O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, não terá vida política fácil pela frente, em busca da reeleição.
Em tese, a aliança do seu PT com o PMDB de Iris Rezende é favas contadas. Na prática, Paulo pode agradar a cúpula e não entusiasmar a base, que vem a ser o grosso do exército (e uma definição antiga de Iris) de pedidores de voto em época de eleição.
Hoje, acenar com cargos na Prefeitura para peemedebistas é um ponto positivo em termos de negociação. Mas não garante a participação em peso de peemedebistas velhos de guerra, porque quem está sendo agrada, por ora, é quem já tem poder e cargo, quer dizer, mandato.
Em miúdos, mais do que dar emprego no Paço para deputados, Paulo será cobrado para nomear quem está fora da estrutura de poder, quem não tem cargo mas gostaria de ter. Coisas assim.
Mesmo parlamentares experientes admitem, em conversas reservadas, que pouco adiantará agradá-los e não atender suas “bases”. Eis aí um dilema para o prefeito. Vai fazer parte do “jogo” ou o jogará para ganhar?
A questão resulta em dilema republicano. Até onde Paulo Garcia está disposto a ir para garantir a reeleição? O PMDB é um partido acostumado a cobrar fatura política, e cobra antes, não costuma esperar para depois. Quer dizer, a fatura de 2012 será cobrada em 2012, e não em 2014. Aí já será outra conversa.
Paulo Garcia tem também o desafio da administração. Um ponto emblemático será concluir o mais rápido possível a reforma do Mutirama – isso para ficarmos em uma obra, como ilustração do todo. Se a reinauguração ocorrer muito próxima do início da campanha, será um problema para o prefeito.
Por que? Bem, em termos de propaganda na mídia, e de debate na imprensa, o assunto poderá render muito daqui até a inauguração. Vai depender dos adversários. E a discussão levará sempre o viés negativo da dúvida.
A seu favor, Paulo teria então a propaganda boca-a-boca, considerada a mais eficiente de todas. Mas só o será a seu favor, se ele inaugurar a tempo de o cidadão frequentar o lugar e assegurar que, sim, valeu a pena a obra e que ela merece aplauso e não crítica, como diz a oposição.
Outro fator de preocupação constante para Paulo Garcia será a relação com o governador Marconi Perillo. Ao indicar que o deputado Leonardo Vilela (PSDB) deverá ser o seu candidato a prefeito de Goiânia, o governador mostra que, caso essa candidatura seja de fato levada à frente, será ele, de forma indireta, o candidato.
Explico: Leonardo, ao contrário de Sandes Júnior em outros tempos, é um nome que, além de simpático (ou outra coisa, segundo mostram pesquisas reservadas), é de sua interna confiança. É um nome afinado com seu projeto e que tem lastro em sua rede. Na comunicação, por exemplo, é um nome que faz sua equipe mais próxima transpirar com convicção.
Leonardo não será um adversário fácil para Paulo porque será Marconi na disputa. Ou não. Vai depender, como disse, da relação a ser estabelecida entre Paço Municipal e Palácio das Esmeraldas até o ano que vem.
Um ponto a se considerar: Marconi, como cabo eleitoral (quando quer, bem entendido), costuma ser bem mais decisivo que, por exemplo, o governo federal. Basta olhar para trás. No ano passado, o governo nacional do PT entrou verdadeiramente na campanha, no Estado, contra Marconi Perillo? E antes, quando Pedro Wilson buscava a reeleição na Capital? Pois é.
Alguém dirá: É, mas Marconi não elegeu Sandes. Sim, só que Sandes não é Leonardo. Ou vice-versa.
A estratégia do governo, ao que parece, nem ficará restrita a Leonardo como adversário para Paulo Garcia em Goiânia. Outros nomes, inclusive mais uma vez o de Sandes, devem entrar em cena. E aí? E nem falemos na possibilidade, ainda que remota, de o senador Demóstenes Torres resolver entrar na disputa.
A pesquisa Serpes/O Popular divulgada nos últimos dias mostra que Paulo é, por ora, o favorito. E que tem espaço para se consolidar assim. Porém ela deixa claro também que, em verdade, a disputa está em aberto. Favoritismo não garante vitória.
O fato é que o cenário apresentado pela pesquisa mais estimula adversários para Paulo do que desanima pretendentes. Estes veem chance real de vitória pela frente. Por que não?
E há o fator interno. Não é à toa que o prefeito se mexe, tentando amarrar o PMDB agora, já. A pesquisa deixa claro: Paulo terá de ampliar apoios para se tornar mais conhecido, por exemplo, e se afirmar e se garantir à frente.
Sobre este último ponto, voltamos ao início. Sendo assim, a tendência qual será? O que fará o PMDB? Mostra a história que fará o que normalmente faz, como fez com Lula e Dilma Rousseff: aumentará a fatura para amarrar o seu apoio. Não é importantíssimo? Não é decisivo? Pois é.
Ouso arriscar: quem viver verá uma boa disputa em Goiânia no ano que vem. Para começo de conversa, será testemunha ocular de mais um embate indireto entre Marconi e Iris. E testemunhará se Paulo terá feito do presente que ganhou ano passado, um futuro promissor – e vitorioso por si próprio.
(Texto publicado em 9.11.2011 no Diário da Manhã)