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História

25/08/08 - Segunda-feira
Coisas da Política do PSD e da UDN

postado na categoria Geral

Olha esta história, que está na página do escritor Elson Gonçalves de Oliveira, que mui orgulhosamente digo que vem a ser meu pai:

Os partidos políticos mais tradicionais de antigamente eram o Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN). As disputas nas eleições para prefeito, vice-prefeito e vereadores eram acirradas entre os correligionários e os simpatizantes de ambos os partidos. Havia momentos que parecia que uma guerra civil ia estourar. Brigas corriqueiras aconteciam a todo momento. No entanto, no final das contas tudo acabava em entreveros facilmente contornáveis, porque o que realmente interessava era o voto do eleitor.

(...)

Certa vez o experiente político pressentiu que seu candidato perderia a eleição. Naquele tempo não se falava em pesquisa de intenção de votos, contudo era visível o fraco desempenho do moço. Mesmo contando com o apoio das bases, não decolava. Toda mutreta para ganhar uma eleição já tinha sido feita. E nada. O comitê da UDN vivia cheio de gente, mas os cochichos eram de tapeação e não de votação. O que o povo queria mesmo era comer as almôndegas com mandioca preparadas nas tachas gigantes. Com a barriga cheia votariam no PSD, deixando os udenistas mamando nos dedos. Mas Caixetão era esperto. Enxergava muitas léguas na frente dos companheiros.

Quer saber mais?

Mais não conto. Quem conta é Elson.

Clique AQUI e entre na página dele na internet. Lá, entre em Notícias e procure o texto com título Coisas da Política do PSD e da UDN

Postado por Vassil Oliveira em 25/08/08 às 10:57.
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24/06/08 - Terça-feira
Política goiana

postado na categoria Análise

Vai abaixo, na íntegra, porque não há o que cortar, a análise do professor Joãomar Carvalho de Brito Neto que está hoje no Diário da Manhã. O título é o mesmo daí de cima.

Joãomar, jornalista, professor, ou jornalista-professor, ou professor-jornalista, é uma rara e agradável referência. E confesso que já estava aqui organizando alguns bons adjetivos elogiosos, muitas frases de efeito para chamar a atenção para suas qualidades, mas... bobagem. Ele é maior que isso.

A análise do Joãomar (para ler no DM, clique AQUI):

Desde a eleição de Marconi Perillo para o governo de Goiás, a política de Goiás está andando em círculos, como um animal ferido de morte à procura de alívio para seu inevitável fim. Claro, a política não morre, mas muda a forma de representar a sociedade. Em Goiás, não parece evidente movimento algum no sentido de fazer esta representação mais legítima, na forma de contemplar alguns sinais de organização de vários setores sociais do Estado.

Se olharmos o quadro das negociações com vistas às alianças para as próximas eleições, vamos constatar dois mundos, cada vez mais distantes um do outro, o da sociedade que realimenta sua dinâmica com maiores índices de organização de base, e o da política, que insiste em revitalizar sua velha e carcomida dinâmica de representar-se a si mesmo. Antes das experiências administrativas de partidos como PT, PSB, PDT, PSDB etc., imaginava-se que nada avançava por conta da natureza conservadora dos outros partidos. Não era verdade: uma vez no poder, as lideranças destes partidos foram buscar nos setores conversadores a base para sua sustentação. A sociedade ficou órfã e seus cidadãos perderam a utopia.

A eleição de Marconi Perillo se deu à frente de uma aliança que tinha tudo, menos coerência política. De fato, era difícil imaginar uma boa convivência política com partidos tão díspares, quando o PSDB, o PFL (DEM), o PC do B, o PP, o PTB etc., para citar apenas algumas siglas. Depois de dois mandatos, esta coligação, já sem muito gás, elege o grande nome do PP, o então vice-governador Alcides Rodrigues. Como a gestão anterior ficou com a cara de Marconi Perillo, o retrato do PSDB de Goiás, a nova gestão tem naturalmente a cara do PP de Alcides Rodrigues.

A base de apoio do presidente Lula, à exceção do DEM (ex-PFL), é constituída pelos mesmos partidos que sustentaram a administração FHC, tendo o PMDB como ideal parceiro. Na realidade, ele só cuidou de sua sobrevivência, por conta de uma extraordinária base em todo o País. Este quadro torna-se refém toda administração em crise, como a de Goiás, por exemplo. O governador dá sinais a cada dia que não sai mais do raio de influência de Brasília. Mais do que isto: deseja esta dependência.

Quem perde com isto? Claro, o grande aliado de ontem, o PSDB. Melhor dizendo, o senador Marconi Perillo. Para este, não sobra nem o consolo de manter aliança com parte do DEM, de Ronaldo Caiado e Demóstenes Torres. A parte favorável a esta aliança, encarnada por Vilmar Rocha, não tem mais representação em Brasília e pouca influência tem no partido em Goiás.

O que vemos então pelas páginas dos jornais? O governador Alcides Rodrigues construindo uma "nova" base de sustentação com partidos que são, quase sem exceção, filhotes da velha Arena, partido que sustentou a ditadura militar, ou partidos que se aliaram à ditadura, como o PTB. É neste conjunto desencontrado de partidos que se situa a oposição ao prefeito Iris Rezende, do PMDB, que já conseguiu fazer do PT, o partido do presidente da República, um fiel escudeiro de sua sonhada reeleição. E vai juntando algumas peças a mais no tabuleiro partidário de Goiás, para construir uma grande aliança que não conseguiu quando de sua eleição. O PMDB é o sonho possível da sobrevivência do PT, que assiste uma decadência gritante no cenário político regional.

O filhote do PMDB grande e descaracterizado é o PSDB. Foi por esta razão que os fundadores do partido fundaram a nova legenda para, supostamente, recuperar algumas bandeiras do velho MDB e ajustar-se às novas realidades políticas do mundo, pensando principalmente na experiência dos partidos socialistas ou social-democratas da Europa. Em Goiás, no entanto, o partido apenas abrigou quem estava descontente com as administrações do PMDB. Embora, em algum momento, se pensasse que seus quadros pudessem dar continuidade aos debates e aos encaminhamentos sugeridos pela Fundação Pedroso Horta, o PSDB no poder nem mesmo conseguiu repetir a trajetória que se viu, por exemplo, durante a administração Henrique Santillo.

Por isso, enquanto esteve no poder, repetiu a trajetória dos demais partidos, seja a Arena, o PFL e mesmo o PMDB: cresceu, ganhou adeptos de última hora, tornou-se referência. Na oposição, esfacelou-se, perdeu espaços e viu seus quadros migrarem para pequenos partidos de ocasião, que se aliam com quem quer que esteja no poder. Uma velha estratégia de sobrevivência. Um modelo que não foi quebrado.

O PSDB, como os demais partidos, vive uma crise: não criou quadros, esnobou possibilidades e apostou apenas na figura do seu governador, agora no Senado. Hoje, fora do poder e vendo seus espaços diminuírem a cada reforma da atual administração, só tem seu ex-governador como referência, num quadro de dificuldades crescentes, em que a outra senadora do partido, Lúcia Vânia, não vê a hora de sair do partido, embora prestigiada pela direção nacional do partido. Se o partido não se refundar, ele se tornará o DEM de hoje, com uma única liderança, buscando sobrevivência com alianças pontuais.

Estamos assistindo a uma cena reveladora: para enfrentar o prefeito Iris Rezende, que conseguiu ficar praticamente sem oposição até o momento, o governador Alcides Rodrigues está bancando um candidato que, pelo histórico recente, não tem a menor possibilidade de sucesso por duas razões, pelo menos. A primeira, ele não consegue unir a chamada base que elegeu o governador: o DEM não se sente contemplado no governo, e ao PSDB só interessa perder de menos. Sinal deste quadro é a revolta dos vereadores de Goiânia, que vêem seu sonho de reeleição comprometido pela forma como a direção regional do partido conduz as negociações. A segunda é que o próprio governador não teria muito interesse numa confrontação com o prefeito Iris Rezende, grande aliado em Goiás do presidente Lula.

Esta conformação da política de Goiás revela, a nosso ver, uma grave crise relativa à questão da representação da sociedade pelo aparato partidário. Há uma verdadeira crise e, não sem razão, se fala muito da necessidade de uma reforma política, que nunca sai do papel. O caso de Goiás é ilustrativo desta assertiva: enquanto os partidos se engalfinham para garantir seus espaços, a sociedade dá mostras de cansaço, enquanto vive uma saudável experiência de organização de seus vários segmentos.

Nascem deste quadro, demandas na área da saúde - que não consegue melhorar seu desempenho -, do transporte público - que continua longe de atender ao cidadão - da segurança - que continua fazendo vítimas, inclusive do aparelho estatal - e da educação, que continua patinando na incompetência da gestão pública etc. O aparato partidário parece não entender esta nova/velha realidade. Por isso, tem dificuldade de propor alternativas à sociedade.

Há uma dicotomia entre o que a sociedade quer e o que os partidos dizem representar. Está faltando sociedade na dinâmica dos partidos. Há uma crise de representação. Seria bom que os partidos pensassem a respeito. A sociedade mudou. Quer mais. Quer participar verdadeiramente das instâncias dos partidos. Hoje, a diferença é que os cidadãos estão cobrando mais e de maneira organizada. Os partidos não podem continuar marchando para o nada.
 

Postado por Vassil Oliveira em 24/06/08 às 16:42.
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23/02/08 - Sábado
As lições de Fidel para Marconi

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Está no blog do Marcus Vinícius de Faria Felipe e merece atenção, porque é história pura:

Divergir e convergir são movimentos naturais da política. Assim como o mar quebra na praia, na política as ondas vão e vem. Num momento um é aliado, noutro adversário. Nada é estático. A marola é parte da paisagem.

As tempestades, no entanto, são prejudiciais. A arrebentação produz estragos, deixa marcas.

Na carreira política do senador Marconi Perillo (PSB), há muitas ondas, idas e vindas.

(...)

O fato é que a união de todos em 1998 foi a argamassa que cimentou a vitória. Hoje, no entanto, os personagens cruciais daquele evento não estão mais juntos.

Lúcia Vânia (PSDB) e Ronaldo Caiado (PFL/DEM) eram os cicerones de Marconi na campanha de 1998. Nos carros de som daquela campanha era comum a frase: "Marconi Perillo, nosso governador, que está ao lado de Lúcia e Caiado". O "desconhecido" candidato era apresentado a população e lideranças do Estado pelos oposicionistas históricos. Surgiu depois a idéia da camisa azul e o "moço da camisa azul" ficou mais visível ao lado dos líderes mais conhecidos.

A velha guarda do PDS e do PDC abria as portas das cidades para o candidato que tinha sido ungido como o nome das "oposições históricas". Marconi ganhou com o apoio de todos.

(...)

As desavenças com o presidente Lula, com Henrique Meirelles, Sandro Mabel, Samuel Almeida e, sobretudo, a rusga com o PMDB de Íris Rezende, Otoniel Machado, Adib Elias e Maguito Vilela acumulam a lista de adversários do ex-governador.

Fidel Castro, o mais longevo líder político da América Latina renunciou recentemente ao poder, após 49 longos anos à frente dos destinos de Cuba. O presidente Lula, que chamou Fidel de mito, seguiu à risca um conselho do sábio dirigente: "Nunca brigue com mais de um adversário por vez". À luz dos recentes acontecimentos, não seria ruim se o jovem senador lesse a última biografia do comandante em chefe escrita pelo jornalista Ignácio Ramonet "Biografia a Duas Vozes ( Editora Boitempo). Quem sabe ali não estejam conselhos valorosos sobre os meandros do poder.

Clique AQUI para ler na íntegra.

Postado por Vassil Oliveira em 23/02/08 às 11:16.
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04/10/07 - Quinta-feira
Nion X Bittencourt II

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Bem, aí está a segunda matéria, sobre o pós-eleição para Nion.

(Publicado em 18.11.1996)

Nion está magoado

O prefeito eleito de Goiânia, Nion Albernaz, está feliz mas também muito magoado. Por mais que tente disfarçar, seu semblante se fecha quando a pergunta resvala dos planos de governo para os detalhes da batalha pelo voto. "Fomos atacados no nosso maior patrimônio, que é a honra, o comportamento ético e o respeito que temos pelas pessoas. Isso me aborreceu muito", diz.

A raiva é visível nos sulcos de sua testa. Mas ele prefere falar do "sabor maior" de ter vencido duas máquinas - a da prefeitura e a do Estado - "que não tiveram parâmetros nem na honra nem na ética". "Para eles, o que valia era vencer", fala Nion, sorrindo depois e comemorando a derrota dos adversários. Diz que os ataques extrapolaram. "Cultivo um patrimônio chamado honra, ética, respeito, e fui agredido nisso".

A resposta, assegura, virá logo. "Não sou político para quem tudo que acontece numa campanha fica assim mesmo, tá perdoado. Tá não. Vamos procurar nossos advogados para ver se há possibilidade de entrarmos com uma ação contra esse abuso, essa atitude descabida."

Nion, veterano em matéria de eleição, garante que nunca tinha enfrentado uma situação como a da campanha deste ano. "Esse atrevimento eu nunca tinha visto em eleição nenhuma, em que se tentou buscar o voto a qualquer custo". A feliz constatação, lição aprendida, segundo ele, há tempos: "Todas as pesquisas dizem que quem agride não ganha voto."

Até mesmo a metáfora, companheira inseparável de seus discursos, é colocada de lado neste momento. "Prefiro não usar metáforas, mas falar bastante direto. Acho que não podemos definitivamente dizer que as coisas correram de forma normal. Não ocorreram."

O semblante já fechado fica mais sombrio ainda quando fala de seu adversário no segundo turno, deputado Luiz Bittencourt. "Esse moço, muito atrevido, muito petulante, insolente... Eu não achei graça nenhuma nisso (nos ataques) e isso me deixou bem marcado. Não aceito desculpas. O que eu puder fazer para processá-lo eu farei."

Nion diz que tinha denúncias contra Bittencourt, mas que preferiu não apresentá-las para que o eleitor não se confundisse. "O eleitor votou no cidadão que ele conhece." O troco do professor nos ex-companheiros do PMDB tem data marcada: 3 de outubro de 1998.

Longa jornada vitória adentro

Às duas horas da tarde de sábado, 16, cerca de 16 horas depois de ver confirmada sua vitória nas urnas com 52.06% dos votos - contra 41.39% de Bittencourt, 5.49% nulos e 1.06% brancos -, Nion estava exausto. Foi dormir às 3h30, acordou às 5h e desde então não parou mais de falar.

Até ali já tinha falado a cinco emissoras de televisão, à  rádio CBN, aos dois diários da capital e se preparava para falar a outros dois veículos de comunicação. A jornada prometia mais. Uma entrevista à  Rádio Bandeirantes, de São Paulo, estava marcada para logo mais, assim como a gravação do programa E agora, prefeito?, que a TV Anhanguera levou ao ar neste domingo, 17.

Nion estava falando sobre os mesmos assuntos incessantemente. Ao sentar-se à  mesa para mais uma entrevista, brincou: "Já respondi pelo menos dez vezes as mesmas perguntas que vocês vão fazer." Por exemplo: o primeiro passo será conversar com os grupos partidários para definir os nomes que comporão sua equipe. Isso é lotear a prefeitura? "Não, é fazer um governo de coalisão com as forças que me elegeram." Resposta na ponta da língua.

Também está armado para a dúvida sobre o futuro da união das oposições. Permanecerão unidas até 98? "Não tenho a menor dúvida." Avisa que estará trabalhando na consolidação de uma aliança para vencer as eleições de 98. Lembrado de que essa união foi tentada e resultou em fracasso dois anos antes, na eleição para o governo do Estado, corrige: a situação era diferente. "Hoje as oposições têm consciência da importância da unidade e estão realmente unidas."

Quando ouve que alguns prefeitos eleitos pelos partidos de oposição estão querendo se debandar para a situação, sorri. Diz que é o contrário. "Tem muito prefeito querendo é vir."

Desencardir

Voltando à  administração da prefeitura, anuncia Nion, o primeiro ato será tomar pé da situação econômica da casa. Ele desconfia de que a capacidade de endividamento do município hoje é zero. Aposta na estabilidade do real para a realização das obras que planeja, e diz que pretende executá-las com recursos próprios.

O tom do discurso para os próximos anos já é obra pronta. "Vamos desencardir a cidade, para que ela volte a ter o brilho de 1992 e a dar orgulho à  população de viver numa cidade florida e agradável", promete o professor.

Não há tempo programado para descanso na agenda de Nion até o dia 1º de janeiro. Ele perdeu oito quilos em caminhadas e sob o forte calor da tensão dos últimos dias do pleito. Agora diz que vai recuperá-los nas conversações com os aliados. Quer começar logo a engordar o seu cacife político para quando 98 chegar.

Postado por Vassil Oliveira em 04/10/07 às 16:54.
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04/10/07 - Quinta-feira
Nion X Bittencourt

postado na categoria Geral

Por esses dias, noticiou-se que o ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz (PSDB) estaria incomodado, para não dizer mais, com a possibilidade de o deputado federal Luiz Bittentourt trocar o PMDB por um partido da base aliada (o que pode se confirmar, ou não, a qualquer momento, por sinal. Bittencourt estaria entre PTB e PP, e, para poder disputar a prefeitura de Goiânia no que vem, precisa fazer a mudança de partido nas próximas horas, senão...). Falou-se até que Nion poderia deixar essa mesma base aliada, logo ele que foi o precursor da unidade, em 1996, na primeira vitória do grupo contra os peemedebistas - na disputa pela Prefeitura de Goiânia. Pois vai aí abaixo um relato de como foi o último debate da eleição de 96, na TV Anhanguera. Em seguida, postarei uma outra matéria, contando como Nion reagiu depois do resultado da eleição. Vale lembrar: ele venceu.As duas matérias foram publicadas no então Jornal da Segunda, hoje Tribuna do Planalto.

(Publicado em 18.11.1996)

Meninos, eu vi

Os bastidores mais que divertidos de um sério debate na TV Anhanguera

O debate na TV Anhanguera, dia 12, estava marcado para as 22h15. O clima na cidade era de expectativa. Pelo lado do candidato do PMDB, Luiz Bittencourt, a tensão se justificava por ser a última oportunidade de colocar mais lama no ventilador de Nion e arrebatar os votos que justificassem a tão sonhada virada. Pelo lado do PSDB de Nion Albernaz, o que se previa e temia era um embate duro, com acusações pesadas e um resultado incerto para a popularidade do líder.

A sucessão estava em jogo. Mas se nos estúdios Nion e Bittencourt se batiam em guerra aberta por votos, no auditório da Organização Jaime Câmara uma outra batalha era travada a duros golpes e contra-golpes da mais fina ironia. Ali estavam entrincheirados políticos conhecidos e tarimbados tanto da oposição quanto da situação. Fizeram um espetáculo à  parte, infelizmente não transmitido ao vivo para todo o Estado.

O governador Maguito Vilela, os senadores Mauro Miranda, Onofre Quinan e Iris Rezende e o prefeito Darci Accorsi não comprareceram. Aqui, passo a passo, um pouco do que aconteceu lá, entre quatro privilegiadíssimas paredes.

A torcida organizada

Aos poucos vão chegando os coordenadores de campanha e medalhões da política goiana. E já na entrada mostram com que disposição estão ali: para serem animadíssimos cabos eleitorais. O expressão é a mesmo que se vê em fanáticos torcedores. Compreensível: debate entre oposição e PMDB a dois dias de uma eleição não é muito diferente de um Vila x Goiás em final de campeonato.

Os coordenadores... digo, os torcedores chegam ansiosos, cheios de energia, os nervos à  flor da pele. Reparando bem dá para acender toco de cigarro na testa de muita gente boa por ali.

Ironia do destino, logo à  entrada o desencontro: aos torcedores de Nion, tidos como gente "da direita", está reservado o lado esquerdo do auditório; e aos apoiadores de Bittencourt, formadores de uma frente progressista "de esquerda", está destinado o lado direito. Inimigos, inimigos, idelogias à  parte.

Minutos depois, a ironia de volta. Com compenetrada seriedade o jornalista Carlos Nascimento, mediador do debate, anuncia aos telespectadores: Nion fica àsua esquerda e Bittencourt àsua direita. Não era o dia da ideológica mesmo.

O deputado Pedrinho Abrão, antes do início do debate, vai pisando leve até a galera do 15 e, sem avermelhar o rosto, pede votos para Nion. Suja a cara com uma grita geral adversária.

Brincadeira, e não provocação. A torcida organizada se comporta bem.

Começa o debate

Bittencourt começa lembrando que Nion fugira a 18 debates. O ex-deputado Ronaldo Caiado, na torcida 45, é obrigado a ouvir calado Bittencourt dizer que os Caiado, os Valadão e os Abrão "são o que de mais atrasado existe na política goiana", e que representam "os ricos, os insensíveis". Como o primo Pedrinho, Lúcia Vânia Abrão também está lá. Lúcia, calada; o primo, feito chefe de torcida - torcida que engole seco.

Vem Nion nas considerações iniciais e dá o troco. Faz uma apologia dos Caiado, dos Valadão e dos Abrão. Cutuca o prefeito Darci Accorsi, ligando seu apoio a Bittencourt ao fato de ter sido processado por corrupção. O objetivo é manchar a decantada honradez da chapa que apóia seu adversário. Lamenta que o debate já comece em nível baixo, com ataques. Faz caloroso elogio àsua vice, Maria Valadão.

Um momento!

Chega o deputado Abdul Sebba (do PL, partido que oficialmente apoia Bittencourt) ao auditório. É saudado com palmas pela galera 45, que começa a gritar o seu nome. Abdul vai cumprimentar os amigos e fica por ali mesmo. O deputado Vilmar Rocha é outro chega quieto, atrasado, no intervalo do primeiro para o segundo bloco.

Segundo bloco

O assunto é saúde e educação. Bittencourt, no seu comentário, para mostrar que Nion demitiu servidores, tenta mostrar alguns documentos, o que é proibido pelas regras do debate. É "cortado" pelo mediador sem dó nem piedade, o que faz a torcida 45 levantar-se em apupos e risos soltos no auditório. Não há dúvida, a torcida 45 é a mais animada. Não pára quieta um minuto.

Pedrinho Abrão e Marconi Perillo dão o tom das provocações, eufóricos, propagando a vitória certa de Nion. A galera 15 permanece silenciosa. Mais palmas da 45 para Nion quando este diz que investiu mais na saúde que Darci e critica a demora na conclusão das obras de reforma do HGG.

Bittencourt apresenta seus planos para a área social. A turma do 15 se manifesta com entusiasmo pela primeira vez. Aplausos e sorrisos. Vem em seguida Nion, que dá uma engasgada ao falar. Basta para os 15 gritarem "Ele tá rateando", "Ele tá velho". Voltam a fazer barulho alto quando Nion diz que em seu segundo mandato não houve greve de professores.

Os 45 reagem quando o professor conclui o discurso sobre seus feitos na área da educação. Bittencourt volta à  carga dizendo que houve greve sim de professores no tempo de Nion. Na platéia, é chamado de Pinóquio.

Final do bloco. Hora do cafezinho.

Intervalo

Marconi Perillo, de pé, provoca: "Ele (Bittencourt) apoiou foi o Mabel, e não o Darci. Quem apoiou o Darci fomos nós". Marconi se refere à  eleição passada para a prefeitura da capital, quando o deputado Sandro Mabel foi o candidato do PMDB e Bittencourt o do extinto PDC. No segundo turno, Bittencourt apoiou Mabel, e não Darci.

Na época, o vitorioso candidato do PT recebeu o apoio em peso da oposição. Um 45 mostra Lúcia Vânia e lembra que se a oposição apoiou Darci - ela com mais entusiasmo ainda -, este simplesmente negou apoio a ela dois anos depois para o governo do Estado.

Terceiro bloco

Esquenta o debate. Bittencourt pergunta a Nion se ele assinaria folha em branco para um terceiro lhe comprar bens - o que teria feito, segundo Bittencourt, com João Abadio. Expectativa na platéia, com mais entusiasmo para os 15. Nion insiste na sua ligação com os goianienses. É aplaudido pelos 45.

Bittencourt ironiza: Nion decorou o texto mas não respondeu a sua pergunta. Nion reafirma sua honradez e recebe mais aplausos. Ainda no auditório, ataques entusiasmados de um ou outro 45 a Bittencourt, especialmente de Marconi e do deputado Sebastião Caroço, já então marcando presença firme numa das lideranças da galera.

De repente, começa um bate-boca entre Marconi e alguém da galera 15, que não dá para identificar. Marconi grita que um dos irmãos de Bittencourt foi secretário de Nion, no que vem a resposta curta e grossa: "Quando descobriu que era ladrão caiu fora".

Mais bate-boca. Marconi grita que foi "à  luta" por Darci e que Bittencourt apoiou Mabel.

Finalmente, o cafezinho.

Novo intervalo

Saindo calado, o ex-secretário Otoniel Machado, irmão do senador Iris, ouve um gaiato da 45 gritar em alto e bom som: "Tá cedo, Rei do Gado". O normalmente sisudo deputado federal Roberto Balestra levanta-se para, aparentemente, acalmar Marconi, que sorri: "Calma. Espera chegar a hora", diz Balestra. Marconi: "Que nada, vou começar a comemorar é agora". Gargalhadas.

A galera 15 sorrindo, mas silenciosa. Inimigos cordiais.

Quarto bloco

Bittencourt, pela primeira vez, dá uma rateada. Ganha vaia. Mas é aplaudido com entusiasmo na apresentação de sua proposta para a área de segurança na capital. Cita o caso Pavitergo e a intervenção de Nion é elogiada. Nion dá uma resposta moral para estabelecer definitivamente a diferenciação entre ele e o adversário: "Fica a minha palavra contra a sua". Bittencourt queria provar que Nion não era honesto. Ficou a palavra de um contra a do outro.

Entra a ética no debate. Nion afirma que sempre se pautou por ela. E para provar que não tinha bens além dos que declarou, diz que a fazenda cuja escritura Bittencourt tinha em mãos podia ficar para ele. "Aliás, já é dele". A platéia delira. Ao final, a galera 45 é só comemoração com a fala de Nion.

Hora do cafezinho

Ronaldo Caiado, Jovair Arantes, Pedrinho Abrão e Marconi Perillo, como exemplares chefes de torcida, não escondem mais a euforia. A torcida 15 se cala e a 45 começa a gritar o nome de Nion.

Orion Andrade, assessor de Nion, sai para o cafezinho comemorando: "Acabou, massacrou". Ronaldo Caiado fala alto: "Nion hoje tá virado do cão! Tá bom demais". Quando começa o último bloco, convida ansioso os convidados: "Vamos ver o nocaute."

Último bloco

Bittencourt diz que Nion é lobo em pelo de cordeiro. Mas quando Nion fecha sua participação dizendo que fez campamha contra dois governos - o estadual e o municipal - e cita Deus para dizer que confiava na vitória, leva a platéia 45 ao delírio. Os torcedores gritam o seu nome e fazem a maior algazarra. Os 15 ficam em silêncio.

Diálogo celular

Clima ainda de torcida organizada. Cordialmente, um lado e outro provoca o outro. São provocações seguidas de apertos de mão e tapinhas nas costas. No fundo, fica claro que não há ali - ainda - inimigos, mas adversários.

De repente o deputado Jovair Arantes o jornalista João Bosco Bittencourt se desentendem. Um momento tenso. Caiado é um dos que lideram a turma do deixa disso. O clima de pancadaria passa logo.

A expectativa agora é para a saída de Nion e Bittencourt. 15 e 45 comemoram cada um a vitória de seu candidato. Os torcedores do auditório, agora, entram em outro mundo: o dos telefones celulares. Todos ligadíssimos. Haja bateria!

Postado por Vassil Oliveira em 04/10/07 às 16:47.
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