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Um passo à frente

Um caminho seguro para algo não dar certo é o da acomodação.

Desde que assumiu o governo de Goiás, Marconi Perillo anda, se mexe, não para. Vai ao interior, percorre o País, viaja para o exterior.

Tanta movimentação provoca reações. A mais evidente: é criticado por fazer muita poeira para pouco resultado. Vai ao interior para que? Lançar obra? Que obra? Vai ao exterior por que? Buscar investimentos? Cadê?

Mas e se ele estivesse fazendo o contrário? Se, em vez de se mexer, estivesse no gabinete? Se, em vez de ir até o prefeito ou o deputado – que, nos bastidores, maldiz a falta de recursos e a desatenção do governo –, ainda que para constrangê-los e forçá-los a lhe renovar elogios, se se fechasse no Palácio em artimanhas para se vingar de todos que reclamam?

 

Com um Estado sem dinheiro em caixa, com carência de infraestrutura, prefeituras à míngua e promessas feitas batendo à porta para serem cumpridas com urgência eleitoral, gabinete é o último refúgio para um governador. A alternativa escolhida por Marconi é elementar e bem ao estilo goiano: sebo nas canelas!

Quando se mexe, o governador manda um recado claro aos seus subordinados: é preciso que também se mexam. Ir a uma agência, cobrar de um secretário a inauguração de uma obra, por menor que seja, dar ênfase a uma simples entrega de medalha, tudo isso é motivo para que ninguém, no governo, deixe que os problemas sejam maiores que as soluções possíveis.

Não foram os auxiliares os escolhidos para missões específicas? Não foi para isso que brigaram na distribuição dos cargos? Não foi por esse poder que lutaram nas campanhas? Pois bem. Governo não é problema apenas do governador. É ônus e bônus de todos. Então, que se virem dentro de suas possibilidades. É o recado.

Isso é o que faz, por exemplo, com que as críticas da oposição à agenda agitada e às constantes viagens de Marconi ao exterior, por mais razões que tenham, acabem por ter efeito menor que o da outra mensagem subliminar que elas carregam: o governador não está acomodado.

Assim é que, desde o início do ano, Marconi está em movimento. Em busca, e não à espera. Ativo, e não passivo diante dos problemas. Os desgastes não são eliminados com isso, naturalmente. Mas são mitigados. Em termos de imagem, pior seria se, além de um governo engasgado, o governador também se mostrasse empacado.

Quem acompanha a política goiana, sabe: por mais dificuldades que enfrente, por mais desgaste que sofra, Marconi jamais se dá por vencido. Um dos efeitos desse comportamento é sua conhecida capacidade de dar a volta por cima. Quando parece derrotado, ou a ponto de o ser, ele renasce. Fez isso em 2001, buscando com afinco uma reeleição que parecia perdida. Fez isso em 2010, jogando tudo na conquista do terceiro mandato.

Sim, ele joga tudo. Tem coragem para isso. Certo ou errado, para o bem ou para o mal, para atingir o alvo, ele anda, corre, voa, se for preciso.
Eis uma lição para seus adversários: se querem derrotar Marconi, primeiro precisam alcançá-lo. Jogar pedras nada resolve em quem está sempre um passo à frente – das pedras, quanto mais da turba.

(Texto publicado no Diário da Manhã em 29.10.2011)

Sobre o autor

Jornalista (UFG, 1992), apresentador do Jornal Luz da Vida, na Rádio Luz da Vida (www.luzdavida.org.br). Trabalhou na Tribuna do Planalto (diretor de Redação), em O Popular (editor de Política) e na Rádio 730 (comentarista político e apresentador). Apresentou o programa 'Outra Conversa', na TV Brasil Central. Autor do livro 'Eleição do Início ao Fim - Ensaios sobre política, políticos e no calor jornalismo da campanha de 2006 para governador de Goiás' (Contato Comunicação) e de um livro de contos.

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