Imagine uma biblioteca com todos os livros escritos em Goiás.
Imagine uma biblioteca com a produção de todos que se aventuram, se arriscam, se empenham em contar causos, falar sobre a história dos municípios, em compartilhar fatos pessoais e familiares. E que, ao fundo, brilhe o sol de Goiás.
Imagine um local para consulta de todo esse acervo, um lugar onde quem quer que seja, possa se informar sobre o conteúdo dessas obras e onde esteja representado o Estado pelas letras e imagens.
Imagine mais: que este lugar um dia possa ser não apenas físico, mas também virtual, com acesso a partir de todos os lugares, exposto e expondo o que a gente é.
Imagine.
Bom, mas não adiante apenas imaginar.
Conversei sobre o assunto com alguns amigos, todos se disseram empolgados com a idéia. O hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Kennedy Trindade, quando diretor da Assembléia, chegou a garantir uma sala para o início do que se revelava um projeto. Disse isso ao na época presidente da Associação Goiana dos Municípios, Abelardo Vaz, e ele também aprovou. O tempo quente da política foi um inimigo feroz para nosso intento.
No final do ano passado ou início deste, não me lembro ao certo, comentei expus com entusiasmo a ideia para o presidente da Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico (Agepel), Gilvane Felipe, e ele também gostou. Mais recentemente, detalhei o projeto (é, na minha cabeça) para o novo presidente da AGM, Márcio Cecílio, meu amigo e conterrâneo passaquatrense.
Cada vez que penso nesse assunto, mais me entusiasmo. Não acredito que possa levar algo adiante apenas com minha força de vontade. É preciso um esforço concentrado, uma decisão de muitos, uma ação de dezenas.
Todos nós temos alguém na família que escreveu um livro, bom ou ruim, poesia ou não. É uma obra literária. É uma expressão da nossa cultura. Isso acaba perdido em sebos, ou nos cantos de casa, e com o tempo se evapora.
Há muita riqueza em tudo. Há muito da gente. Há coração demasiado e há também cultura em movimento. Há motivo de sobra, portanto, para justificar a biblioteca.
Creio que um caminho seria o envolvimento de prefeitos e secretários de Educação e/ou Cultura para, num primeiro momento, recolher tudo que for possível. Recolher, juntar, reunir. Isso depois seria catalogado, guardado e, enfim, colocado à disposição do público.
Imagino que possa haver interessados no projeto. Imagino que a ideia possa inclusive ser bastante melhorada, até porque não é fechada. Imagino que mais gente possa se interessar em fazê-la virar realidade. Imagino que uma dessas pessoas possa ser você. Imagino. Quem sabe?!
(Este texto foi publicado no Diário da Manhã do dia 3.11.2011)