Blog do Vassil Armazém História Na Tribuna Na Rádio 730 Matérias Especiais Midiateca Galeria de Fotos Contato

Categoria: Crônica

10/03/09 - Terça-feira
Reflexões elementares sobre, acredite!, a oposição em Goiás

postado na categoria Crônica

Na semana passada (quinta-feira, 5), o jornal O Popular publicou reportagem que mexeu com os brios dos peemedebistas na Câmara de Goiânia.

"Base só assiste a críticas da oposição a Iris na Câmara".

Era o titulo da reportagem, assinada pelo Bruno Rocha Lima. Que anotava, entre outras coisas:

O cenário (de críticas e não-reação da base do prefeito Iris Rezende) motivou uma reunião da bancada peemedebista ontem, a pedido do líder do partido, Daniel Vilela. O objetivo era tentar afinar o discurso e incentivar uma atuação mais enérgica do grupo. 'Estamos ficando só na defensiva enquanto a oposição está pautando a Câmara. Temos de nos alinhar e fazer prevalecer nossa vantagem numérica", defende Daniel.

No dia seguinte, veio a reação.

"Base do Paço reage a ataques da oposição", informava novamente Bruno Rocha Lima.

Dizia a reportagem:

Após um período de apatia diante dos ataques da oposição, a bancada governista na Câmara de Goiânia esboça uma reação. Durante a sessão de ontem, os vereadores ligados ao prefeito Iris Rezende (PMDB) rebateram as críticas dos adversários à administração peemedebista e aproveitaram para atacar o governo Alcides Rodrigues (PP).

Os vereadores aprovaram requerimento do líder do PMDB na Casa, Daniel Vilela, que cria uma comissão para vistoriar escolas da rede estadual de ensino. Começam na próxima semana uma série de visitas com o objetivo de expor possíveis problemas, principalmente estruturais.

***

A fragilidade da tal "reação" revela muito sobre um assunto muito falado mas pouco debatido hoje no Estado.

Primeiro, a reação foi exatamene a quê: aos ataques ou à reportagem?

Porque os ataques vinham acontecendo há tempos, não eram novidade. Assim como a falta de reação não era fato novo.

Portanto, é mais razoável crer, porque evidente, que a reação só aconteceu porque o assunto veio a público, destacado pelo diário de maior circulação do Estado.

Caso a reportagem não tivesse sido publicada, alguém teria reagido a algo?

Segundo, o instinto provocou o líder do prefeito, Bruno Peixoto, e o líder do PMDB, Daniel Vilela, a reagir atirando em quem?

No governador Alcides Rodrigues (PP).

Que vem a ser, hoje, um 'aliado' (reparem que a palavra está devidamente entre aspas) estratégico de Iris.

Estratégico por quê?

Porque o inimigo de Iris não é Alcides, e sim Marconi Perillo (PSDB), já em ativa campanha para o governo, mesmo cargo pretendido pelo hoje prefeito.

Como Alcides e Marconi não andam lá de tão boas relações, o prefeito alimenta o bom relacionamento com o pepista enquanto malha o tucano.

É até possível dizer que Marconi é, hoje, tão adversário de Iris quanto de Alcides, que claramente faz uma desconstrução dos governos marconistas enquanto o seu PP anuncia aos quatro ventos que tanto pode ficar com Marconi quanto com Iris ou buscar uma terceira via, lançando candidato, quem sabe, Henrique Meirelles. As possibilidades são muitas.

Iris, ao que parece, não põe fé cega na aliança com Alcides no ano que vem, mas, insisto, tem lá interesse em manter o clima amoroso com o governador como forma de desgastar seu verdadeiro adversário.

Neste caso, há mesmo uma ação alcidista na Câmara contra Iris?

Quem conhece a Casa sabe que o que move boa parte dos vereadores não são os interesses, vá lá, maiores do Estado, mas os bem maiores de suas próprias paróquias eleitorais - quando não os pessoais.

Assim sendo, adianta bater em Alcides na Câmara?

É isto interessante a Iris?

Terceiro, todos sabem que para toda ação há uma reação, e que para toda reação há outra ação, ou reação, assim, sucessivamente.

Veja o caso do líder do PMDB, Daniel Vilela.

Ele reagiu propondo a criação de uma comissão para vistoriar escolas da rede estadual de ensino.

Fez bem?

Muitas vezes, um ataque, em vez de nocautear o adversário, na verdade abre um flanco para o golpe contrário.

Não sei se alguém propôs, mas e se algum vereador (ligado a Alcides ou um marconista, vendo aí uma oportunidade de alimentar intrigas) aproveitasse o gancho de Daniel para lascar um soco do tipo: bem, se ele quer fiscalizar as escolas do Estado, por que não fiscalizarmos igualmente as escolas de Aparecida de Goiânia, onde o pai dele, Maguito Vilela, é o prefeito?

Alguém dirá: "Ah, mas aí não dá, já que os vereadores são de Goiânia!" Bem, fácil resolver isso: o governador ou Marconi podem fazer com que a reação ocorra na Câmara de Aparecida, porque, sendo governo, tem braços longos.

Querendo, há mais a ser feito. Por exemplo, criar a polêmica, ou caso, com o argumento de que, se um vereador quer fiscalizar escolas do Estado, por que os vereadores de Goiânia não podem também querer saber como anda a qualidade do ensino no município de Aparecida, que é do entorno e coisa e tal? Criar caso é criar caso.

Sem falar que qualquer gaiato, ouvindo Daniel, pode muito bem argumentar: ora, mas se é para fiscalizar, então vamos fiscalizar as escolas da Prefeitura de Goiânia!

Não será a invenção da roda. Será o óbvio.

E me digam um Estado, ou um município, onde não há uma rachadura sequer em uma parede de um escola, ou um professor descontente com salário (por exemplo), ou que, caso nada pareça ter de errado, não se possa até mesmo 'inventar'?

A reção de Daniel, portanto, no mínimo é frágil porque abre espaço para Iris ser mais malhado ainda.

***

O que toda essa história revela, no entanto, é outra coisa.

Um: além de não haver oposição em Goiás, de nada contra ninguém, ninguém sabe, no caso de se começar a fazer mesmo oposição, por onde começar.

Isso é que faz dura a vida de Daniel Vilela e Cia.

Ouvi de um vereador irista no final de semana que a reação na Câmara foi, em verdade em verdade, teatral.

Foi um cala-boca nos adversários, que se insurgiam contra o prefeito.

E teve o governador como alvo direto porque... bem, porque.... porque... bem, porque não há outro alvo.

Como é que é?

Isso mesmo.

Dois: além de ninguém saber por onde começar a fazer oposição, ninguém sabe também quem é o inimigo a ser de fato atingido.

Coisa mais engraçada.

Vejamos: o PMDB e o PP são inimigos? E o PMDB e o DEM? E o PT e o PP? E PR e PTB, são inimigos de alguém?

Como toda regra tem exceção, você poderá dizer: "Mas PSDB e PMDB são, sim, inimigos declarados, assim como PT e DEM!"

Tá, mas até que ponto?

Em Brasília, PSDB e PMDB conversam sobre uma aliança. Difícil imaginar que ela possa se estender a Goiás, mas poderá ela se ir além da eleição que vem, caso, por exemplo, de fato PMDB e PSDB se unam nacionalmente e vençam?

Não seria a rivalidade entre PSDB e PMDB em Goiás muito mais uma rivalidade entre Marconi e Iris? E há políticos mais pragmáticos do que eles, em se tratando de Poder?

No caso de PT e DEM, há declaração nacional de antipatia mútua, mas não há em Goiás um objetivo que os une, ou, pelo menos, os coloca na mesma direção, que é derrotar Marconi?

Mas o nosso ponto central nem é este, de pura especulação.

A questão é simples.

Três: se ninguém é oposição a ninguém, pelo menos por enquanto, isto principalmente se dá porque mesmo quem deveria ser oposição, não tem lá muito interesse em verdadeiramente se opor.

Porque, ao pé da letra, peemedebistas e tucanos tentam cada vez mais estabelecer que a disputa no ano que vem será entre Iris e Marconi, porque isso lhes é conveniente, mas o fato é que, hoje, onde o PSDB se opões com vontade e verve contra o PMDB - ou vice-versa?

Em Goiânia, pode-se dizer que o PSDB dá trabalho ao PMDB? Porque, mesmo considerando-se que o PSDB na Câmara é minúsculo, não seria o caso de os tucanos, de maneira geral, fazerem oposição, como forma de firmar posição? Isso acontece?

Em Aparecida, o PSDB ou os marconistas estão dando trabalho a Maguito, firmando posição?

Em Luziânia, onde PSDB e PMDB venceram duas eleições juntos, o que há de oposição?

E que oposição pode-se tirar de PSDB e PMDB brigando para saber quem endividou mais a Celg?

Voltando a PT e DEM... o que mesmo eles têm a opor um ao outro?

Deixa pra lá...

Mas esta não é toda com a história, sejamos justos.

Pois não seria ao menos arremedo de oposição o que fazem hoje PP e PSDB um ao outro, eles que originalmente são aliado?

Não é fumaça de oposição o que parte do PMDB faz em Aparecida, contra o peemedebista prefeito Maguito Vilela?

Há mais casos assim?

Há, mas nem é preciso enumerar tantos.

Talvez mais um, afinal: a forma como o governo age algumas vezes, deixando o silêncio falar mais alto, a ponto de criar fatos deverasmente (como diria Odorico) auto-desgastante (vide Caso Celg), não parece eficiente oposição - ou, vá lá, auto-oposição?

Dizer mais o quê? Talvez isto:

Quatro: por aqui, quem não deveria se opor é que faz oposição - ou quase.

***

É por essas e outras que fico aqui pensando com meus botões:

tem tarefa mais difícil hoje em Goiás do que ser comentarista político?

Alguém precisa ter dó da gente!

Se bem que, devo admitir, há em tudo isto algo que me motiva cada vez mais: a diversão.

Porque, moral da história: pode estar tudo muito esquisito, mas está principalmente muito, mas muuiito, mas muuuiiito é divertido!

Postado por Vassil Oliveira em 10/03/09 às 12:00.
Ler comentários ( 2)
Enviar por e-mail  ou imprimir post

24/02/09 - Terça-feira
Carnaval assim mesmo

postado na categoria Crônica

Definitivamente, ninguém foge do carnaval.

Fui para o interior sem contar a viv' alma para onde ia, mas parece que tava todo mundo lá, pelo menos parecia todo mundo, fazendo a mesma coisa, pulando, pulando, pulando, e era todo mundo porque a cabeça inchou na proporção exata do mundo todo, portanto...

Antes, a surpresa foi ouvir de dez entre dez pessoas para quem perguntei se ia pular ou descansar no carnaval, que "Não, não vou pular, vou descansar, dormir atééé...", no que me identifiquei de pronto, só que a proporção dos prontos para dormir para os prontos para ficar acordados até cair não me parece justa, a esta altura.

Ou isso ou todo mundo mentiu pra mim. Ou será que eu é que menti?!

Posso até dizer que a coisa não é bem assim, não é que eu estava fugindo do carnaval, estava fugindo é da agitação, porque parte do que se quer no carnaval, como a alegria, eu continuei e continuo querendo, só que de outro jeito, sem plumas e sem porre, em outras palavras, carnaval, sim, folia, não, eis o meu lema sempre nessas ocasiões, o que era para ser.

Era. Em tempos ligados, plugados, conectados, atados em todas as direções da moderna era dos novos achados (por todos) e perdidos (em si), fugir é impossível. Eis o que há.

Quer dizer, todo mundo tem direito ao seu carnaval, a questão é que o meu não quis muito saber de mim, ou, se quis, capitulou na primeira batida e no primeiro grito da primeira hora do primeiro enredo, sem primeiro falar comigo.

Resta que neste carnaval fui engolido não pela quietude do silêncio que compus em sonho antes, mas pela solidão dos pisoteados pela balbúrdia dos corpos despregados do chão depois que tudo se mostrou inevitável.

Não entendeu?

Explico: eu queria descansar de todo mundo; no final das contas, todo mundo se esbaldou em meu querer.

Ô-lê-lê, ô-lá-lá.

Postado por Vassil Oliveira em 24/02/09 às 17:10.
Ler comentários ( 0)
Enviar por e-mail  ou imprimir post

15/02/09 - Domingo
A mulher que comprou o jornal e deixou a tinta boquiaberta

postado na categoria Crônica

Estava eu calmamente na Revistaria Globo, semana passada, quando entrou uma mulher agitada, procurando jornais.

- Qual jornal a senhora quer? - perguntou uma atendente.

Eu ali, ouvindo como quem não quer nada, curioso para saber qual ela ia pedir.

- O mais grosso - ela então falou.

O mais grosso? Como assim?

- Um grande, de muitas páginas.

A atendente ficou quieta, talvez tentando entender o que estava acontecendo. Eu? Eu também não estava entendendo nada!

- Eu quero um jornal grosso porque estou pintando a minha casa e preciso cobrir os vidros. Quanto mais página, melhor.

Yes!

Ela não queria o melhor jornal, nem o pior, nem parece ter opinão sobre questões menores como essa, ela nem foi direto aos jornais, muito menos deu nomes de jornais que porventura pudesse conhecer. Nada disso. Ela queria papéis, apenas isso, papéis para cobrir os vidros, e estava disposta a pagar por isso, pagar o preço de um exemplar do dia.

A atendente, já dominando a situação, mostrou os que tinha, falou que todos eram "grossos" e, por fim, sugeriu:

- Por que a senhora não leva dois, assim terá papel suficiente...

E a mulher, que não é boba nem nada, naturalmente aceitou. Na hora!

Eu?

Eu continuo lá. Parado. Inútil.

Quem for à revistaria vai me ver, uma estátua de tinta.

E em nome da verdade dos fatos, devo avisar a quem for lá: não há nada para ler, inabalável que estou na minha incomunicabilidade jornalística, por assim dizer.

A tinta é o que restou dos jornais inúteis comprados à vista.

Sim, à vista de todos, de todo o mundo!!

Postado por Vassil Oliveira em 15/02/09 às 18:21.
Ler comentários ( 5)
Enviar por e-mail  ou imprimir post

31/12/08 - Quarta-feira
Eu e Jesus somos muito amigos

postado na categoria Crônica

Eu e Jesus somos muito amigos.

Ele não se importa, por exemplo, que diga "eu e Jesus somos muito amigos".

"Se fosse eu falando, diria 'eu e o Vassil somos muito amigos'", explica ele, com ar natural de quem vive nas alturas e sabe viver lá.

"Não mereço tanto, amigo", costumo falar, esforçando-me para não parecer irônico (ah, essa humana mania de grandeza!). Porque é sincero. Não mereço vir antes de ninguém, quanto mais de quem estamos falando.

Falo isso para ele, com ar compungido de quem vive ao rés do chão e sabe como é viver aqui.

"Meu grande amigo, atente para o sinal dos tempos. Se eu fui enviado para cá, foi porque o Pai Nosso entende que você, inclusive, vem em primeiro lugar em seu coração. E Ele está certo, sempre está?", insiste Jesus, meu amigo, com toda calma possível só a quem não é deste mundo - quer dizer, possível só a quem está além deste mundo, como ele.

"Ou você acha que não, que Ele está errado?"

Ele fala com cara de quem é, sim, deste mundo, me olhando deste lado.

Claro que ele está muito acima dessas humanidades, mas imagino que foi irresistível a tirada, porque ser cruel, porém com carinho, muitas vezes é inevitável. Se levantam a bola, como não chutar?

Eu entendo, Jesus já esteve aqui. Sabe o que faz.

Eu e ele conversamos muito.

Há décadas ele tenta me fazer entender certas coisas.

Não entendo quase nada, mas não desisto; ele, muito menos.

Fosse eu, já teria me deixado falando sozinho faz tempo.

Tropeçando daqui e dali, vou seguindo.

E ele insiste, persiste, suspira, resiste, dá de ombros (ou de asas) quando ignoro por completo conselhos seus, e segue também seu caminho.

 

Postado por Vassil Oliveira em 31/12/08 às 12:37.
Ler comentários ( 3)
Enviar por e-mail  ou imprimir post

04/09/08 - Quinta-feira
Pilha de campanha

postado na categoria Crônica

Chega um momento em campanha, para quem está envolvido diretamente com ela, em que, diria Drummond, se diz: "Meu Deus!"

É um tempo de depuração, de certa forma.

Tempo em que os que avistam a possibilidade de vitória no horizonte vibram, extasiados.

Tempo em que os que vêem a derrota pela frente, sofrem, gritam, esperneiam, vêem algozes por todos os lados.

Os que comemoram, muitas vezes cometem excessos. Por exemplo, ironizam os adversários, tripudiam. Não devia ser assim, mas é assim que acontece, por conta de muitos fatores, entre eles a própria alegria da vitória sobre o adversário.

Os que vêem a derrota a poucos palmos dos olhos, não se conformam. Sentem-se como se o mundo conspirasse contra, como se fosse uma afronta do destino a escolha do outro para vencedor. É natural que a paixão eleitoral, a paixão de campanha, produza este tipo de sentimento. Quem já participou de uma campanha sabe como é o envolvimento, como é inclusive necessário este envolvimento por parte de parcela expressiva do grupo, e como é compreensível que isso aconteça mesmo entre aqueles que deveriam ser mais racionais que emocionais, para resguardar o próprio candidato de ser atropelado não pelo adversário, mas pela ansiedade de sua equipe.

Uma vítima contumaz nessas ocasiões é a imprensa. Todos os veículos são patrulhados o tempo inteiro, e na reta final, para quem está perdendo, não sobra um para receber um elogio, do tipo "foi imparcial", "cumpriu seu papel", "deu espaços a todos", e, principalmente, "neste e naquele veículo poderíamos até ter tido mais e melhor espaço, mas faltou uma ação nossa; faltou atender aos constantes pedidos de entrevista, negados pela nossa arrogância de achar que não precisaríamos; faltou, de nossa parte, ser menos apaixonados e compreender que jornalista pergunta e candidato responde e que isso é a ordem natural da imprensa viva".

A conspiração contra quem perde é real, na cabeça de quem já se dá por vencido, ou por quem, depois do resultado das urnas, precisa encontrar uma desculpa para a sua derrota e, em vez de olhar seus erros nos olhos, prefere apontar nos outros os defeitos que estão em si mesmos.

Tenho um amigo que diz que candidato ou colaborador que, em determinado momento da campanha, não avermelha os olhos, com o sangue quase saltando para fora, não é candidato a vencedor. É candidato.

É preciso entender, portanto, as paixões de campanha. É preciso saber que isso passa. Não é amor duradouro, porque depois os sentimentos tendem a voltar ao devido lugar. E, se não voltam, é porque a paixão virou doença. Muitas vezes, doença incurável. E aí... Meu Deus!

Meus amigos e minha amigas, leiamos mais Drummond. Ele sabe das coisas, políticas ou não.

Porque, afinal, isso tudo é tão demasiadamente humano, que, ou se faz filosofia, ou poesia. Ou as duas coisas, mas com rima.

Postado por Vassil Oliveira em 04/09/08 às 12:01.
Ler comentários ( 0)
Enviar por e-mail  ou imprimir post

23/08/08 - Sábado
Dormi uma noite inteira no coração do meu filho e sorri

postado na categoria Crônica

Dormi a noite passada no coração do meu filho.

Logo eu, que nunca tive dúvida de que de alguma forma estava ali, tinha um lugarzinho reservado só pra mim em meio aos batimentos vitais que se originaram também dos meus, só não sabia qual e tamanho físico e espiritual; logo eu, que por isso e por tantas outras razões nem deveria me surpreender mais com coisas assim...

Bem, aconteceu.

Coisa de pai, inseguro, pleno, incerto, confiante, desesperado noite e dia por saber que a gente é, para os filhos, inevitavelmente herói e bandido, uma vez que é da natureza humana, a nossa, a imperfeição, ainda que o Pai Maior, espelho dos espelhos, não o seja - porque, como pai, como Ele poderia negar aos filhos amados o livre arbítrio?

Pois o meu espaço no coração do meu filho foi por uma noite do tamanho de uma barraca. E, acreditem, não há nada maior no mundo - nem em outros mundos, posso arriscar com a autoridade de um pai que andou a noite inteira à velocidade do pensamento para rever seus próprios tempos de menino amando absolutamente o pai, em momentos tão e só nossos.

Dormimos no chão do colégio Ávila, no centro agitado de uma cidade vertical sem limites para a dura realidade. Só que o chão não era duro, o chão era de estrelas (por mais corriqueira que seja a imagem), o que talvez explique que um curioso garotinho falasse alto, de dentro da barraca vizinha, para o pai ouvir, imagino que sentindo medo e segurança ao mesmo tempo: "Paaaaii, será que aqui tem alienígena?"

Tantos pais, tantos filhos, tantas vozes dispostas ao amor, e, iluminada seja a moderna humanidade, tantos rostos e peitos e mãos e braços e ansiedades tão, mas tão dispostos ao derramamento incondicional desse amor, que nem dá para dimensionar, e que trazem junto o súbito impacto da saudade dos dias em que meus avós paravam o mundo para fazer rapadura... ou do tempo em que tudo ficava reduzido à espera de uma pamonha intraduzível boiando no tempero original da família... ou ainda das horas intermináveis em que se tinha gana de avançar no forno da padaria para tomar de surpresa aquele pudim que, pela misericórdia Divina, ninguém, até hoje, consegue fazer igual, crime inafiançável para toda a eternidade pelo qual meu avô certamente está respondendo lá para Deus!

Eu, que tenho tantas histórias para contar, tenho a felicidade de anunciar a todos que meu filho agora também tem uma história para contar.

Não é pouca coisa nesta altura da vida em que o ato de produzir uma pipa aos olhos dos filhos torna-se um acontecimento espetacular, em vez de ser algo do dia-a-dia, como era para nós muitos anos atrás, algo que saía de nossos dedos crianças com a naturalidade de uma pedra que é lançada no rio para tocar uma, duas, três, quantas vezes quer a nossa imaginação.

Não sei o que os outros pais acharam do 'Acampáivila', a noite dos pais no Ávila.

E eu nem vou dizer que achei lá o meu filho, porque ele, graças ao carinho e ao amor que meus pais me transmitiram, graças ao que eles me ensinaram com palavras e atos, e principalmente graças ao bom Deus que ele também me ensinaram a amar, encontro todos os dias, todas as horas, em todos os meus gestos reais e imaginários.

Tenho três filhos, e sou daqueles para quem isso significa ter tudo na vida. E o amor deles encontro todos os dias intacto, inabalável.

O que eu encontrei mesmo foi outro menino, um que em alguns momentos se ausenta, vai por aí, perdido nessas ruas de uma forma que não se perdia quando entrava pelo mato, pelo cerrado, em busca de pequi, guariroba, passarinho, jabuticaba, ingá, ou em busca de nada porque tinha tudo, um que não mostrava dúvida de onde queria chegar na vida: a um dia de felicidade por dia - nem mais, nem menos.

Eu me reencontrei. E foi bom. E foi espetacular. E foi único.

Na quadra do Ávila, no chão do amor do meu filho, na memória que me cobriu por algumas horas, no conforto de estar principalmente acomodado em outro coração, o de Deus, eu me vi.

Agora mesmo, escrevo e soluço, com o peito agredido pela alegria.

Não dá pra traduzir.

O que a gente faz da vida é o que a vida faz da gente.

Quer dizer: o pai é o filho e é o espírito santo. Depende do pai e do filho que a gente é.

Postado por Vassil Oliveira em 23/08/08 às 18:29.
Ler comentários ( 3)
Enviar por e-mail  ou imprimir post

02/07/08 - Quarta-feira
Zuenir Ventura é puro encantamento

postado na categoria Crônica

Zuenir Ventura esteve em Goiânia e encantou uma platéia de dezenas de estudantes. Eu estava lá. Fiquei, particulamente, encantado com ele e com o que ele conseguiu provocar na garotada. Mas ele encantou também quem o acompanhou durante dois dias: Elizeth Araújo. Aliás, uma Elizeth caminhando nas nuvens. No texto abaixo, ela conta um pouco do que viu e viveu. Foi publicado na Tribuna do Planalto. Um encanto. O texto, claro. Quanto a Zuenir, bem, Elizeth diz tudo.

***

Não sou de 'tietar'. Para não dizer que nunca 'tietei', certa vez não resisti e declarei minha admiração pelo canto de Ney Matogrosso no final de uma entrevista que fiz por telefone. É bom lembrar que a palavra 'tietagem' surgiu do Ney. Minha voz quase não saiu para dizer: "Olha, Ney, eu adoro sua voz!" Já para Cláudio Nucci, integrante do Boca Livre, escrevi um bilhetinho todo meloso e depois quase morri de vergonha, quando ele veio me agradecer no final de um show.

Quem nunca 'tietou' que atire a primeira pedra! Pois passei dois dias de pura tietagem ao acompanhar o jornalista e escritor Zuenir Ventura. Ele veio a Goiânia falar sobre o Maio de 68 para alunos, professores e jornalistas-convidados do Colégio e Curso Visão.

Na verdade, não fiz tietagem explícita, mas fiquei o tempo todo admirando o Zuenir. Mesmo quem não conhece toda sua história se impressiona no primeiro contato. Na quarta, 18, ele chegou a Goiânia, no Aeroporto Santa Genoveva, após mais de nove horas de vôo e espera. Saiu de Santos por volta das seis da manhã, foi para São Paulo e deu de cara com o aeroporto fechado por causa da neblina. Só conseguiu pisar em Goiânia às 15h30.

Mesmo cansado e faminto - só havia comido amendoim no 'Arraiá' da companhia aérea -, chegou sorrindo e pedindo desculpas pelo atraso. Fui logo me preocupando em desmarcar as visitas e entrevistas para que ele pudesse descansar no hotel. Mas ele se negou. Disse que quando viaja está sempre pronto a atender a todos os pedidos de entrevistas.

Em 2008, Zuenir não tem feito outra coisa a não ser viajar.

Para ler toda a crônica, clique AQUI (no blog) ou AQUI (na Tribuna).

Postado por Vassil Oliveira em 02/07/08 às 15:46.
Ler comentários ( 0)
Enviar por e-mail  ou imprimir post

24/05/08 - Sábado
A difícil arte da repetição

postado na categoria Crônica

* Política e futebol são uma caixinha de surpresas, mas as surpresas são sempre as mesmas

***

- Ih, base aliada, PMDB, base aliada, PMDB... Todo dia!?

Todo dia faço um comentário de cinco minutos na Rádio 730, ali pelas 7h20. Assunto: política. Tema recorrente: o embate entre governistas e peemedebistas. A Patrícia, minha companheira há dezessete anos (mais dois de namoro) e autora da frase aí do início, é daquelas que perde o marido, mas não perde a piada. Portanto, já dá pra saber que a frase aí de cima é dela. E ela só não a repete todo dia porque ela sai antes, para ir trabalhar. Porque... bem... não dá pra negar: ela tem lá muita razão no que diz.

Em minha defesa devo dizer que falo também do PT, dos partidos pequenos que vez ou outra fazem algo que chama a atenção, falo um pouco de política nacional, enfim, falo outras coisas. Mas falo mais de base aliada e PMDB. Sim, mais do mesmo.

Outro dia me contaram que meu amigo Pablo Kossa, jornalista bom de texto, filho do meu querido poeta Ubirajara Galli, reclamou: o Vassil tá repetitivo. Dizer o quê? Pablo, você tem razão.

Quando fui convidado a fazer dois comentários na Rádio 730, além da participação no principal programa político da emissora, o Cá Entre Nós, pensei logo no drama que teria pela frente: justamente fugir da repetição. Porque política é política, não há uma terceira força política no Estado que inspire respeito venerável, e o dia-a-dia político no Estado não foge deste interminável lugar-comum.

De cara eu entendi que o desafio não seria apenas comentar os fatos políticos do dia. Seria fazer isso de modo a não ser, principalmente,... repetitivo. Busquei inspiração no Evandro Gomes, respeitado comentarista esportivo da própria Rádio 730. Nele e no Edson Rodrigues. Neste, porque me impressiona como ele sabe levantar a bola com a voz, como ele não perde o pique, como ele mantém o ouvinte motivado mesmo quando o que se vê em campo é coisa de chorar, não de rir e vibrar. Inspirei-me também no amigo Joel Fraga, que sabe dosar como poucos o entusiasmo e o bom senso.

Eu tinha que buscar referência em alguém, foi o que concluí, porque não é fácil não desaparecer ao lado de comentaristas como Marcelo Heleno, Altair Tavares e Marcos Cipriano, que todo dia batem ponto no Cá Entre Nós e tem no rádio o ambiente natural de sobrevivência, enquanto respiro melhor em papel jornal.

O Evandro fala de esporte, futebol mais que tudo, e futebol goiano essencialmente, todo santo dia. E não é repetitivo. O Edson e o Joel são capazes de narrar a final do Campeonato da Estrada de Ferro, Passa Quatro x Gameleira, como se fosse final de Copa do Mundo. Embora, fique registrado, Passa Quatro X Gameleira seja, de fato, coisa de outro mundo de se ver. Eles fazem isso e jamais são repetitivos. Jamais são chatos. Jamais deixam o ouvinte com vontade de dormir.

Mirei mais fortemente no exemplo do Evandro porque ele também faz comentário de manhãzinha na Rádio 730, logo depois de mim. Questão de honra, pra mim, não fazer feio. E porque ele tem uma facilidade pra falar, com calma, sem atropelo algum, concatenado como poucos, com a voz serena, que dá gosto. Parece James Joyce narrando. Sempre penso nisso, porque ele falando é Joyce escrevendo, por fluxo de consciência, com a diferença de que Evandro pontua.

Tudo isso eu sempre fiz para não ser, ai, ai... repetitivo. Mas não tem jeito.

Procuro me iludir, para não cair em depressão profunda (como se gente de Passa Quatro fosse disso!), argumentando comigo mesmo que, peraí, futebol é mais fácil, quarta e domingo tem jogo, e todo jogo inspira um comentário novo, sem falar que em futebol há sempre um Túlio para animar as coisas.

Como disse, pura ilusão. Se há duas áreas que se parecem, elas são justamente as do futebol e da política. As duas são cheias de intrigas, puxadas de tapete, ações de bastidores, dirigentes chutando as canelas de torcedores/eleitores. As duas têm tanta afinidade que reza uma lenda que Roberto Marinho, certa vez, para animar a cobertura política do seu jornal, em maré meio cambeta, simplesmente trocou as editorias. E funcionou!

No futebol goiano, por exemplo, o Goiás tá um horror de time. A culpa é de quem? Dos dirigentes - é o que mais se ouve. Na política goiana, a base aliada está horrivelmente dividida. Culpa de quem? Dos dirigentes, claro, que não passam a bola e muito menos instruem os jogadores sobre o que fazer, entre outros campos, na Capital. E o PMDB? Como o Vila Nova, tem a torcida mais animada, é sempre favorito, mas nos últimos anos nada, nada e... nada. Morre na praia. Este ano pode ser diferente? Todo ano pode ser diferente.

Como ser original como um cenário destes?

No livro Eleições do Início ao Fim, sobre a disputa de 2006 para o governo, fiz questão de registrar lá na abertura que originalidade, em matéria de análise política, é coisa das mais difíceis. Normalmente, o que parece novo hoje foi dito lá atrás, só que em um momento em que ninguém prestou atenção, ou as nuvens eram outras.

Nem comemoro mais quando alguém me diz que gostou do que escrevi, porque escrevi diferente, ninguém tinha pensado nisso, essas coisas. Porque quem me garante que alguém já não tinha apontado o mesmo antes? Pode ter acontecido, e passado desapercebido, por mim, por todos. Nessas horas, humildade é questão de honra. E credibilidade.

Tento resolver o dilema da repetição com a busca da criatividade. Porque, embora haja pouco a ser inventado, certo é que em política e futebol há pouco a ser inventado. Aliás, gênio é aquele jogador que, dentro das quatro linhas e obedecendo as regras básicas existentes há dezenas de anos, consegue se destacar, ser melhor que todos os outros, chegar ao estrelado e ao reconhecimento. Como digno de respeito é aquele político que vai longe, ainda que não reinvente a roda.

Dá pra falar de política em Goiás sem considerar o cenário de 2010? Não dá. Mas estamos em 2008! E daí? A Copa do Mundo é só lá em 2010 também, e quantas vezes escalamos o time? Não só escalamos o de 2010, como já vislumbramos a Seleção de 2014, quando sediaremos a Copa. Como não fazer isso? Ninguém é de ferro. Simplesmente, não dá.

E não importa que esse lenga-lenga na base aliada, da falta de time para enfrentar o favorito prefeito Iris Rezende (PMDB), venha de meses, não ata nem desata. Não importa que o fato mais importante da semana seja idêntico ao semana passada, que era igual ao de uma semana antes, e assim por diante, ou melhor, para trás. Qual fato? Que continua faltando time para enfrentar Iris.

Porque ressaltar isso é o fato político mais relevante do momento. Ele mostra desarticulação aliada, mostra que os problemas de relacionamento entre os dirigentes, digo, líderes aliados permanecem agudos, e que, a continuar desse jeito, o Campeonato Goiano, quer dizer, a eleição deste ano já está decidida. E já meio decidida a outra eleição, de 2010, quando o PMDB entrará em campo com o time principal, capitaneado pelo Pelé-Iris, e o adversário não passará do combinado da Ponte Funda com a Caraíba, o que, convenhamos, não é páreo nem para o Passa Quatro E. C.

Fico pensando: na toada que as articulações políticas no Estado vão, teremos em 2008 a base aliada na condição em que estava o time do Goiás na final do Goianão deste ano, e o PMDB, como o Itumbiara, campeão de fato e de direito. Eu vi. Eu estava lá. Foi um massacre.

Mas haja criatividade. Tem dia que quem me salva é o São Marcley. São Marcley, para quem ainda não sabe, é o Marcley Matos, santo protetor dos despautados, ou sem pauta, lá da Rádio 730.

- Marcley, falo de quê, hoje?!

O Marcley sempre tem uma sugestão. Ele e a santa Elizeth Araújo, a santa editora geral da Tribuna do Planalto. Que invariavelmente recai na briga PMDB x base aliada. Fazer o quê?!

Falar em Elizeth, no início do ano inventei de escrever uma página na Tribuna toda semana, o que ela comemorou porque eu disse que não ia escrever só de política. Otimista demais, esta Elizeth. E por que uma página? Porque escrever é como bater balãozinho, uma coisa puxa outra, e o treino é a chave da busca da perfeição. Escrever, escrever, escrever... quem sabe, assim, aprendo? Brincadeira. É que gosto de me desafiar, às vezes, para ver no que dá.

Mas a idéia era mesmo escrever sobre política e sobre qualquer outra coisa, menos política. No começo, funcionou. Até poesia saiu aqui, nesta página. Coisa que eu não mostrava a ninguém desde que eu tinha uns 20 anos. Só que bastaram umas oito poesias para a reclamação chegar à Elizeth: "Olha, o Vassil tá aí... não tá bom, uma página é muito... tá entendendo?"

Tô entendendo. Bom, parei de colocar poesia aqui, continuei fazendo uma página inteira, e as reclamações sumiram. Porque é isso: uma página de política, pode; uma coluna de poesia, aí não!

E é isto. Reclamam que falo de política demais, porém reclamam mais quando não falo de política. E eu fico aí, nessa roda viva, sonhando em um dia fazer como meus primos, que, carreando leite, ganham muito mais que jornalista sonha ganhar e têm muito menos aporrinhações. Fico também me garantindo que, na verdade, eu não gosto de político, que só vou fazer isso por mais alguns anos, e que a minha aposentadoria me reserva algo que nada tem a ver com política. Dá pra acreditar?

Não é gloriosa a vida de comentarista político. Errar é humano? Para o comentarista político, não é. Sim, porque, dependendo do comentário do comentarista, o comentário do leitor/ouvinte/telespectador é um só, mortal: "Aí, ó, ele só tinha falado aquilo porque estava protegendo fulano." Ou seja: comentarista político não é humano nem na hora que, humanamente, erra. Pensando bem, comentarista político é humano?

Daí que todo mundo tem razão em cobrar que eu, tu, eles, nós todos, pretensos leitores e interpretadores da cena política, não sejamos repetitivos. E razão temos nós de acreditar que isso é inevitável. Porque os que cobram outro assunto da gente são os mesmos que nos deixam de lado quando abandonamos a repetição política para falar, vejamos, da necessidade de doar órgãos, ou que é preciso pensar mais nos outros do que em nós mesmos. Eles não nos aceitam... diferentes.

Donde se conclui: somos repetitivos porque o tema o é, porque a platéia não muda e porque fazemos parte tanto de um quanto da outra. Por acomodação. Ou por aclamação. A vida...

E bola pra frente!

(Publicado na Tribuna do Planalto, edição de 25.05.2008) 

Postado por Vassil Oliveira em 24/05/08 às 12:57.
Ler comentários ( 2)
Enviar por e-mail  ou imprimir post

02/03/08 - Domingo
ForadoAir

postado na categoria Crônica

Ora, viva! Agora faço parte desta imensa comunidade dos atingidos pela crise aérea brasileira. Sim, muito obrigado, muito obrigado pelos cumprimentos, quero agradecer a todos, em especial minha mãe e meu pai, que me deram a vida, porque, sem ela, eu não teria chegado aqui, não poderia jamais presenciar o caos, e senti-lo na pele, o que é o mais importante.

Fui de Goiânia a Palmas e, em menos de 48 horas (claro, poderia ter sido pior), passei mais tempo temendo o aeroporto e esperando, esperando, esperando, esperando, depois fazendo troca não prevista de aeronave, novamente esperando, esperando, caindo em uma conexão sem fim, para mais espera, espera, tanta espera, que, se você se cansou lendo essa repetição interminável de palavras, imagine eu, que passei por tudo e, em vez de chegar com o sol em casa, como previsto, fui guiado enfim pela lua alta que, ao que vi, acabou enfarada de tanto que a olhei em súplica inútil, pedindo pelamordeDeusmeleveembora, da mesma forma que você deve estar dizendo pelamordeDeus termine logo esta frase, no que tem razão, portanto, para terminar, e retomando o fio da meada, quero dizer que passei mais tempo temendo e esperando do que voando e trabalhando, como sói acontecer em civilizações mais avançadas.

E lembrar que foi um brasileiro, Santos Dumont, que inventou o avião... Foi de doer.

Eu não estava sozinho, claro. Sebastião Barbosa, o diretor-presidente da Tribuna do Planalto, estava junto. Ele e mais um caminhão, digo, um avião de gente. Mas Tião não conta. Ele tem tanta paciência, mas tanta, que seria capaz de emprestar um pouco a Jó o que Jó mais teve, e a fundo perdido, sem qualquer prejuízo ao seu juízo. Foi por causa do Tião que meus olhos horrorizados também se divertiram. Do Tião e do Ruimar, o cabeleireiro das estrelas.

Ruimar tinha ido à capital tocantinense convidado por Geninho, técnico do Atlético Mineiro, para ver o jogo do Atlético X Palmas, na noite anterior. Jogo que terminou simplesmente em 7 a 0 para o visitante. Eu vi. Eu também estava lá. Ruimar é do time do Tião: a paciência em pessoa (parênteses: ainda bem, né, porque já imaginou um cabeleireiro neurótico!?). Pois veja: os dois lá, "de boa", como diriam meus antenados filhos, e eu... Bem, eu sobrevivendo. Por fim, rindo para não chorar.

Quase uma hora para sair, conexão em Brasília, viagem ao destino depois de troca inesperada de aeronave. Dia seguinte: meia hora de fila para check in, mais de uma hora de atraso para decolar, em Brasília outra troca inesperada de aeronave, com longa espera sem qualquer tipo de notícia de nada no aeroporto, até uma alma bondosa ponderar que o problema era - bem, devia ser - a chuva forte que caía em Goiânia.

Para sua informação, não havia moça no guichê de informações da empresa aérea. Foi preciso uma mulher grávida apelar ao balcão da Infraero para que a empresa fosse acionada e, enfim, desse o ar da graça. Deu. Deu e com direito a um show de malabarismo.

Acompanhe desde o início: nosso vôo original de volta era Palmas-Brasília-Goiânia. Este mesmo vôo seguiria para São Paulo. E não estava prevista troca de aeronave. Pois em Brasília tivemos de descer para pegar outro avião. Foi quando esperamos um longo tempo sem notícia de nada. Quando a grávida entrou na história e a empresa mostrou serviço, o mais inesperado: a nova aeronave que nos levaria para Goiânia era, vejam só, a antiga, aquela, a que nos trouxera de Palmas.

O que aconteceu: essa aeronave deveria ter ido Brasília-Recife direto. Nós iríamos em outra, que tomaria então o destino de São Paulo. Ocorre que, por razões que ninguém nunca explicou, fomos colocados com os passageiros para Recife, e aqueles que iam para São Paulo, coitados, ficaram a ver navios, quer dizer, tiveram de dormir na capital federal, certamente porque não havia aeronave disponível. Ou será por outro motivo? Bem, sei lá... Só sei que, se não vi a reação dos passageiros que ficaram, vi a de uma recifense absolutamente contrariada. Além de o vôo estar atrasado, ainda tinha de ir para essa Goiânia. Dizer o quê?

Desrespeito? Com certeza, e completo. Me senti agredido pela irresponsabilidade de Deus e todo mundo: da empresa, por razões óbvias; do aeroporto, por nem limpar direito o banheiro; da banca, que nem tinha mais os jornais do dia; do ministro Jobim, de Lula. Eu disse de Deus? D'Ele também, com essa história de livre arbítrio, como se eu estivesse ali, sofrendo, por vontade própria. Se bem que eu é que não quis viajar de ônibus...

E ainda tivemos de assistir ao vivo a uma acalorada discussão das aeromoças (você acredita que uma delas só atendeu ao chamado de uma senhora depois de ser chamada de comissária? Naquela altura do campeonato!!) para ver qual delas ia tirar folga no final de semana. E a cara amarrada? Nem o fato de que eram lindas ameniza o que passamos. Ou melhor: eu passei. Tião e Ruimar eram só cara de paisagem...

O importante é que tô vivo, independente de eu ser um otimista nato, quando quero. Eu e milhões de brasileiros, é verdade. Mas aproveito para mandar o meu recado para Jobim e Lula. Não sei se falo em nome de mais alguém, em todo caso no meu já está bom. Quero dizer a eles que alguém tem de dar jeito nessa m..., e que, se eles não dão conta de resolver o problema, então "pede pra sair!", "pede pra sair!"

À OceanAir, a empresa que nos proporcionou tão inspirados momentos, o quê dizer? Talvez isto baste: quem não tem competência, não se estabeleça! Pra mim, tá decidido: pelos próximos meses, anos, se preciso, até que a crise na aviação brasileira passe de vez, conexão aceitável só as que faço há anos no vôo para São Miguel do Passa Quatro, com as quais já estou perfeitamente habituado: uma no posto de gasolina logo depois da saída de Goiânia, outra lá na frente, depois de Bela Vista. E assim mesmo por uma única razão justificável: abastecer. Entendeu? A-bas-te-cer. Com ou sem aeromoça na aeronave.

(Publicado na Tribuna do Planalto em 2.3.2008. Veja AQUI)

Postado por Vassil Oliveira em 02/03/08 às 00:02.
Ler comentários ( 0)
Enviar por e-mail  ou imprimir post

03/02/08 - Domingo
A falta que o showmício faz

postado na categoria Crônica

Os showmícios, proibidos na última minirreforma eleitoral, foram substituídos pelas carreatas como instrumento de massa das campanhas (ou seria de campanhas em massa?), na eleição passada. E os comícios, que deveriam redimir a voz dos candidatos, ofuscada durante anos pela voz dos cantores, não chegaram a ser um fracasso completo, mas chegaram perto.

Resultado: faltou o calor do povo na eleição de 2006 e sobraram acenos de mão de candidatos que olhavam para o eleitor do alto das carrocerias das caminhonetes lotadas de assessores e apoiadores providenciais, todos correndo contra o tempo, tudo revelando uma estranha inversão de ótica estratégica, em que o candidato não mais armava o circo para ser visto, tinha de correr pelo picadeiro para chamar a atenção. Quer dizer: o circo era o povo.

Uma candidata a deputada reeleita em Goiás estava desolada ao final da disputa. "Era para eu ter muito mais voto", reclamou, suspirando. Era a própria viúva, uma delas, da falta dos shows com cantores e artistas, que facilitavam a vida daqueles que buscavam dar um aceno ao distinto público eleitor do alto de um palco, e não de um palanque.

Não que a deputada fosse contra a decisão aprovada na minirreforma. Ela jurou ser a favor. O problema é que ela e muitos outros candidatos foram pegos de surpresa, e, sem poder contar com o tradicional expediente, sofreram com a própria falta de criatividade e a de seus marqueteiros para chegar ao fundo do coração do eleitor.

Os showmícios foram abolidos para baratear as campanhas e ajudar a acabar com o caixa 2, já que a maioria deles ou não era contabilizada, ou era mas com valores muito abaixo do real. Não consta, porém, que o objetivo tenha sito atingido como se esperava.

Entre coordenadores de campanha em Goiás, a avaliação no final da corrida eleitoral era de que houve apenas 'transferência de renda': o dinheiro que se gastava com os cantores foi parar nas mãos de vereadores, prefeitos e outros líderes de ocasião, que cobraram muito mais caro seu apoio. Ou seja: esse pessoal ganhou mais dinheiro, vendendo-se a peso de ouro. Claro, sempre há honrosas exceções, sempre, acreditemos.

Entre os candidatos ao governo, o que mais se utilizou das carreatas foi o governista Alcides Rodrigues (PP). Apesar de ter sido vice-governador durante mais de sete anos, e de ter assumido o governo em abril, Alcides era pouco conhecido da população.

Para contornar isso, ele percorreu, em poucos meses, todos os 246 municípios do Estado. Foi, aliás, a mesma estratégia adotada pelo senador Marconi Perillo quando disputou o governo pela primeira vez, ao lado do próprio Alcides. Na época, Marconi era tão ou até menos conhecido que Alcides da população goiana. Deu certo.

Em sentido inverso, foi justamente por ser, ao contrário do governador, bastante conhecido - ex-governador e senador, era líder disparado nas pesquisas -, que o candidato peemedebista, Maguito Vilela, evitou, no início, as carreatas. Preferiu dar mais atenção às visitas, reuniões e caminhadas. No final, porém, não houve jeito: teve de aderir ao cordão de carros. Inevitavelmente.

Demóstenes Torres (PFL) foi outro que, antes das carreatas, investiu nas reuniões e pequenos eventos. Por fim, teve de se render. Barbosa Neto (PSB) fez menos carreatas, mas fez. Ficaram fora da lista dos 'carreateiros' apenas Elias Vaz (PSOL) e Edward Júnior (PSDC), e mais por falta de estrutura do que por opção estratégica.

E qual é a mágica dos showmícios para atingir o coração do eleitor? Eles criam expectativa, vendem ilusão, emocionam. Eles predispõem as pessoas à mensagem de um candidato que, em essência, é a mesma desde que as eleições foram inventadas: Vote em mim!

Naturalmente, esta não é uma receita infalível, senão não haveria perdedor. Fato é, todavia, que os showmícios funcionavam. Foram fundamentais, por exemplo, na vitória de Maguito Vilela em 1994 e na reeleição de Marconi Perillo em 2002. E veja que eles jamais entraram na lista de fatores responsáveis por uma derrota, a não ser entre os itens que fizeram muita falta.

Mas cadê o povo?

Em Goiás, a campanha de 2006 para o governo só provocou algum alvoroço na última semana do primeiro turno. Nem no segundo turno ela emocionou a ponto da emoção, aquela de reta final, que faz o sangue ferver e o suor escorrer desregrado, transformar-se em elemento desestabilizador. E os contatos com o eleitor seguiram em igual medida: frios. Pior para os coordenadores, que se angustiavam na mesma proporção com que se aproximava o dia da votação. Culpa dos showmícios não era, mas eles tiveram lá seu peso em tudo que aconteceu - e no que não aconteceu.

No geral, foi uma campanha em que ninguém entendeu o povo. Em 'tempo real', ninguém conseguia saber exatamente o estava ocorrendo. E quanto mais o tempo passava, mais confuso tudo ficava. "Não sei o que vai acontecer. Tá muito esquisito. Nunca vi uma eleição assim", chegou a escapulir a um pequeno grupo de jornalistas o responsável por uma das principais campanhas de rua para o governo.

Onde estava o povo? Escondido? Mas escondido de quem? Há uma resposta fácil a esta pergunta: o povo estava em casa, admitindo apenas aos seus botões a ojeriza que sentia aos políticos depois de tantos escândalos vistos no País. Fácil porque não é uma resposta que pare de pé ante esta constatação: se tanta ojeriza havia, por que ela não se voltou contra aquele que teoricamente promoveu o mensalão, o maior de todos os escândalos mencionados durante meses: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva?

A dissimulação do povo, o silêncio do povo, a cautela do povo, a sabedoria popular, seja qual for a avaliação, talvez isso tudo, e mais que nunca saberemos, explique outro ponto curioso da eleição passada: os muitos erros das pesquisas. Foi um show à parte, mais que em outras vezes. Ou seja: o povo enganou mais os institutos. Deu mais trabalho - nos dois sentidos.

Assim como as pesquisas, showmícios não ganham nem perdem eleição. São elementos dentro de uma engenhosidade muito maior. É certo que fizeram falta a muitos candidatos, e decerto fizeram também a tantos eleitores mais interessados no espetáculo de uma eleição do que nas suas conseqüências. Mas a ausência deles não mudou o curso da história. Assim como a existência deles não era garantia de nada. Quando muito, torceu a prática eleitoral para outro lado. O caixa 2? Tavai aí, ficou aí. O resto é ilusão. 

 

(Este texto estará também Tribuna do Planalto de amanhã, dia 3)

Postado por Vassil Oliveira em 03/02/08 às 13:14.
Ler comentários ( 0)
Enviar por e-mail  ou imprimir post

23/01/08 - Quarta-feira
Haja paciência!

postado na categoria Crônica

Do ponto de vista macro, econômico e comportamental, a paciência é um ativo imensurável, estruturante, pois cria uma base que é por si só um diferencial de qualidade para a vida, o que, por conseguinte, positiviza a problemática do ser humano enquanto tal, ser por ser, à mercê e em conseqüência do que comumente se conhece como tempo. Pois então.

Ter paciência não é fácil. Quem tem, preserva. Quem não tem, pagaria caro se encontrasse, assim, dis-po-ni-bi-li-za-da no mercado. Paciência, a oferta é menor que a demanda.

Rico seria meu tio Antônio, uma usina de paciência lá na Brasilinha, se vendesse o que tem de sobra. Já tentaram tirá-lo do sério, mas o máximo que conseguiram foi que ele tirasse o pito da boca e desse uma sonora cusparada para o lado. Gastou nisso nem um 1% de seu suspiro.

O problema é que meu tio não vende paciência. Só esbanja.

 

Está esta semana na Tribuna do Planalto. Para ler mais, clique AQUI (no blog) ou AQUI.

Postado por Vassil Oliveira em 23/01/08 às 11:58.
Ler comentários ( 0)
Enviar por e-mail  ou imprimir post

14/01/08 - Segunda-feira
Aqui e lá, nos Estados Unidos

postado na categoria Crônica

Está também na Tribuna do Planalto desta semana:

Em uma campanha nos Estados Unidos, o que um candidato diz pode desequilibrar uma eleição; o que pensa, tem peso destacado; a sua história, conta decisivamente.

Em Goiás, o que um candidato diz, depois desdiz e fica tudo por isso mesmo; o que ele pensa, não conta, e muitas vezes até atrapalha; e a sua história pouco conta na decisão do eleitor.

E não adianta dizer que Goiás nada tem a ver com os Estados Unidos. Está claro. Nem que lá está em disputa a presidência do país, e aqui, o comando de prefeituras.É o que se vê. Vale que tudo dá o que pensar.

Para ler mais, AQUI. Para ler direto na página da Tribuna, AQUI.

Postado por Vassil Oliveira em 14/01/08 às 07:00.
Ler comentários ( 0)
Enviar por e-mail  ou imprimir post

01/01/08 - Terça-feira
Pra recomeçar... E começar 2008

postado na categoria Crônica

Em política, o fato também é ficção.

Não, a frase não está boa. Sobra o 'também'.

Em política, o fato é ficção.

Mais ou menos. Porque nem sempre o fato é ficção, embora a diferença entre uma coisa e outra seja muito sutil, mínima, e muitas vezes nem seja verdadeiramente compreensível, porque uma coisa é outra independente da política.

Melhor estaria a tirada com o 'também'? Nem tanto. Não tão bem. Mania de também!

O fato é fato quando um governador anuncia um pacote de medidas que inegavelmente renega a ordem anterior porque estabelece uma nova sob o pressuposto de que aquela não estava assentada na responsabilidade, ainda que tudo seja continuação de tudo - um tempo depois do outro, entende?

É ficção quando um governador anuncia um pacote de medidas e diz que inegavelmente ele não renega a ordem anterior, embora reconheça que estabelece, sim, uma nova a partir do pressuposto de que a anterior era irresponsável, posto que a sua é responsável, como escreve e assina, independente dos tempos em questão, se é que, bem, você me entende.

É fato quando uma base de políticos aliados se deteriora em meio à guerra aberta por cargos. Loteamento de governo pode não existir na teoria, mas é da política, quem não sabe disso?

É ficção quando vem um desavisado, mais realista que o rei e seus súditos, e garante que a base, em frangalhos, não está brigando, está é brincando, vejam só, e que tudo em contrário é culpa da imprensa. Para os políticos, imprensa é ficção: bobo de quem acredita nela. E nisso, a bem da verdade.

É fato quando um prefeito que já foi governador duas vezes afirma reiteradamente que não sabe se será candidato à reeleição este ano, está pensando, em 'intindimento' com seus botões, mas admite disputar o governo em 2010, "se for a vontade de Deus e do povo". (Aliás, redundância: já viu político sem Deus e sem povo?)

É ficção quando este mesmo prefeito nega que esteja em campanha mesmo tendo acabado de inaugurar um reles viaduto que, por astúcia marqueteira, transcendeu, transformou-se em monumento, bonito, por sinal, estabelecendo um marco para a cidade e marcando posição política.

É fato quando o PT diz que terá candidato próprio à Prefeitura da capital no ano que vem.

É ficção pelo mesmo motivo, porque o PT, meu Deus, não se sabe mais se é fato ou ficção, porque, enfim, não é mais aquele. (Não, nada de trocadilhos. O PT 'já era' coisa nenhuma; só está um tanto quanto desnorteado. Isso passa. Não passa?)

É fato que os partidecos não gostam de ser chamados de partidecos.

É fato também que são, e que estão se assanhando em lançamentos de candidaturas só para ver se negociam mais caro sua adesão a quem oferecer mais. Ou seja: tudo como dantes no quartel de... você sabe. Mais do mesmo. O mais é ficção.

É fato que muitos políticos sonham com eleição para prefeito, fazem de conta que não é com eles, retardam o inevitável, que é a campanha, nesta hora travestida de pré-campanha, e que na realidade estão que não se agüentam de vontade de entrar no samba eleitoral muito antes de vir a ser rima de Carnaval - pobre, por sinal. E é ficção que, por obra de pura especulação e uns pontinhos incertos em pesquisas destas horas de nuvens de ocasião, sejam favoritos. O fato é outro.

É ficção que um político visite outro, seu adversário, com desculpa de lhe dar um presente, leve a filha assim como que desinteressadamente - merecendo, de fato, reprimenda pública por exploração da pureza infantil (logo a filha, inocente!!), justo o que falta à política -, para poder tirar foto e expor no dia seguinte nos jornais com santidade natalina, e diga que isso é real e isso seja real. Realmente, há quem pense que 'a gente somos bobos'.

É fato que um governador, negue ser fotografado com este mesmo político, supostamente seu aliado, e nada fale a respeito com imprensa azul, morena ou marrom, qualquer uma. E ficção que tudo não passe de fumaça (coisa da imprensa, coisa da imprensa!!), e fique o dito pelo não dito, não seja o fato prova de uma relação que, de amistosa, não passa de cada vez mais insustentável ficção.

Em política é assim. É o que é.

Assim como é fato igualmente que este blog vai tratar tanto dos fatos fatos quanto das ficções da política (goiana, em especial), protagonizados por gente como o governador Alcides Rodrigues (PP), o senador Marconi Perillo (PSDB), o prefeito Iris Rezende (PMDB) e tantos outros atores e artistas do nosso dia-a-dia político.

Atores e artistas no bom sentido, claro (seja lá o que isso for), feito os analistas, críticos, articulistas, enfim todos que escrevem, falam, pensam política e sobre os políticos, de fato ficcionistas em potencial, por força do hábito ou da realidade, sejamos justos.

De minha parte, confesso: às vezes, nem eu sei o que sou. Nada mais que um ficcionista? Quem sabe. Mas nisto, eu sei, permitam-me dizer, estou bem acompanhado: também (admitam: este está bem, aí!) Shakespeare, ou Hamlet, se preferirem, não sabia se era ou não era, e antes deles Sócrates, aquele, coitado, que confessou que só sabia que nada sabia.

Eu não sei. Só sei que é assim.

Não quer dizer que tudo aqui será ficção. Não! Quer dizer que será fato quando for fato, e ficção quando for ficção. Simples assim, embora seja razoável lembrar que falar é fácil, escrever é que são elas.

E para desanuviar um pouco as coisas, terá ademais este espaço poesia, prosa, a ficção de poetas e escritores, estes seres indescritíveis que refletem tão bem os (e sobre os) fatos concretos da vida. Por um motivo ilustre: precisamos falar principalmente de assuntos variados, porque política não dá futuro a ninguém, a não ser aos políticos e aos corruptos de toda coloração - e isto nem é algo original que se diga.

Não se preocupem. Na vida, como em política, tudo se ajeita, para um lado ou para o outro, independentemente do time para o qual você torce. Se não está ajeitado é porque ninguém escreveu sobre isso ainda. E alguém sempre escreve, principalmente se tiver cachê.

Então, vamos lá.

Para começar: Feliz 2008 a todos!

E, creiam: desejo isso de coração. Não, definitivamente não é ficção.

 

PS.: Quem vem acompanhando o blog, vê logo que ele está de cara nova. Mas chega, depois falamos disso. Por ora, é muito fato para um post só.

Postado por Vassil Oliveira em 01/01/08 às 00:00.
Ler comentários ( 1)
Enviar por e-mail  ou imprimir post


Mostrando posts de 1 a 13 de um total de 13


Conheça mais sobre o autor deste blog.


Análise
Artigo
Colaborador
Conto
Crônica
Ensaio
Geral
Poesia



Fevereiro - 2010
Janeiro - 2010
Dezembro - 2009
Novembro - 2009
Outubro - 2009
Setembro - 2009
Agosto - 2009
Julho - 2009
Junho - 2009
Maio - 2009
Março - 2009
Fevereiro - 2009
Dezembro - 2008
Novembro - 2008
Outubro - 2008
Setembro - 2008
Agosto - 2008
Julho - 2008
Junho - 2008
Maio - 2008
Abril - 2008
Março - 2008
Fevereiro - 2008
Janeiro - 2008
Dezembro - 2007
Novembro - 2007
Outubro - 2007


Afonso Lopes
Altair Tavares
Caldas Novas Notícias
Célio Silva
Chapa Branca
Cleber Toledo
Deolinda
Diário da Manhã
Diário do Norte
Eduardo Horácio
Eduardo Sartorato
Elson Gonçalves
Faxina Geral
Fleurymar de Souza
Hoje
Jornal do Estado de Goiás
Jornal Opção
Josias de Souza
Leo Iran
Liorcino Mendes
Lisandro Nogueira
Marco Aurélio Vigário
Marcos Cipriano
Marcus Vinícius
Noblat
O Popular
Paulo Beringhs
Rádio 730
Rádio E
Rádio Pau Terra
Revista Bula
Richard Belle Branco
Ronaldo Caiado
Rubens Otoni
Salomão Sousa
Thiago Peixoto
Tribuna de Anápolis
Tribuna do Planalto
Tribuna do Sudoeste



© 2007 - 2008. Blog do Vassil Oliveira. Reprodução permitida desde que citada a fonte.
Desenvolvido por carlosfilho.com