQUI.

Na edição impressa tem um gráfico que mostra a força dos candidatos região por região.

Postado por Vassil Oliveira em 18/10/08 às 16:06.
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21/09/08 - Domingo
Marconi e Iris têm deixado claro: querem guerra

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Uma prévia da guerra de 2010 já está em cartaz em Anápolis. PMDB e PSDB estão se enfrentando com armas na mão pela prefeitura, assim como podem e devem se enfrentar na disputa pelo governo do Estado. A nova rodada da pesquisa Grupom - Tribuna do Planalto/Rádio 730 (para ver o resultado, clique AQUI) na cidade não deixa dúvida disso, e serve de referência para outra questão: como vão se comportar na disputa pelo governo os partidos de médio porte que hoje estão em parte com o que resta da base aliada governista, em parte com o PMDB. Ficam com quem?

Outra coisa: a estrutura alcidista (PP e aliados diretos do governador Alcides Rodrigues), fica com quem?

Nos últimos dias, a base aliada tem insistido que o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, que busca a reeleição, é candidato natural ao governo. Com isso, mais faz campanha antecipada para Iris do que o desqualifica para a disputa na capital. Pelo menos é o que pensam os peemedebistas. Em outra trincheira, o senador Marconi Perillo (PSDB) procura deixar claro cada dia mais que é candidato ao governo, que tem (na convicção de seus aliados) do seu lado o DEM e que o PP precisa escolher logo de que lado quer ficar. De forma subliminar, apresenta-se como o único contraponto viável eleitoralmente a Iris e aos peemedebistas, e como tal candidato natural de quem não se pode fugir.

Com Iris e Marconi naturalmente 'candidatos', a disputa de 2010 já está estabelecida, com uma única incógnica deixando muita gente sem dormir: Henrique Meirelles será ou não candidato ao governo? Se for, será com quem, e contra quem?

Em Anápolis, portanto, PMDB e PSDB já estão em campo, principalmente porque Marconi tomou para si a tarefa de eleger Ridoval Chiareloto como prova de seu prestígio, e o PMDB sonha em voltar a ter ali um mínimo de prestígio, que evite pelo menos derrotas humilhantes como as que teve para o marconismo nas últimas eleições, decisivas, aliás, para as derrotas maiores que teve, para o governo.

E o fato de o PT (aliado do PMDB em Goiânia, mas em raia própria em Anápolis) estar no jogo com chances reais de ir para o segundo turno contra justamente o PMDB ou o PSDB, apenas coloca mais lenha nessa fogueira eleitoral. Só reforça a visão de que a disputa entre PMDB e PSDB é coisa para agora, 5 de outubro, e não para o segundo turno - que, vale repetir, pode nem existir para um deles. No segundo turno, caso os dois partidos se enfrentem, a guerra será em outro nível.

(Publicado originalmente na Tribuna do Planalto em 21.9.2008)

Postado por Vassil Oliveira em 21/09/08 às 16:30.
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15/09/08 - Segunda-feira
Cresce vantagem de Maguito sobre Marlúcio

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Falar o quê?

O título acima, manchete do jornal Tribuna do Planalto, já diz como está a disputa em Aparecida de Goiânia.

Ele se refere a pesquisa publicada esta semana no jornal e divulgada pela Rádio 730.

Confira AQUI a pesquisa na Tribuna, com gráficos, e AQUI, no site da rádio.

Na página do jornal há ainda comentários de Marcelo Heleno e Altair Tavares.

Postado por Vassil Oliveira em 15/09/08 às 09:00.
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14/09/08 - Domingo
'Estamos na pré-história da internet'

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O editor do caderno Comunidades do jornal Tribuna do Planalto, Marcos Bandeira, entrevistou na semana passada o jornalista Lourival Sant'Anna. Na abertura da entrevisa, publicada na edição que está nas bancas desde sábado à tarde, registra:

Entre visões apocalípticas e otimistas, em 'O Destino do Jornal' (Ed. Record, 270 páginas), resultado de sua dissertação de mestrado, defendida na Universidade de São Paulo no ano passado, o jornalista Lourival Sant'Anna mostra que o tradicional veículo de comunicação ainda tem futuro. Para tanto, será necessário adaptá-lo aos novos tempos. Mas engana-se quem pensa que isso significará abrir mão das qualidades que o distinguem dos demais meios. Pelo contrário, uma das saídas será justamente reforçar o que o jornal faz de melhor: contextualizar, interpretar e analisar a notícia.

Um pouco do que diz Lourival:

"O jornal impresso tende a diminuir em número de páginas. Deve deixar de contar tudo o que aconteceu ontem, para investir na análise, interpretação e narrativa de alguns fatos. Também tende a diminuir em formato, passando do standard para o tablóide, de modo a maximizar uma de suas qualidades mais apreciadas pelo leitor: a portabilidade. Tende, ainda, a diminuir em circulação. Parte de seus leitores está migrando para o on-line. E parte simplesmente deixará de ler jornais."

"A TV, o rádio, a internet e o celular são melhores que o jornal para dar a notícia. O jornal é melhor que todos eles para contextualizar, interpretar e analisar essa notícia, explicar o que ela significa para o leitor, para sua cidade, para o país e para o mundo. O jornal também é melhor que os outros para contar a história, com qualidade narrativa. A revista também é boa para fazer essas coisas, mas ela só o faz uma vez por semana. O jornal não é quente demais a ponto de ser superficial nem frio demais a ponto de parecer velho. Na sociedade da informação, 24 horas é a periodicidade ideal para dar sentido à notícia."

"...o jornalismo on-line ainda não é rentável. Estamos na pré-história da internet..."

(Para ler toda a entrevista, clique AQUI.)

***

Lourival, que formou-se na UFG e é irmão da vereadora Marina Sant'Anna (PT), faz palestra nesta terça, 16 (às 9h, no auditório da Facomb, no Campus Samanbaia), para estudantes da pós-graduação da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia. E às 20h ele participa de debate no auditório do Sindicato dos Jornalistas.

Postado por Vassil Oliveira em 14/09/08 às 21:33.
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13/09/08 - Sábado
Ordem unida na disputa pela Assembléia? Mas pra que lado?

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Sobre a disputa pela presidência da Assembléia Legislativa (veja post anterior: Outra eleição movimenta a política goiana. Quem será o presidente da Assembléia?), vale dizer:

1

É antiga a notícia de acordo de bastidores para que o próximo presidente seja Helder Valin (PSDB), que hoje é um dos homens fortes do atual presidente, o tucano Jardel Sebba, na Casa. Mas isso se não acontecesse o que ninguém imaginava: derrota de Jardel na disputa pela prefeitura de Catalão.

2

Há quem diga na Casa, porém, que a aprovação da antecipação da eleição para outubro teve outro caráter: deixar pavimentada a possibilidade de reeleição de Jardel. Isso porque os deputados mais próximos a ele já tinham pesquisas qualitativas que indicavam que vencer em Catalão não seria fácil. Repito: é o que se ouve em algumas rodas na Casa.

3

Se perder mesmo a eleição em Catalão, é natural que Jardel queira a reeleição. Terá pela frente uma articulação difícil. Primeiro, o PMDB não está mais tão fechado assim com ele, e ficará menos se confirmada a reeleição de Iris Rezende em Goiânia e de Maguito Vilela em Aparecida de Goiânia. Neste caso, surge um nome com chance real de entrar na disputa com chance: Ozair José.

4

Ozair é do partido do governador Alcides Rodrigues (PP) e coordenador da campanha de Maguito. Alcides, na eleição passada, ficou quieto, deixou o senador Marconi Perillo (PSDB) livre para jogar pesado a favor de Jardel. Marconi amarrou apoio para Jardel inclusive no PMDB. O governador vai entrar no jogo agora? É o que quer o PP.

5

Não quer dizer que será fácil também para Ozair unir o PMDB e parte da base pouco unida em torno de seu nome. Caso reeleito, como Iris se comportará em relação ao PP, que é seu adversário hoje em Goiânia? E Alcides, está mesmo disposto a investir na reunificação da base em torno de Marconi, ou vai manter a atual estratégia, que sinaliza para até uma possível aproximação do PP com o PMDB. Ozair será mais beneficiado se essa sinalização for feita. E, se ela for feita, indicará outra coisa: PP e PSDB mais distantes.

6

Para colocar mais lenha nessa fogueira, e ainda considerando-se a possibilidade de derrota de Jardel, será razoável imaginar que o prefeito de Catalão, Adib Elias, que é também presidente estadual do PMDB, centrará fogo imediatamente na disputa na Assembléia, onde está sua mulher, Adriete Elias. Por uma razão pragmática: derrotar pela segunda vez Jardel. Bom para Ozair? Pode ser.

7

Bem, mas isso partindo-se do possibilidade de derrota de Jardel em Catalão. Mas, e se ele vencer? Aí Helder Valin, com Mizael Oliveira (PDT) e outros à frente, passa à condição de favorito. Porque vem construindo isso, mantendo principalmente um bom relacionamento com o governador. Afinal, é o líder do governo.

8

Como se vê, em tudo, de outubro em diante, estará embutida a grande questão política para as disputas futuras em Goiás: quem ficará com quem e contra quem? Até agora, as alianças obedeciam interesses localizados, pontuais. O discurso era: eleição municipal é uma coisa, eleição estadual é outra. Daí em diante, mais do que nunca, os interesse em jogo estarão convergindo inevitavelmente para a disputa pelo governo. Toda e qualquer mexida no jogo será decisiva. Será uma pedra jogada no lago para reverberar lá na frente.

9

Mas somemos lé com cré na política goiana hoje só pra ver no que dá - por enquanto!

O PT fechou com o PMDB em 2008 e, permanecendo junto em 2010, ficará consolidada aí uma já posta Nova Ordem Política no Estado. Principalmente se lhe 'sobrar' a prefeitura de Goiânia, com a saída de Iris no início de 2010 para disputar o governo ou o Senado.

Essa Nova Odem (para muitos, Novo Eixo) pode juntar PT, PMDB e o PR do deputado federal Sandro Mabel, como já se escreveu aqui.

Juntaria o PP também? Eis a questão. Caso o objetivo de Lula, que é o de derrotar Marconi, prevaleça, isso não será impossível. A saber: para salvar a Celg e receber outras ajudas federais, Alcides aceitará alinhar-se a uma frente anti-Marconi?

No DEM, tem-se de um lado o senador Demóstenes Torres, que só não topa participar de uma chapa com o PMDB à frente, e de outro o deputado federal Ronaldo Caiado, que tudo que quer é, como Lula, derrotar Marconi.

E o PTB? Bem, Jovair Arantes não é de perder eleição.

10

Em dito isso, atentemos: nos últimos dias, Marconi Perillo deflagou estratégia para buscar a recuperação de terreno entre velhos companheiros.

Ele está em campo no interior, enquanto na capital seus arautos louvam a união, lustram o 'temponovismo' no noticiário e pregam, entre outras coisas, que não há sobrevivência política para o PP e Alcides fora dos braços e laços marconistas.

Por que?

Seria uma reação à Nova Ordem, ou Novo Eixo?

Nem ele nem seus seguidores admitem isso. Ao contrário. Desqualificam a idéia de Nova Ordem, ou Novo Eixo, como forma de sustentar que ele é a ordem natural das coisas, e que tudo converge para ele.

Politicamente, Marconi age com inteligência: para vencer, ele precisa de soldados... às suas ordens. É hora, portanto, de convergência para o seu lado.

11

Quer dizer: a eleição na Assembléia tem tudo para apontar de saída (das eleições municipais, e independente do resultado em Catalão) como ficará o tabuleiro em 2010.

12

Só para colocar mais molho.

Uma lembrancinha: na eleição para a presidência da Assembléia de 2004, Henrique Meirelles teria ajudado um grupo de deputados, ajuda que resultou na eleição de Samuel Almeida (PSDB) e na derrota política de Marconi Perillo, que teve de engolir Samuel. Em 2006, Marconi jogou duro e venceu uma eleição em que Meirelles e o então recém-reeleito governador Alcides Rodrigues ficaram quietos e Iris, da trincheira da prefeitura, saiu derrotado, uma vez que não conseguiu segurar os deputados peemedebistas com Samuel (que tentava a reeleição).

E uma perguntinha, que tem tudo a ver com tudo: Meirelles, Iris e Alcides vão fazer o quê, desta vez? Ordem unida?

Pois é: olho neles!

(Publicado na Tribuna do Planalto em 14.9.2008)

Postado por Vassil Oliveira em 13/09/08 às 01:04.
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06/09/08 - Sábado
Iris está em 2010; seus adversários, em 1998

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A nova rodada da pesquisa Tribuna do Planalto/Rádio 730 - Grupom mais indica uma acomodação na intenção de voto do eleitor do que aponta uma mudança.

A queda de 5 pontos do prefeito de Goiânia, Iris Rezende, é pouco para configurar alteração real no curso da eleição ou para se imaginar que haverá tempo para um segundo turno, ou que, caso haja este segundo turno, a sua liderança se perca. Na eleição passada, houve segundo turno, e ele segurou o resultado.

Porque, em contra-partida, ele cresceu 19 pontos na espontânea (indicação de consolidação de voto), a sua rejeição caiu e os votos válidos (os que contam na apresentação do resultado eleitoral) tiveram variação dentro da margem de erro.

E mais: ninguém cresceu verdadeiramente. As variações positivas de Sandes Júnior (PP) e de Gilvane Felipe (PPS) também ficam nos limites da margem de erro.

Nesta altura da campanha, com números assim, repetidos em pesquisas diversas, mesmo quem não admitia que Iris mudou, já advoga a tese com a autoridade de quem acaba de descobrir a roda.

Porém, mais do que Iris ter mudado, a constatação óbvia que se cristaliza é outra: o tempo novo, o tempo velho, o novo tempo, enfim, o tempo passou e os adversários dele não mudaram.

O discurso é o mesmo, embora o momento seja outro e o próprio Iris não seja mais o mesmo. Daí que Iris perde uns pontos aqui, ganha outros ali, e até agora...

Não adianta mais chamá-lo de coronel, dizer que é demagogo, que ele e o PMDB quebraram a Caixego, que ele é atraso... Que ele não sabe o que é planejamento, que ele faz política por intuição, que ele... Isso não cola mais contra ele.

E quem atesta isso é quem menos se culpa, se é que culpa há, nesta hora: o eleitor goianiense (e goiano, a se confirmarem os reflexos de sua boa fase em municípios como Trindade e Aparecida, por exemplo).

Sem um novo discurso, a oposição a Iris vai continuar patinando. Talvez esta seja a maior lição para as eleições de 2010: é preciso urgentemente esquecer 1998 - ou, antes que algum purista leia isto como uma recomendação para que se negue aquele ano, é preciso deixar 1998 onde deve ficar: na História.

A memória de 1998 distrai os adversários de Iris, porque não os deixam olhar para o presente considerando a força do prefeito hoje, a possibilidade dele ser o candidato a governador ou influenciar na escolha do nome do PMDB, e a inevitabilidade de que ele ainda é uma das referências no tabuleiro político goiano.

Dizer que ele está velho, não sai do ramerrão do "intindimento" no discurso, e considerar que ele é ditador não o faz mais fraco.

É preciso dar a Iris o que é de Iris. O PMDB, sem ele, não existe, mas enquanto ele existir, o PMDB, com ele, é uma das duas maiores forças políticas do Estado. Ou seja: o futuro político de Goiás gira em torno dele, para o bem ou, se quiserem, para o mal.

E é fato que Iris tem crescido em função de seus acertos, de sua adaptação a estes tempos, porém muito mais concreto é afirmar que ele tem ganhado terreno justamente em razão da falta de rumo de seus adversários.

Não há, hoje, contraponto político competente contra Iris. Ele está jogando sozinho o xadrez político no Estado.

Na campanha em Goiânia, todos centram fogo em Iris com os mesmos jargões, que soam como ladainha. Não que estejam errados, ou que não devam fazer isso.

Cada um dos outros três candidatos tem suas razões e suas motivações para centrar fogo no prefeito. A questão é que, no ambiente em que estamos, o que dizem cai no vazio.

E, convenhamos, isso não é culpa da imprensa. A imprensa goiano tem seus pecados, mas está longe de ter o poder de definir o destino político do Estado. É o que a história mostra.

O jogo em curso é político. Portanto, os políticos adversários de Iris é que o estão perdendo para ele. E, no ritmo que a coisa vai, vão continuar perdendo. A menos que também mudem. Façam a sua parte, em vez de ficar esperando que Deus dê jeito no que, por seu arbítrio, não conseguem.

***

Confira a pesquisa clicando AQUI (uma parte, no blog), AQUI (na Tribuna, com gráficos) ou AQUI (na Rádio 730).

Postado por Vassil Oliveira em 06/09/08 às 08:40.
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06/09/08 - Sábado
Grupom dá Iris com 65,3%

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Está na Tribuna do Planalto de hoje:

Iris mantém frente ampla

Anapaula Hoekveld

Se as eleições municipais fossem hoje, o prefeito Iris Rezende (PMDB) seria reeleito com folga no primeiro turno. O peemedebista aparece com 52,1 pontos porcentuais à frente do segundo colocado, deputado Sandes Júnior (PP). A constatação é da pesquisa Tribuna do Planalto/Rádio 730/Grupom realizada no período de 1º a 3 deste mês. Foram entrevistados 476 eleitores goianienses e a margem de erro do levantamento é de 4,49 pontos porcentuais para mais ou para menos.

Candidato da coligação "Goiânia em Primeiro Lugar", o prefeito se aproxima a cada dia de sua reeleição. Considerado o melhor candidato para assumir o comando do Paço Municipal nos próximos quatro anos, por 65,3% dos eleitores da Capital, o peemedebista é o mais citado na pesquisa espontânea e o menos rejeitado entre os candidatos. Na estimulada, Sandes aparece com 13,2% da preferência do eleitorado e Martiniano Cavalcante (Psol) e Gilvane Felipe (PPS) não atingem juntos 5 pontos porcentuais.

O que se percebe é que o prestígio do prefeito continua em alta, o que torna o quadro extremamente difícil para a oposição. A um mês do pleito, o desafio dos oponentes de Iris é, no mínimo, complicado: mesmo que os três postulantes da oposição se unissem, não haveria segundo turno em Goiânia se o pleito fosse antecipado.

E, além disso, não há uma fórmula mágica de como reverter tamanho favoritismo em tão pouco tempo. O que parece, ao analisar os dados e a evolução dos números, é que só fazendo mágica a oposição conseguiria reverter esse quadro e provocar uma reviravolta no cenário político da Capital.

Consolidação

Em comparação com os números da pesquisa Tribuna do Planalto/Rádio 730/Grupom realizada em julho, os índices de intenção de votos atingidos pelo prefeito diminuíram. Há dois meses, o prefeito foi apontado como o melhor candidato por mais de 70% e tinha uma vantagem de 58,4 pontos porcentuais em relação a Sandes. Apesar dessa queda, é preciso ponderar ao analisar os dados.

Na pesquisa estimulada o pesquisador apresenta uma lista com os nomes dos candidatos e o eleitor aponta um, ou nenhum, dos nomes apresentados. Sem dúvida, a entrevista é válida para mostrar a intenção de votos do eleitor. Mas, essa pesquisa não indica a consolidação do voto. O levantamento mais eficaz para saber se o eleitor já definiu em quem vai votar é a pesquisa espontânea.

Por meio da pesquisa espontânea é possível medir o quanto o nome do candidato foi difundido e assimilado pela população. Ou seja, entre escolher um nome em uma lista e lembrar de um candidato espontaneamente, sem dúvida, a citação espontânea demonstra melhor o cenário real de definição do eleitorado. E, levando isso em consideração, tem-se ainda um cenário muito favorável ao prefeito.

A diferença entre Iris e Sandes não diminuiu apenas porque os números do prefeito sofreram uma queda, mas porque o pepista também apresentou uma melhora, sensível, mas melhora. Sandes aparecia na pesquisa de julho com pouco mais de 12% e agora tem pouco mais de 13%. Nada muito animador, já que os votos do peemedebista não migraram para o candidato da base estadual. Apesar disso, Sandes segue isolado na segunda colocação com boa margem em relação aos demais concorrentes.

Gilvane Felipe, que encabeça a coligação "Goiânia em Movimento", também apresentou avanço nesta nova pesquisa: o candidato do PPS superou Martiniano Cavalcante, do Psol, e aparece em terceiro na estimulada. Esse crescimento nos índices de intenção de voto deve-se, sobretudo, à propaganda eleitoral no rádio e na televisão, que deu visibilidade à campanha de Gilvane. Como nunca passou pelo teste das urnas, o postulante do PPS era desconhecido do eleitorado goianiense e, também, por conta disso era o mais rejeitado.

Mesmo com essa inversão, Martiniano e Gilvane continuam tecnicamente empatados, considerando-se a margem de erro do levantamento que é de 4,99 pontos porcentuais para mais o para menos. Na preferência do eleitor, a diferença entre os dois é de 1 ponto porcentual.

O levantamento realizado pela Tribuna em parceria com a Rádio 730 e o Grupom traz também os índices de desempenho dos candidatos com base nos votos válidos - sem levar em conta votos brancos, nulos e abstenções. De acordo com a pesquisa, o prefeito Iris Rezende tem hoje 79,5% de intenção de votos. Segundo a lei eleitoral, para que um candidato seja eleito sem a necessidade de realização do segundo turno é necessário obter 50% mais um voto dos válidos. Logo o peemedebista tem uma margem de aproximadamente 29% para ser reeleito no primeiro turno.

Isso significa que os três candidatos que disputam a sucessão de Iris terão de trabalhar pesado para fazer com que ele perca 29 pontos porcentuais e forçar assim, um segundo turno. A soma dos votos válidos de Sandes, Martiniano e Gilvane é de 20,4 pontos porcentuais, segundo a pesquisa feita pela Tribuna no início deste mês.

Iris é o menos rejeitado

(...) menos de 10% dos entrevistados disseram que não votariam no prefeito de jeito nenhum. (...)

Na outra ponta, estão os três postulantes de oposição: Martiniano Cavalcante (Psol), Gilvane Felipe (PP) e Sandes Júnior (PP). O candidato do Psol lidera a lista negativa, porém, considerando a margem de erro, o que se tem é um empate técnico. Os três candidatos têm índice de rejeição superior a 20%. Porém, é importante ressaltar que quase a metade dos eleitores não rejeitam ninguém. Ou seja, há uma margem boa para trabalhar já que, teoricamente, essa parcela do eleitorado está disposta a votar em qualquer um dos postulantes.

Apesar desse consolo, a baixa rejeição do prefeito é sintomática. Isso demonstra que não há desgastes nesta administração, o que reforça o favoritismo do peemedebista. Afinal esse cenário também é muito positivo ao prefeito quando se faz uma comparação entre o grau de rejeição atingida pelos três candidatos de oposição e o nível de rejeição atingido pelo prefeito Iris Rezende. Os índices dos três postulantes são mais de duas vezes maior que a pontuação do peemedebista. Esses dados mostram que a popularidade do prefeito está em alta e permanece inabalada.

***

Para conferir toda a pesquisa, clique AQUI.

Postado por Vassil Oliveira em 06/09/08 às 08:37.
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03/08/08 - Domingo
Rigor não coíbe abuso de poder econômico

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Abaixo, trecho de reportagem de Anapaula Hoekveld na Tribuna do Planalto desta semana:

A rigidez da legislação eleitoral tem sido tema recorrente nesse período de campanha. As limitações impostas pela justiça têm gerado constantes debates sobre o que pode e o que não pode ser feito nesses meses que antecedem o pleito municipal. As discussões muitas vezes causam polêmica e demonstram o quanto todos estão confusos com as regras impostas pela legislação. Os candidatos estão com medo de fazer campanha e a população ainda nem se deu conta de que a campanha já começou: alguns panfletos já podem ser vistos pelas ruas da cidade, mas até mesmo a panfletagem chegou a ser proibida em Goiânia.

Um termo de ajustamento de conduta chegou a ser firmado pelo Ministério Público (MP) em parceria com o governo do Estado de Goiás e órgãos da Prefeitura de Goiânia. De acordo com o documento, ficaria vetada a entrega de panfletos em semáforos e lombadas eletrônicas. A justificativa utilizada era a de que a distribuição da propaganda violaria o Código de Trânsito Brasileiro.

No entanto, a juíza Ilma Vitória Rocha do Tribunal Regional Eleitoral (TER) de Goiás concedeu liminar a favor de um mandado de segurança impetrado pelo candidato do PSOL à Prefeitura de Goiânia, Martiniano Cavalcante. De acordo com o postulante, a proibição prejudicaria muito os candidatos que tem menos recursos para a campanha, uma vez que os 'santinhos' são o material de divulgação mais barato no mercado. Segundo ele, "a liberação da panfletagem foi uma vitória para o PSOL, já que os recursos do partido são limitados".

Martiniano Cavalcante pretende gastar cerca de R$2 milhões na campanha. O candidato foi o que declarou possuir menos recursos na campanha e, por isso, seria, na opinião dele, o mais prejudicado pela proibição da panfletagem.

Distorção

Esse é só um exemplo dos efeitos colaterais causados por algumas restrições impostas da Justiça Eleitoral. Ninguém duvida que a intenção da legislação seja positiva: tanto cientistas políticos quanto juristas defendem que a justiça está buscando meios de tratar os candidatos de forma igualitária e, assim, democrática. Porém, eles concordam que, na tentativa de fazer o bem, algumas regras acabam gerando distorções ainda maiores das já existentes.

Para ler mais, clique AQUI.

Postado por Vassil Oliveira em 03/08/08 às 22:23.
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03/08/08 - Domingo
Aparecida de Goiânia em debate e pesquisa

postado na categoria Geral

Até parece que o clima não é de guerra!

Ele estava lá!

O fotógrafo Leo Iran acompanhou o debate promovido pelo DMTV, do Diário da Manhã, com os candidatos a prefeito de Aparecida de Goiânia: Maguito Vilela (PMDB), Marlúcio Pereira (PTB) e Hélio Moreira (PSOL).

Na foto, Maguito e Marlúcio se cumprimentam à frente de Hélio.

No sábado, nova rodada da pesquisa Tribuna do Planalto/Rádio 730/Grupom foi divulgada.

Maguito está disparado na frente: 71,1% a 17,2% (para o petebista).

Para ver a pesquisa, clique AQUI.

Para ver o debate, entre na página do Dário da Manhã: www.dm.com.br.

Postado por Vassil Oliveira em 03/08/08 às 17:50.
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27/07/08 - Domingo
‘Todo mundo’ acha que Iris já ganhou. Melhor pra ele

postado na categoria Análise

Iris Rezende (PMDB) lidera com tranqüilidade, mas age com insistente intranqüilidade. Venceria com facilidade, tem consciência disso, porém sabe que não pode dar espaço para o azar, e não dá. Eis uma das explicações para ele estar tão à frente.

Outra é que continua sendo muito ajudado pelos apoiadores do principal adversário, Sandes Júnior, que é do partido do governador, o PP, e representa a única aliança capaz de vencer o PMDB nos últimos anos. Também entre esses apoiadores Iris lidera com larga vantagem, no quesito 'quem você acha que vai ganhar'.

Sandes Júnior espera um milagre. Não dá para acreditar em outra coisa. Iris faz campanha desde janeiro de 2004. Sandes, mesmo definido candidato no final de junho, nada fez, nada faz. Semana passada, a Tribuna tentou agendar com sua assessoria um momento em que pudesse acompanhá-lo na busca do voto diretamente com o eleitor. Impossível. Ele não fez campanha.

Provavelmente o milagre esperado pelo pepista seja o programa eleitoral. Serão 11 minutos à sua disposição. Uma beleza! Será? Para dizer o quê? Que vai fazer metrô? O problema de Sandes não é nem falta de entusiasmo de seus apoiadores, algo gritante, e sim ele mesmo. Sandes, como político, não vai além do locutor de rádio.

No debate da Rádio 730, no início da semana passada, ele foi seguro em alguns momentos, concatenado como não costuma ser, mas... Mas errou o nome de seu vice, chamou Gilvane Felipe, o candidato do PPS, de "Jovane", e não escondeu o nervosismo, escancarado na agitação e na dispersão. Até o que ele tem de mais forte, que é o dom comunicação, fica prejudicado pela falta de mensagem a ser comunicada. Questão de conteúdo.

Sandes não passa credibilidade para sua equipe, não passa para seus apoiadores, como vai
passar para o eleitor?

Os outros nomes na disputa, Gilvane e Martiniano Cavalcante (PSOL), não despontam como adversários capazes de reverter o favoritismo de Iris. Gilvane, no debate, ao mesmo tempo que revelou-se um aluno aplicado, que estudou bem o tema, enrolou-se na própria língua, ansioso demais para ser espirituoso o bastante para conquistar o ouvinte, e não saiu do lugar.

Ele tem outro problema: sua imagem não se descola do abecedário tucano (ele não nega o cordão umbilical, e quanto menos o nega, mais se nega como diferencial), e isso subtrai sua personalidade política.

Martiniano é unaninemente visto como um candidato com conteúdo, capaz de sustentar um debate no campo das idéias, das propostas. Porém é igualmente unânime a avaliação de que não ganha. Pré-conceito? Sim, claro. Em todo caso, é fato que este é talvez o seu maior adversário.

Apenas mostrar-se convicto da possibilidade de vencer não o faz vencedor. Eis o desafio para sua campanha: afirmar-se não apenas como referencial e diferencial de conteúdo, mas como alternativa com chance real de vitória. Uma luta entre a teoria e a crua realidade da política. Até agora, a cruel realidade leva vantagem.

Iris leva vantagem nas intenções de voto, na avaliação de sua administração e no imaginário. Enquanto perdurar a crença geral de que ele já ganhou, de fato ele já ganhou.

(Análise sobre a pesquisa Tribuna do Planalto/Rádio 730/Grupom publicada esta semana na Tribuna e divulgada na 730.)

Obs.: na sexta-feira, o Diário da Manhã também publicou pesquisa sobre a eleição em Goiânia. Para conferir, clique AQUI.

Postado por Vassil Oliveira em 27/07/08 às 18:03.
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05/07/08 - Sábado
Política sem limites

postado na categoria Geral

A nova ordem política de Goiás está nascendo do caos. Porque é caótico o ambiente de disputas em Goiás. Não há limites para as alianças, não há arranjos impossíveis, não há sequer um mínimo de constrangimento em discurso e prática se provarem incompatíveis, inconciliáveis, inexplicáveis. Tudo se ajeita. Justiça seja feita, chegamos ao ponto exato pregado pelos políticos que há tempos, novos e velhos, vêm anunciando que não há inimigos que não possam ser amigos, nem resistências históricas que não possam ser superadas. Ideologia? Bobagem. A teoria que vale é a prática dos interesses. Resultado é isso. Este é o mundo.

E coitada da democracia. É citada para justificar o injustificável. Arma para a demagogia dos incultos, porém pragmáticos, que esticam seu conceito a ponto de torcê-lo, para adaptar virtudes dela aos fins deles, sem meio-termos. Assim é que, em vez de pressuposto e condição para a edificação de políticos e governos sustentados e guiados pela moral, respeito, coerência e responsabilidade pública, ela é desculpa para a balbúrdia e a desfaçatez.

Vejam o que acontece em Goiás com os chamados grandes partidos. Antes, bem ou mal, tinham cara e coração. Hoje, têm cara intenção, e ambição batendo mais forte. A quantidade de intervenções dessas legendas em municípios, para ajeitar alianças, supera inclusive a expectativa que comomuente se tem em relação aos pequenos: a de serem venais. Pois os venais da vez são os grandes, não os pequenos.

Assim é que líderes de PSDB e PMDB acomodam a ferro e fogo seus interesses em municípios diversos como Luziânia e Rio Verde, ainda que mantendo viva a verve que os faz velhos adversários de guerra. Quer dizer: da boca pra fora são inimigos, mas... E o PP do governador Alcides Rodrigues, que acena com amor para a base, no entanto nega em Pirenópolis, berço do senador Marconi Perillo (PSDB), apoio do partido ao candidato marconista?

Em Goiânia, o jogo armado é o do engodo. Uma base de partidos se diz aliada, mas nos bastidores quebra o pau, isso mesmo, porque só uma expressão chula para dar a exata medida da hipocrisia que se vê. Sandes Júnior (PP) não deixou de ser, apenar de PP, PSDB e PTB estarem juntos, o candidato para perder. Porque ao PP não importa ganhar de Iris, importa não deixar o PSDB ganhar, o que até já conseguiu; como ao PSDB, nesta altura dos fatos, importa menos perder para o PMDB do que deixar o PP sozinho para depois sustentar o discurso de que foi ele, o PP, e não o PSDB, que perdeu. Estão entendendo?

Todos se julgam com razões de sobra para tudo. O que explica, mas não justifica. Por acreditar que só ele o elegeu, Marconi se sente traído por Alcides, que por sua vez sempre se sentiu traído por Marconi, quando era vice-governador e pouco ou quase nenhum espaço tinha na administração. Pepistas e marconistas não se toleram, porque hipocritamente não se misturam. Assim, tudo acontece. Assim, Iris age como animal político que nunca escondeu ser, jogando xadrez em terra de damas, vencendo mesmo sem dar xeque-mate.

Está errado Marconi? E Alcides? E Iris? E Ronaldo Caiado, Lúcia Vânia, Paulo Roberto Cunha, Jovair Arantes, Maguito Vilela, Ademir Menezes, não estão certos? A nova ordem de forças no Estado nasce daí, dos desencontros, reencontros e novos laços estabelecidos. Não há lógica. Só depois das eleições de outubro é que começaremos a enxergar como ficará o novo jogo de forças: quem são os aliados e quem são os inimigos reais nessa história.

A verdade é que ninguém sabe exatamente o que está fazendo. Faz para ver como é que fica. PSDB e PMDB juntos agora? Mas, e em 2010? Bem, depois se vê. Eis o eixo das ações. Não pode é perder. Para ganhar, vale tudo.

Esperto X Esperto (ao quadrado)
Livre pensar é só pensar? Então vamos lá.

Alcides aproxima o PSDB, de Iris

No aspecto das razões difusas - cada um tem a sua -, dá até para entender que o PP joga pesado para derrotar e apequenar o PSDB. Mas, do jeito que está fazendo, não será surpresa se acabar empurrando Marconi Perillo e os tucanos para os braços de Iris Rezende.

Encurralado, o PSDB está abrindo espaço no partido para alianças com peemedebistas em municípios estratégicos para as disputas estaduais no Estado. Assim, se por essas razões, outras, que a própria razão desconhece, Marconi resolver se aliar a Iris só para não ser o derrotado de 2010, que fará o PP?

A estratégia pepista de esmagamento dos tucanos esbarra em um ponto: não ata nem desata. No fundo, estão todos subestimando Marconi. E Iris.

PP põe PSDB no seu devido lugar

Mas, convenhamos...

Desde que Marconi Perillo assumiu o governo pela primeira vez, em janeiro de 99, o PSDB é majoritário no poder. Nas contas de pepistas, o partido chegou a ter cerca de 90% dos cargos mais importantes do governo estadual. Sendo assim, é natural que qualquer mexida na administração mexa exatamente em cargos e/ou interesses tucanos. No equilíbrio de espaço ideal, quando caberia ao partido?

Esse equilíbrio de espaços no governo é cobrado por Roberto Balestra, Ronaldo Caiado, Lúcia Vânia, Paulo Roberto Cunha e tantos outros políticos aliados há anos. E por Alcides também. Agora, o que ocorre é isto: um equilíbrio maior das forças aliadas no poder. Neste caso, o PSDB age como se tudo acontecesse contra o partido; não considera que a leitura pode ser outra: ele é que sempre agiu contra os outros.

Nesse sentido, não há que ser descartada a possibilidade de o PP jogar o PSDB no colo de Iris; apenas há que ser considerado também que o PSDB, agindo como está, ou cava seu isolamento, ou busca, mas de caso pensado, os braços do velho ninho peemedebista. Sendo isto, fico pensando: e se Iris estiver de braços abertos não como pai à vista do filho pródigo, e sim como um velho e matreiro tamanduá?

Iris é Iris. E, por ora, está com tudo.

(Publicado na Tribuna do Planalto de 5.7.2008)

Mais sobre a nova ordem política em Goiás, em textos publicados aqui:

Postado por Vassil Oliveira em 05/07/08 às 12:36.
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22/06/08 - Domingo
Alcides e Caiado desatam nó de Marconi

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Foi uma semana de muita costura política. No final das contas, o nó que o senador Marconi Perillo (PSDB) deu no governador Alcides Rodrigues (PP) e no prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB) (para ler, clique AQUI -  Marconi dá nó em Alcides e Iris e AQUI - Nó desfeito), foi desatado, com o senador Demóstenes Torres (DEM) desistindo de sair candidato este ano na capital. O palco dos acontecimento foi primordialmente Brasília, onde também foi arquitetado o nó marconista. No fim das contas, Demóstenes não deixou de ser candidato porque perdeu o apoio do PSDB e do PTB. O PSDB é que ficou sem o seu candidato - Demóstenes - e sem o... bem, sem o entusiaaasssmo inicial do PTB. Razões que a própria razão política conhece.

No caso petebista, a pressão de dois governos contou muito. Governo é governo - principalmente para o PTB goiano. No que se refere propriamente a Demóstenes, falou mais alto a articulação não contra ele, mas contra o projeto de casar desde já, com olhos para a sucessão estadual de 2010, o DEM ao PSDB, mais precisamente a Marconi Perillo. Demóstenes nada perderia com a candidatura, mesmo se perdesse, porque a eleição é perdida por antecipação na avaliação de seus próprios aliados. Corria o risco de ganhar, e aí... E ganharia de saída, ele que está de olho na reeleição no Senado, a reaproximação com o grupo marconista, que vê como mais forte para 2010.

Mas Demóstenes dá mostras de que já é gato escaldado. Correr o risco de ficar apenas com o PSDB na disputa? Sem estrutura financeira garantida? Sem estrutura de um governo para tocar a campanha? Não seria uma decisão das mais inteligentes. Fora o desagrada aos alcidistas por acreditarem ter aceitado inicialmente o jogo marconista. Ganha com a articulação o deputado federal Ronaldo Caiado, presidente democrata, e ganha principalmente o governador Alcides Rodrigues. De quebra, ganha Iris.

Pode-se dizer, no entanto, que Iris ganha sem ter vencido, ou seja, sem ter entrado na queda-de-braço. Tem a comemorar porque não terá pela frente o que as pesquisas de intenção de voto mostraram ser o melhor nome aliado para enfrentá-lo. Natural. Caiado e Alcides, não. Estes trabalharam muito nos bastidores nos últimos dias. Reagiram ao nó. O que só deixa claro o desgaste de Marconi Perillo na base não acabou, e que a estratégia de minar suas forças não arrefeceu um cargo sequer, muito menos uma, duas, três candidaturas estratégicas - em Goiânia, Aparecida e Anápolis (nestas duas últimas, o nó ainda não foi desfeito totalmente, mas...).

Não dá outra. A eleição acontece não é na superfície, entre velhos inimigos, históricos adversários, ferrenhos antagonistas. Ela se dá internamente. A disputa que importa, vale repetir, está dentro da base aliada. Para ver quem resiste até 2010, e com que armada. O capítulo da semana passada foi só mais um. Outros virão. E as vitórias acontecerão muitas vezes como soem acontecer nas melhores, ou piores, escaramuças: nos erros alheios. Guerra é guerra.

***

O maior adversário da tal base

O discurso da unidade na chamada base aliada do governo é inócuo. E inútil. Assim como insistir na existência de um 'tempo novo'. 'Tempo novo' rima como Marconi Perillo, e só. Unidade não existe faz tempo. O que há é um governo para ser, mas que não é, dividido por um monte de partidos insatisfeitos. Falar que Sandes Júnior (PP) vai unir os aliados soa como falácia. Ironia, melhor dizendo.

Em 1998, a união fez a força porque de fato existia uma força política majoritária - o PMDB - e uma quantidade razoável de partidos adversários. Unidos, eles venceram, conquistando o governo estadual, como tinham vencido com Nion Albernaz dois anos antes, em Goiânia. O 'tempo novo', ainda que personificado por Marconi, resistia para os outros como uma palavra de ordem. Mas isso é passado. E eleição não se ganha com olhos fixos no passado.

Quanto mais a palavra unidade é pronunciada, mais se beneficia Iris, porque, em vez do discurso mostrar força, aponta a fragilidade de seus adversários, porque não se materializa. Fé cega não salva: cega.

***

Por que Sandes é o candidato?

Quatro alternativas para você marcar: a) porque os alcidistas têm pesquisas mostrando que a candidatura de Iris Rezende tem muitas vulnerabilidades, portanto, não é difícil batê-lo; b) porque os alcidistas acreditam que ele é, sim, o melhor nome, e que está maduro para vencer; c) porque é o melhor candidato, é verdade, mas para perder - e não é o que o governador Alcides Rodrigues quer?; d) porque, se perder, perdeu - foi Sandes.

***

Marlúcio, gênio do mal

Os marqueteiros do candidato do PTB à Prefeitura de Aparecida Goiânia, Marlúcio Pereira, fazem tanta questão de propagar que eleição no município é barra pesada e o seu grupo é especialista na estratégia de trucidar o adversário e não apenas vencê-lo, que é inevitável a constatação: Marlúcio está se transformando no candidato do mal. Marlúcio é, por definição deles, a personificação mal, capaz de tudo para vencer.

(Publicado na Tribuna do Planalto de 22.6.2008)

Postado por Vassil Oliveira em 22/06/08 às 20:54.
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22/06/08 - Domingo
Com ajuda de PTB e PR, Alcides tira Demóstenes

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Eduardo Sartorato, na Tribuna do Planalto desta semana:

Até o início da semana passada, a candidatura do senador Demóstenes Torres (DEM) a prefeito de Goiânia era quase certa. Com o incentivo cada vez maior do senador Marconi Perillo (PSDB), Demóstenes comemorava o apoio 'amarrado' de PTB e PR. Com os quatro partidos em sua chapa, o senador do DEM estava prestes a viabilizar o seu nome para a disputa. Na quarta-feira, 18, porém, Demóstenes anunciou que não entraria no processo. Uma articulação em Brasília, via Palácio das Esmeraldas, levou o PTB e o PR para o lado do deputado federal Sandes Júnior (PP), inviabilizando qualquer postulação do senador.

Aliados do governo do presidente Lula, o PTB, do deputado Jovair Arantes, e o PR, do deputado Sandro Mabel, foram pressionados a não apoiar uma chapa que se desenhava anti-Lula, em Goiânia. Vale lembrar que os dois partidos possuem cargos no governo federal e os deputados têm grande influência na base governista do presidente no Congresso Nacional. Se apoiassem uma chapa encabeçada por Demóstenes e com o senador Marconi Perillo fiador da aliança, dariam energia aos dois partidos que mais se opõem a Lula hoje.

No entanto, o jogo político não esteve limitado ao governo federal. O Palácio das Esmeraldas e os articuladores do governo Lula em Goiás, também aliados do governador Alcides Rodrigues (PP), estiveram na linha de frente para frustrar os planos de Marconi. Como apoiar uma candidatura de Demóstenes em Goiânia já seria uma ação do senador tucano de olho em 2010, o governador e seus aliados também usaram as suas armas para fortalecer as suas posições para as próximas eleições estaduais. Garantindo chapa única do deputado Sandes Júnior (PP) na base governista, Alcides joga em favor da aliança entre os partidos do governo Lula em Goiás para 2010. 

Para ler mais, clique AQUI.

Postado por Vassil Oliveira em 22/06/08 às 19:56.
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14/06/08 - Sábado
Marconi dá nó em Alcides e Iris

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O senador Marconi Perillo (PSDB) volta a dar as cartas nos rumos políticos do Estado. Até há pouco escanteado e apontado como rês a caminho do abate político, bastou uma semana para ele armar uma virada de jogo capaz de tirá-lo da condição de bandido e transformá-lo em protagonista para boa parte de uma base aliada em pé de guerra. Hoje, Marconi está no controle da situação nos três principais colégios eleitorais do Estado: Goiânia, Anápolis e Aparecida. E faz isso debaixo do nariz do governador Alcides Rodrigues (PP) e do prefeito da Capital, Iris Rezende (PMDB), que se comportam com a autoconfiança de quem acredita que tem o controle de tudo, o que os fatos mostram que eles não têm.

A ação de Marconi em relação a Alcides é de quase nocaute político. E com ajuda do principal golpe que o governador vinha usando exatamente para colocá-lo na lona: o silêncio. Em silêncio, sem apontar rumos ou conversar claramente com aliados (os que fecham com ele, ao menos), Alcides abriu a guarda para o senador agir. E ele agiu. Em silêncio. Em silêncio, Marconi foi atrás do senador Demóstenes Torres (DEM), com quem estava rompido, e o colocou sob seu jugo, lançando-o candidato a prefeito de Goiânia com apoio garantido do PSDB e abrindo-lhe a possibilidade (em caso de derrota este ano ou não vingar a candidatura) de tentar reeleger-se ao Senado em 2010 ao seu lado, independente de Ronaldo Caiado. Mais: Marconi deu perspectiva de poder na cidade a outros partidos da chamada base aliada que estavam sem pai nem mãe, vendo o PP fazer um jogo bom para Iris.

Marconi foi atrás também do grupo do vice-governador, Ademir Menezes, e ofereceu o PSDB para vice na chapa de Marlúcio Pereira (PTB). Na tacada, agradou o petebista Jovair Arantes e Ademir, que têm reclamado de falta de estrutura e de espaço no governo, e agradou um desafeto: o deputado federal Sandro Mabel, do PR. (Sem falar que Marlúcio é muito ligado a Marcos de Almeida Castro, ex-presidente da Saneago e irmão de seu advogado, Kakai). Ademir e Mabel esperavam do governador o gesto de apoio aberto que saiu primeiro de Marconi, e aguardavam do PP deferência à aliança que ajudou a eleger Alcides, em vez de preferência pelo PMDB de Maguito Vilela, o que se dá via deputado Ozair José. Neste caso, Marconi posa ao lado dos aliados; e Alcides?

Em Anápolis, Marconi incentiva a candidatura do tucano Ridoval Chiareloto, mas, nos bastidores, indica que seu candidato é Frei Valdair (PTB) na hora certa, Ridoval será rifado, é o que se ouve, em nome da 'causa maior': sua volta ao governo em 2010. No que agrada, de novo, Jovair Arantes. Semana passada, Marconi foi mais longe na cidade: voltou a dialogar com seu principal desafeto local, o ex-prefeito Ernani de Paula (PRB), como informa o editor da Tribuna de Anápolis, Frederico Jotabê. Nada casual. Ernani já disse que quer ser deputado e sua mulher, Sandra Melon, é primeira suplente de Demóstenes, que, se eleito prefeito, terá de deixar o Senado.

Em Aparecida, Marconi é ajudado, na sua recomposição como líder do processo eleitoral, pelo PP; em Anápolis, a ajuda maior atende pelo nome de Rubens Otoni (PT). Otoni, líder das pesquisas de intenção de voto, por incrível que pareça, anunciou que não será candidato a prefeito da cidade para liderar o alinhamento de forças entre PT, PP e PMDB visando a disputa pelo governo em 2010. Logo ele, que nada fez para liderar o acordo PT-PMDB em Goiânia, ficou sem força para amarrar este ano a mesma aliança na sua cidade (o que só aconteceria com ele candidato) e que, com a desistência de disputar a prefeitura, atrapalha em cheio justo os interesses desses dois partidos, entre outros motivos porque  dá fôlego lá ao marconismo.

Quando viu que estava ficando isolado, Marconi se movimentou. Quem não se mexeu foi o governador e o prefeito de Goiânia. Alcides e Iris parecem satisfeitos com o desconforto criado para Marconi nos últimos meses: duas denúncias emplacadas em uma revista nacional (com promessa de outras, para esta semana, na IstoÉ, inclusive) e um isolamento momentâneo. Mas desconforto, para o senador, é incentivo, não é sentença de morte. As denúncias não o eliminaram, só o motivaram a mudar a estratégia. Marconi se mexe no vácuo da parcimônia de Iris e da omissão de Alcides. E mesmo que se argumente que, no caso do governador, trata-se de uma omissão estratégica para afastar do governo aliados que tanto se beneficiaram da coisa pública em sete anos de poder e que se revoltam por não poder continuar a se alimentar das tetas do Estado, a questão é que o diálogo poderia apaziguar ânimos e impedir que o afastamento resulte em rompimento. (A não ser que seja isto o desejado! É ?!) Enquanto Iris e Alcides conversam, dão pinta de que podem se aproximar, Marconi se recompõe politicamente dentro daquela que foi sua base e que parecia perdida para ele. Quem fica em xeque é o PP - e Alcides: romper ou não de vez com essa base?

Não quer dizer que o jogo de Marconi dará certo. Quer dizer que ele não está mais na defesa; está no ataque - e no contra-ataque. Quer dizer ainda que a nova configuração de forças erguida em Goiás - algo, diga-se, que não soa mais absurdo, como há alguns meses - continua tendo nele um de seus esteios, e não um estorvo. Quer dizer, por fim, que Marconi, longe de ser descarte, volta a dar as cartas. Neste caso, que fará Henrique Meirelles, que tem acenos do PTB, do PR, do DEM, e também do PMDB e do PP, para aliança? E se ele não vier a ser o salvador da pátria de peemedebistas e alcidistas? Porque não basta querer ganhar em 2010; é preciso construir as bases para a vitória. E Meirelles, ao que parece, jamais será candidato para perder.

Já que Alcides, Iris e Ronaldo Caiado não querem sua eleição, Marconi lhes dá um nó. E aí?

(Publicado também na Tribuna do Planalto de 15.62008)

Postado por Vassil Oliveira em 14/06/08 às 15:35.
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01/06/08 - Domingo
Caiado, Alcides e Lula querem eleger Marconi?

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O senador Demóstenes Torres (DEM) precisa de um grupo para tentar a reeleição em 2010 ou garantir seu futuro político, seja de que forma for. Desde que assumiu no Senado, ele vem se distanciando de todos os grupos da chamada base aliada governista, na qual se elegeu. O senador Marconi Perillo busca juntar pelo menos parte dessa base, que o elegeu em 1998 (PSDB, PPB, PTB e PP, mais o PR e outras legendas agregadas com o tempo) para armar o tabuleiro de sua possível volta ao governo em 2010. Demóstenes e Marconi, juntos, portanto, têm tudo a ver. Um completa o outro, neste momento.

Nos últimos meses, os dois passaram de inimigos figadais a camaradas fraternos. Redescobriram a amizade. Mas, como o rompimento anterior foi duro - na última eleição, em que Demóstenes era candidato ao governo em raia própria, os dois se xingaram sem dó nem piedade -, seria preciso um fato justificador para a reaproximação. É aí que entra a defesa marconista da candidatura de Demóstenes Torres à Prefeitura de Goiânia.

Ocorre que Demóstenes, justamente escaldado com o ocorrido em 2006, quando considera ter sido abandonado por Marconi à própria sorte, quer, mas diz que não quer, querendo dizer na verdade o seguinte: topo, mas quero garantias. Neste caso, a candidatura de Demóstenes sela a aliança dele com Marconi, que se mostra disposto a dar as garantias devidas, entre elas, a vaga ao seu lado de candidato ao Senado para o democrata em 2010.

Como em política ninguém é bobo e na base aliada há uma evidente divisão entre marconistas e aliados do governador Alcides Rodrigues, os alcidistas, a aliança dos senadores mostrou que ela é interessante, mas apenas para eles, os senadores. Assim é que os alcidistas consideram que Demóstenes é candidato de Marconi, não é da base aliada. E assim é que Demóstenes ganhou com o tucano, mas também perdeu com o tucano. Com meia base, com meia disposição dos aliados de entrar em sua campanha, ele topa enfrentar o favorito prefeito Iris Rezende (PMDB), candidato à reeleição?

Sem falar que essa leitura de interesse estratégico marconista em Demóstenes, para benefício tucano, é a linha de raciocínio do deputado federal Ronaldo Caiado, presidente estadual do DEM. A questão: Caiado quer ajudar a eleger Marconi Perillo governador? Aceita uma recaída marconista em troca do direito de Demóstenes disputar a Prefeitura de Goiânia?

Voltando ao PP: o partido, que está morrendo de medo de Marconi voltar ao poder em 2010 e vingar o que está 'sofrendo' hoje, quer ajudar Marconi a retomar o governo? Porque os pepistas teriam aí - na retirada de seu pré-candidato, Sandes Júnior, da disputa, com anúncio festivo de apoio garantido ao nome marconista, que viria a ser Demóstenes - uma oportunidade de se reaproximar de Marconi.

É o que querem? Porque teriam aí, neste caso, uma razão para Lula, escolhido adversário moral e ético pelo moral e ético marconismo há tempos, romper também com Alcides. Romper, sabe: colocar no ponto morto a negociação para ajudar a Celg via BNDES, os recursos do PAC e uma possível renegociação de parte da dívida goiana.

O PP, até agora de manhã, tem mostrado outra coisa: quer, como candidato ao governo, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Que tem o apoio também do presidente Lula e até a simpatia de Iris Rezende. Ah, e que tem ainda a defesa de seu nome feita, vejam só, por Ronaldo Caiado.

Voltamos à questão: Caiado, Lula, Alcides, Meirelles teriam mesmo disposição para eleger Marconi em outubro? Quer dizer: eleger Demóstenes como candidato marconista?

Demóstenes tem toda razão em pensar no seu futuro. Significa que ele está menos promotor e mais político. Sabe que político sem mandato é político morto. Ou, para citar Caiado: "Caititu fora do bando é comida de onça." Não pode é errar o lado. Esta, talvez, seja a maior prova dos nove política para ele até hoje: apesar dos pesares, ouvir Caiado ou seguir Marconi?

Barbosa Neto

Nisso tudo há o fator Barbosa Neto (PSB). Ele não desiste. E seria estimulado a sair candidato também junto com Demóstenes. Não os dois na mesma chapa. Em campo separado. Porque, avaliam muitos aliados, com o PT aliado de Iris Rezende, é preciso um terceiro nome para provocar o segundo turno. Na visão marconista, Barbosa seria o terceiro nome. O nome para levar Demóstenes ao segundo turno. Combinaram com Barbosa? Não, não combinaram.

(Publicado também na Tribuna do Planalto de 1.06.2008)

Postado por Vassil Oliveira em 01/06/08 às 11:08.
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01/06/08 - Domingo
PMDB se anima com Onaide em Anápolis

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Antes da publicação da pesquisa de intenção de voto Tribuna/Rádio 730 - Grupom, o PMDB de Anápolis aceitava ser coadjuvante de qualquer aliança, era só propor, mesmo que o proponente fosse o inimigo PSDB.
Agora, com os números mostrando que Onaide Santillo tem chances reais de se sair vitoriosa, a decisão é outra: se o candidato do PT a prefeito for o deputado federal Rubens Otoni, Onaide topa ser vice; mas, se não for ele, aí ela é candidata.

A estratégia foi amarrada semana passada, com aval do prefeito de Goiânia, Iris Rezende. Para registro: a novidade para o PMDB é ver chance de vitória onde só não queria perder feio de novo.

(Publicado também na Tribuna do Planalto de 1.06.2008)

Postado por Vassil Oliveira em 01/06/08 às 04:47.
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31/05/08 - Sábado
Aparecida & Goiânia: Iris elege Maguito, Maguito elege Iris

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A pesquisa Tribuna/Rádio 730 - Grupom publicada na edição desta semna do jornal (para acessar, clique AQUI; para ver a pesquisa no site da Rádio 730, clique AQUI) não deixa dúvida: Maguito Vilela (PMDB) só perde para ele mesmo em Aparecida de Goiânia.

Só perde para o 'já ganhou' ou para a incompetência na administração da vantagem, o que demonstrou nas duas últimas disputas para o governo. Este último reparo serve igualmente para Ozair José, que também perdeu uma eleição do tipo ganha, exatamente a que deu a José Macedo (PR) o mandato de prefeito.

A vantagem de Maguito agora é ter do outro lado da divisa, em Goiânia, o prefeito Iris Rezende, que vai à reeleição. Foi Iris o incentivador da candidatura de Maguito; é Iris, então, o avalista de Maguito. Isso implica responsabilidade para o prefeito. A principal: manter no prumo a campanha maguitista. No prumo e com recursos.

Não dá para desconectar as campanhas de Maguito e Iris. Se uma estiver ruim, a outra correrá o risco de também ir pelo mesmo caminho. Iris terá, portanto, de vencer duas vezes: em Goiânia e Aparecida.

(Publicado também na Tribuna do Planalto de 1.6.2008)

Postado por Vassil Oliveira em 31/05/08 às 14:44.
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31/05/08 - Sábado
Aparecida: Maguito lidera todos os cenários e venceria no 1º turno

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Mais pesquisa de Aparecida, por Filemon Pereira (para acessar os gráficos, clique AQUI):

Além de um cenário principal, com todos os potenciais candidatos à Prefeitura de Aparecida de Goiânia, a pesquisa Tribuna do Planalto/Rádio 730/Grupom trouxe oito possibilidades de cenários da disputa eleitoral de outubro na cidade. Nos sete quadros em que tem o nome inserido, o ex-governador Maguito Vilela (PMDB) lidera com ampla vantagem. Hoje Maguito seria eleito prefeito de Aparecida de Goiânia já no primeiro turno.

Três cenários apresentam situações mais próximas da realidade eleitoral em Aparecida de Goiânia hoje. Em um deles (cenário 5), Maguito Vilela enfrentaria o atual prefeito, José Macedo (PR), e o deputado estadual Marlúcio Pereira (PTB). Nessa hipótese, o chamado 'grupo de Aparecida' sairia dividido em duas candidaturas, com o objetivo explícito de forçar o segundo turno. Neste cenário, Maguito lidera com larga vantagem (66,7%), enquanto Marlúcio e Macedo ficam tecnicamente empatados, com o petebista numericamente à frente.

Os outros dois cenários que também podem ocorrer hoje em Aparecida é um confronto direto entre Maguito e Macedo (cenário 7) ou entre Maguito e Marlúcio (cenário 8). Na hipótese de não haver outras candidaturas, já que os dois blocos terão apoio de vários partidos, a disputa direta já se daria no primeiro turno da eleição. O desempenho de Macedo e Marlúcio frente Maguito é idêntico. O peemedebista tem significativa vantagem de 56,2 pontos sobre o prefeito e 53,5 pontos sobre o petebista.

Maguito Vilela ainda está presente em outros quatro cenários que simulam a eleição de 5 outubro em Aparecida de Goiânia. Lidera todos. O cenário 1 é o que o peemedebista tem menor desempenho. Nele, Maguito enfrentaria, hipoteticamente, o vice-governador Ademir Menezes (PR), Marlúcio Pereira e José Macedo. Esse quadro serve apenas para medir o potencial dos possíveis adversários do peemedebista - com ligeira vantagem para Ademir -, já que o vice-governador e o prefeito pertencem ao mesmo partido, o PR, e não podem disputar a eleição juntos.

O cenário 2 também cria uma situação improvável. Nele, o deputado Ozair José é concorreria contra Maguito Vilela. Isso, na hipótese improvável de rompimento entre os dois. Maguito e Ozair firmaram aliança entre o PMDB e o PP e devem permanecer juntos na disputa. Ozair, inclusive, está cotado para a vice de Maguito. O terceiro cenário apresentado pela pesquisa Tribuna do Planalto/Rádio 730/Grupom é idêntico ao quinto. A diferença é inserção do nome do médico Cairo Louzada (PPS), que tem baixa citação. Cairo, porém, também deve apoiar a candidatura de Maguito Vilela.

O cenário 6, também com Cairo Louzada, apresenta um embate entre Maguito e Ademir Menezes. Durante algum tempo foi noticiado que o vice-governador poderia enfrentar Maguito. Aos poucos, porém, essa idéia foi rechaçada pelo republicano, que prefere permanecer na vice-governadoria.

Sem Maguito

Em um único cenário, o quarto, a pesquisa apresenta como seria hoje uma disputa em Aparecida de Goiânia sem Maguito Vilela. O deputado Ozair José, aliado de Maguito, passaria à liderança, mas tecnicamente empatado com também deputado Marlúcio Pereira. Nesse cenário, o prefeito José Macedo ficaria em terceiro, 5,2 pontos atrás do petebista. O número de indecisos, se Maguito desistisse de disputar, chegaria a altos 39,1%.

Postado por Vassil Oliveira em 31/05/08 às 11:10.
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31/05/08 - Sábado
Aparecida: Maguito lidera com tranquilidade

postado na categoria Geral

O título é a manchete da Tribuna do Planalto, que traz pesquisa realizada pelo instituto Grupom, divulgada em parceria com a Rádio 730.

Para ir direto às páginas da Tribuna com a pesquisa, clique AQUI.

Tem lá também avaliação da administração do prefeito José Macedo (PR). Para dizer pouco, ele vai muito mal.

Abaixo, o texto de apresentação da pesquisa de intenção de voto, de Anapaula Hoekveld:

Quando o assunto é a sucessão municipal da prefeitura de Aparecida de Goiânia, o nome que se destaca é do ex-governador Maguito Vilela (PMDB). O peemedebista lidera com folga a pesquisa de intenção de votos Tribuna do Planalto/Rádio 730/Grupom realizada no município entre os dias 26 e 28 de maio. Para 53,2% dos eleitores entrevistados, ele é o melhor candidato para assumir o comando do segundo maior colégio eleitoral do Estado pelos próximos quatro anos.

A vantagem do ex-governador é tão expressiva que Maguito lidera a disputa na preferência de homens e mulheres, de todas as faixas etárias, níveis de escolaridade e moradores tanto do centro como da periferia de Aparecida. No entanto, dá para destacar como perfil do eleitorado do peemedebista no município, os eleitores do sexo masculino, entre 25 e 50 anos, com ensino fundamental.

O favoritismo de Maguito é reflexo também do sentimento do eleitorado aparecidense em relação ao grupo que tem administrado a cidade nos últimos 12 anos. Após mais de uma década de hegemonia, o conjunto comandado pelo vice-governador Ademir Menezes (PR), do qual fazem parte o prefeito José Macedo (PR) e o deputado estadual Marlúcio Pereira (PTB), vê seu poderio ameaçado.

Mais do que um desgaste natural sofrido pelo grupo, a candidatura do ex-senador corresponde às expectativas do eleitorado que dá mostras, até aqui, de que está na hora de promover uma mudança na cidade. Há um sentimento de alternância de poder por parte da população de Aparecida, e o ex-senador, nesse momento, representa essa mudança.

Os números demonstram isso claramente. Mesmo somados os índices de Ademir, que já declarou por diversas vezes que está fora da disputa, do prefeito Macedo e de Marlúcio, eles chegam a 27,4%, o que corresponde à metade das intenções de voto alcançadas pelo peemedebista.

Pela margem de erro da pesquisa, que é de 4,88 pontos porcentuais para mais ou para menos, todos os pré-candidatos da base estão empatados - a exceção do deputado Daniel Goiulart, que aparece com 0,5% - e não há nome forte e consistente para fazer frente ao favoritismo de Maguito Vilela nesse momento. Aliás, a atual situação do chamado grupo de Aparecida é extremamente complicada.

Até mesmo a união que existia entre as lideranças do conjunto político está em xeque: há a possibilidade de saírem dois candidatos pela base do governador Alcides. Macedo é o candidato de Ademir, mas Marlúcio quer disputar o comando da cidade e tem mais do que o apoio, a pressão do seu partido para concorrer em outubro, mesmo a revelia do grupo.

A base, aliás, segue dividida na cidade. Historicamente, desde que deixou o grupo, o deputado Ozair José (PP) faz oposição a Ademir Menezes e aliados. Após receber carta branca do governador, o pepista passou a trabalhar com o PMDB e cogita até sair na vice de Maguito, se for necessário para desbancar o grupo de Aparecida do poder.

Ozair aparece com 5,2% dos votos, portanto, em empate técnico com Marlúcio e Macedo, o que poderia tornar sua candidatura viável, caso o ex-senador desistisse do pleito. Atualmente, Maguito é vice-presidente de governo do Banco do Brasil e, por isso, se realmente pretende concorrer à prefeitura de Aparecida, como tudo indica, ele se desincompatibilizará do cargo nesta semana.

Apesar de o grupo ter duas alternativas para tentar barrar a oposição, a pesquisa mostra que não há um favorito entre eles, e nem Marlúcio nem Macedo representam perigo à candidatura do PMDB. Foram 402 os eleitores entrevistados em diversos bairros da cidade. Apenas 2% dos pesquisados rejeitam todos os candidatos - disseram que não votariam em nenhum dos nomes listados - e 6,7% dos eleitores preferiram não opinar.

Postado por Vassil Oliveira em 31/05/08 às 11:06.
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31/05/08 - Sábado
Deputados são só elogios a Jardel

postado na categoria Análise

Na Assembléia Legislativa só se ouve elogios ao presidente da Casa, Jardel Sebba. Os deputados rasgam seda, sem pudor algum. Sempre sorridente, com discurso articulado sem ferir suscetibilidades dos grupos, com uma agenda administrativa positiva, tudo favorece o tucano.

Com esperteza e inteligência, ele abre caminho para sua candidatura a prefeito de Catalão. E, de quebra, pavimenta o caminho para fazer o sucessor no comando do Legislativa: Helder Valin (PSDB), o líder do governo Alcides Rodrigues (PP) que trabalhou muito para aprovar a reforma da máquina estadual.

(Publicado também na Tribuna do Planalto de 1.06.2008)

Postado por Vassil Oliveira em 31/05/08 às 10:50.
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