O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, não terá vida política fácil pela frente, em busca da reeleição.
Em tese, a aliança do seu PT com o PMDB de Iris Rezende é favas contadas. Na prática, Paulo pode agradar a cúpula e não entusiasmar a base, que vem a ser o grosso do exército (e uma definição antiga de Iris) de pedidores de voto em época de eleição.
Hoje, acenar com cargos na Prefeitura para peemedebistas é um ponto positivo em termos de negociação. Mas não garante a participação em peso de peemedebistas velhos de guerra, porque quem está sendo agrada, por ora, é quem já tem poder e cargo, quer dizer, mandato.
Um caminho seguro para algo não dar certo é o da acomodação.
Desde que assumiu o governo de Goiás, Marconi Perillo anda, se mexe, não para. Vai ao interior, percorre o País, viaja para o exterior.
Tanta movimentação provoca reações. A mais evidente: é criticado por fazer muita poeira para pouco resultado. Vai ao interior para que? Lançar obra? Que obra? Vai ao exterior por que? Buscar investimentos? Cadê?
Mas e se ele estivesse fazendo o contrário? Se, em vez de se mexer, estivesse no gabinete? Se, em vez de ir até o prefeito ou o deputado – que, nos bastidores, maldiz a falta de recursos e a desatenção do governo –, ainda que para constrangê-los e forçá-los a lhe renovar elogios, se se fechasse no Palácio em artimanhas para se vingar de todos que reclamam?
Uma das críticas comuns ao ex-governador Alcides Rodrigues (PP) é que pecou por comunicação de menos.
Creio que o erro maior foi outro (e sobre isso escrevi na Tribuna do Planalto, se não me engano, no final de 2009): falta de política.
O de Alcides foi um governo que focou a administração e deu pouca relevância à política. Resultado: ele acabou engolido no próprio governo pelo hoje governador Marconi Perillo, que fez e faz política 24 horas por dia - doa a quem doer!
Pergunto:
o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), não vai pelo mesmo caminho?
Reação à hegemonia dos tucanos no Estado ainda patina na prática e no discurso
A única oposição ao governador Marconi Perillo (PSDB) hoje em Goiás é Marconi Perillo. Os partidos que teoricamente são contrários ao seu governo, na prática nem discurso têm. Os principais integrantes de sua administração, que teoricamente é coesa, na prática batem cabeça e brigam entre si.
Marconi mesmo, vira e mexe, produz notícia negativa que poderia desestabilizá-lo, mas logo retoma o controle da situação. Na prática e na teoria, ele segue inabalável.
Na perspectiva de 2014, três potenciais adversários de Marconi mais parecem propagadores de suas qualidades. E líderes tradicionais do Estado pouco influenciam na tentativa, até agora frustrada, de uma ‘resistência’ política oposicionista que abra perspectiva de poder no longo ou no médio prazo.
Êta, palavrinha: Democracia.
Nos discursos de ontem, durante a eleição da nova Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, deputados encheram a boca para pronunciá-la. O governador Marconi Perillo (PSDB), em rápida entrevista, também lhe deu tratamento elevado.
E ao falar de democracia, todos ressaltaram que a coisa só funciona com cada um no seu quadrado. Quer dizer: sem interferência de um poder no outro.
Justo, não fosse no meio do caminho dessa tal democracia ter uma tal 'lei delegada', mesmo que a lei em questão não leve oficialmente o nome de "delegada".