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Categoria: Ensaio

26/05/09 - Terça-feira
FIM DA BASE ALIADA? NÃO É DE HOJE QUE Os tempos são outros em Goiás

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Eis ensaio publicado na Tribuna do Planalto dia 11 de novembro de 2007 (acesso direto AQUI), depois reproduzido aqui no blog, as duas vezes com o título OS TEMPOS SÃO OUTROS EM GOIÁS, e esta chamada:  Reforma destrói mito do governo perfeito de Marconi Perillo e sepulta a aliança de uma base que nunca mais será a mesma

O chamado "Tempo Novo" já tinha acabado. Estava morto. Agora está morto e sepultado, com o anúncio da reforma administrativa do governo Alcides Rodrigues (PP). A reforma coloca em xeque os dois governos de Marconi Perillo (PSDB), de quem Alcides foi vice até o ano passado. Mais: desconstrói o mito de governo marconista revolucionário. Chega também ao último suspiro em Goiás uma era de disputas políticas polarizadas por dois grupos: o formado pela atual base aliada governista e o puxado pelo PMDB do prefeito de Goiânia, Iris Rezende. É o fim da história para um campeonato de clássico único: Iris x Marconi.

Depois da ditadura e antes de 1998, reinaram no Estado os peemedebistas. De lá para cá, os aliados - PSDB, DEM, PP e PTB, mais o PR, que em certa estratégica hora mudou de lado - é que têm dado as cartas. No futuro, os grupos fatalmente serão outros, porque outros são os interesses em jogo. A nova configuração de forças não está fechada. Está em formação. E não há ideologia que lhe dê razão. Há objetivos. Há vontade de poder. Há perspectiva de poder para todos os lados.

A reforma do ex-vice sepulta a unidade como ela tem-se mantido, porque consolida a idéia de herança maldita deixada pelo tucano, e porque recrudesce de vez, ainda que na resistência dos bastidores, uma disputa não mais surda e muda entre alcidistas e marconistas. Muitos anseiam pela liderança de Marconi; porém muitos outros a renegam. Fato que soma à  perspectiva natural de poder em 2010 o fator resistência a um novo mandato para o ex-governador é a sanha pelo que se terá: uma vaga para o governo, duas para o Senado e 17 cadeiras na Câmara dos Deputados.

A divisão de forças aliadas já não é mais negada nem nas declarações oficiais. No máximo, tenta-se inutilmente omitir a guerra interna. E o que parecia inimaginável, torna-se viável. Os inimigos podem ser novos amigos. Há semanas o presidente Lula defende abertamente a aliança, no Estado, entre o seu PT, o PP e o PMDB. E ela não é renegada por nenhuma das partes. Basta uma conversa reservada com os líderes de ponta dessas legendas para se perceber que um linha, além da vontade do presidente, os une: a possibilidade de derrotar ou ao menos refrear o apetite por poder de Marconi Perillo.

Iris já foi Marconi

Em um passado distante, Iris Rezende inspirava sentimento parecido, de amor e ódio, em igual intensidade. Foi derrotado pelo jovem Marconi Perillo, escolhido candidato quase por exclusão, no entanto sustentado por uma aliança política que só não era inédita porque, dois anos antes, tinha feito prefeito o tucano Nion Albernaz, e que se provaria alicerce eficaz para qualquer nome, desde que unida. Hoje, Iris navega sem o ranço de outrora em um partido que não está mais cego pelo poder. É o oposto do que era, assim como Marconi. E o PMDB tem mais a ganhar do que a perder.

Para 2010 é mais fácil imaginar PMDB e PR juntos do que PSDB e PR amarrados. Não é segredo para ninguém a aversão do presidente republicano, deputado federal Sandro Mabel, pelo ex-colega tucano, que o colocou no centro do mensalão em nome de uma ética que não titubeou, pouco antes, em cooptar prefeitos de um partido aliado, o DEM, apenas para que fosse marcada posição imperial de um governante contra o seu presidente, o deputado federal Ronaldo Caiado.

Pura reafirmação de força e de poder. E o que esperar de um aliado que, inesperadamente, manda para Aparecida de Goiânia, onde o PR (de Mabel, mas também do vice-governador, Ademir Menezes, e do prefeito, José Macedo) tem hegemonia, um de seus principais seguidores obedientíssimos, complicando uma aliança que, em tese, nem deveria ser posta em questão? Não foi o que fez este ano o PSDB, com a mudança de domicílio eleitoral do deputado estadual Daniel Goulart, que até há pouco mal tinha andado por uma rua da cidade? Por quê?

Pode-se argumentar que o PR vive um nó político, pelo desejo de aproximação de Mabel com Iris, ao mesmo tempo em que o PMDB prepara a candidatura do ex-senador Maguito Vilela contra José Macedo, porém o nó é mais um fator a alimentar as especulações que distanciam o PR do PSDB do que o contrário. Assim como a reaproximação do DEM de Ronaldo Caiado e do senador Demóstenes Torres com a base aliada mais se firma no distanciamento dos tucanos, porque fundada na boa relação com Alcides, do que o contrário.

Caiado sonha em governar Goiás. Demóstenes quer a reeleição. E com outra coisa não sonha o PR, que, lembremos, tem o vice, que pode em tese assumir o governo nos últimos nove meses e tentar a reeleição, a exemplo de Alcides no ano passado. Sonho por sonho, o PP já deixou claro que quer se manter no poder - eleger o sucessor de Alcides, e/ou Alcides senador, e quantos deputados for possível (, e prevalece a avaliação interna de que isso só se dará com o PSDB de coadjuvante, jamais na cabeça de uma chapa. Outro governo tucano com o PP de estepe? Fale isso para o pepista. Veja a reação.

As pretensões do PTB são menores. O seu presidente, o deputado federal Jovair Arantes, diz que quer a Prefeitura de Goiânia. Entretanto faz pouco para consegui-la. E de que lado ficaria Jovair em caso de choque entre PP e PSDB? A forte ligação dele com Marconi talvez seja a resposta. Ou já foi maior esta ligação? Que se diga que o PTB é uma das opções tidas como preferenciais do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para uma possível disputa dele pelo governo estadual em 2010. Sim, o PTB, o PR, o PMDB...

Fator agregador

Eis aí: Meirelles é hoje o maior fator possível de aglutinação política em Goiás. O que Iris não é, e Marconi menos ainda. Meirelles está sem partido. Pode escolher à  vontade. Dos maiores, todos o aceitam, quando não o desejam ansiosamente, como os supracitados. E que entre na relação dos desejosos o PP. Longe de ter sido fato ou ato isolado de política de boa vizinhança, no primeiro semestre Meirelles foi um dos comensais de Alcides no Palácio das Esmeraldas, em um jantar que rendeu ajuda providencial do presidente do BC ao logo depois confirmado secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, naturalmente presente à  mesa.

Partidos menores, que gravitam em torno do poder ou de legendas consideradas mães, igualmente sonham, igualmente planejam e igualmente estão aptos a acordos que atendam aos seus interesses. O PSB espera por Meirelles, mais para apoiar, porque Meirelles é um dos apoiadores informais de seu presidente, Barbosa Neto, que, por ora, é auxiliar de primeiro escalão do governo Alcides.

O PPS é poder. Tem sido assim. E está bem estabelecido com sua presidente, Linda Monteiro, à  frente de uma agência do Estado. Barbosa e Linda são outros que não admitem em público, mas que nos bastidores revelam guardar más lembranças da convivência política com Marconi. E com Iris, é certo, eles que foram tão ligados ao prefeito antes de romper e se entender com o então oposto político.

E o que poderia ser uma alternativa a tudo e a todos, está mais longe disso: o PT tem projeto de poder para o ano que vem, em Goiânia, e para o governo, em 2010; tem também a recorrente lembrança de que já governou a capital goiana duas vezes, com Darci Accorsi e Pedro Wilson. Só não tem nome. Darci, sem mandato, está em outra... legenda. Pedro Wilson, eleito deputado federal, está recolhido a projetos maiores, como salvar o mundo na árdua defesa do meio ambiente. O PT, que já foi alternativa de aliança para o PSDB em Goiás, é hoje adversário. Conversa com o PMDB, que tanto combateu no passado, e até com o PP, um partido convicto de direita. O PT não é mais aquele. O PT precisa primeiro se reencontrar.

Eis um esboço da nova ordem das alianças desenhadas no Estado. O jogo nunca esteve tão aberto, com campo tão livre para todos os times. Eis, pois, uma explicação razoável para a falta de oposição no Estado. Opor-se a quem se todos podem ser aliados, se é que já não são?

O que virá

Para re-unir a base aliada, só outra abstinência de poder, como a que resultou nas vitórias precursoras de 96 e 98; só outra confluência vital de interesses que fosse dar em um novo 'Marconi'. Um "novo", que inspirasse verdadeiramente um tempo novo - ainda que este se cumprisse unicamente no governo das palavras.

Nesta nova ordem é inegável, porém, que este Marconi terá participação destacada, a seu modo. Terá a experiência de dois mandatos como governador, um exército considerável de seguidores e um rosto e um nome conhecidos em todos os 246 municípios do Estado. Capital político invejável. Justo por isso ele tanto atraia quanto desagregue. Tanto inspire amor quanto resistência. Nesta nova ordem, ignorar a força potencial de Marconi Perillo será um erro fatal para quem quer que seja, assim como o papel de um Iris maduro para ser candidato ou líder em ação.

Irreversível o fim do chamado Tempo Novo. Irreversível a possibilidade de reestruturação do PMDB em um bloco coeso em 2010 (voltando ao tempo de temível máquina de campanha, como não conseguiu ser com Maguito Vilela candidato ao governo em 2002 e 2006). Irreversível a nova ordem. O que não quer dizer que não veremos nova polarização de poder no Estado. Mais certo é que se volte a ter duas forças opostas. Que forças serão estas, como elas estarão formadas, é que são elas. É isto que se vê em formação. E que definirá o destino de Goiás.

Para registro: as mudanças propostas por Alcides, ruins para Marconi, não deixam de ser boas para Iris, em pleno vigor da inauguração de obras. Ele está fortalecido no discurso contra o ´Tempo Novo` que o sucedeu. Este tempo, depois da ajuda alcidista, ele poderá muito bem definir como um tempo fracassado, ou, no mínimo, desastrado. Discurso na ponta da língua. Por fim: as mudanças mostram Alcides preocupado consigo, com o seu legado. Não há defesa de projeto político difuso, e sim a edificação de uma herança própria como governador. Alcides escreve a sua história.

E mais:

O fim do 'tempo novo'. E faz tempo

O fim do 'tempo novo'. E faz tempo 2

Alcides e o 'tempo novo'

A base e a 'Era da desconfiança'

O ódio derrota a base aliada

Aparecida & Goiânia: Iris elege Maguito, Maguito elege Iris

Postado por Vassil Oliveira em 26/05/09 às 17:09.
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31/07/08 - Quinta-feira
Candidata reclama de pessoas infliltradas em sua campanha

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A candidatura de Marisa Espindola (PR-GO) à prefeitura de anápolis está ameaçada segundo informa algumas notas de jornais divulgados nesta semana. Mas nem mesmo a candidata sabia disso, ao ser questionada sobre o assunto, negou que esteja pensando em desistir da disputa, negou pressão dos candidatos a vereador e afirmou que essas informações foram plantadas por pessoas que se infiltraram na sua campanha e no seu partido.

É aguardar pra ver....

Postado por Marcley Matos em 31/07/08 às 12:30.
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18/05/08 - Domingo
Marconi colhe o que planta

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O senador Marconi Perillo (PSDB) colhe o que plantou. Ele não é um político de plantar paz. Está colhendo guerra. O argumento de que as denúncias da revista Época (na semana passada, peculato e uso da máquina pública na eleição; esta semana, tráfico de influência - veja aí ao lado) são uma retaliação do presidente Lula à oposição de Marconi no Senado e ao fato de Marconi ter sustentado que o avisou com antecedência do mensalão (colaborando para dar veracidade à acusão contra os petistas), longe de fazê-lo vítima de uma conspiração nacional, mostra-o vítima de si mesmo. E muitas vezes.

Primeiro, porque, se se trata disso mesmo, de ação coordenada de Lula ou de algum outro adversário, quer dizer que Marconi comprou briga com inimigos maiores do que ele, o que coloca em xeque o seu futuro político (claro, ele pode se dar bem, também, como o próprio Lula, Fernando Collor, ACM e tantos outros.)

Aqui já se disse que ele elege seus inimigos faz tempo. Na lista, o governador Alcides Rodrigues (PP), o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a senadora Lúcia Vânia (PSDB), o presidente estadual do PR, deputado federal Sandro Mabel, o presidente estadual do DEM, deputado federal Ronaldo Caiado (DEM), o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB)... E, sim, o presidente Lula.

Com tanta gente contra, mais que isolado, Marconi está ficando emparedado. Como é impetuoso e não perde a majestade - herança da divindade investida por quem acha que governar um Estado é carregar o desígnio da humanidade -, ele reage como quem considera que tudo que não segue a sua vontade está errado, e o afronta, portanto precisa ser condenado ao quinto dos infernos.

Na lógica marconista, exposta em caudalosos textos plenos de exultação e exaltação nos últimos tempos (está bem, sem trocadilhos), todos que se opõem a ele, ou a atos seus, são traidores, ingratos, são principalmente cegos por não verem o bem que ele fez ao Estado, por não darem testemunho de como ele transformou Goiás, que era nada antes de seus governos.

Os discípulos de Marconi o cobrem de santidade, não admitem que ele possa pecar ou ter pecado, não entendem sequer que haja alguém que se recuse a ajoelhar-se e a rezar diante de sua imaculada imagem, quanto mais na sua miraculosa presença. Os discípulos rezam o pai-nosso da adulação e da submissão absoluta, e porque assim o fazem, xingam todos os que não fazem.

Marconi é vítima de si mesmo porque o que vai denunciado não é fantasia de celerado algum. São os fatos reportados como eles são, para julgamento da Justiça e da população.
E o que mostram os fatos, além do que denunciam?

Mostram a Marconi que o que ele fazia em Goiás não cola em Brasília. O exemplo mais claro disso está no episódio em que ele, inicialmente, se apresentou ao presidente Lula como interlocutor capaz de influenciar o seu partido, PSDB, a votar a favor da CPMF, mas, depois, desautorizado pelos tucanos maiores, não só negou a intermediação com Lula como atacou duramente o presidente e o seu governo em discurso no plenário que primou pela defesa intransigente da moralidade pública, marca recorrente de suas falas, agora contrapostas pelas denúncias trazidas à tona.

Muito se ouve que Marconi saiu do poder, mas o poder não saiu dele. Porém trata-se de meia-verdade. Porque ele tem certa razão de se sentir com poder, pois, além dos sempre e sempre e sempre alardeados mais de dois milhões de votos obtidos para o Senado (o que diz mesmo a primeira denúncia?), ele ainda comanda, por via indireta, a Assembléia Legislativa, os tribunais de contas e, agora se vê, ao que parece, o TRE. Direta ou indiretamente, ele tem a força.

Marconi age como quem pode muito mais porque tem, além de tudo, a maioria dos cargos no governo estadual. A força dele é tamanha que, mais de dois anos depois, Alcides até trincou a estrutura tucano-marconista no poder, mas não foi mais longe. Não conseguiu sequer aumentar de forma considerável o poder do PP, quanto mais dar poder equivalente, o que deverá lhe dar desgastantes prejuízos eleitorais em outubro. Pelo menos por ora a coisa está assim.

O que é a proposta de reforma da máquina estadual que está na Assembléia? Em boa medida, não é a ameaça de troca, enfim, de guarda no governo?

Marconi é vítima de si mesmo porque, durante encontros regionais do PSDB, no afã de tentar emparedar o governo Alcides, lançou e brandiu como trunfo e (perdoem o trocadilho inevitável) certeza de um tempo novo aos eleitos sob seu manto, a ameaça da sua volta ao poder em 2010. O que conseguiu com isso? Antecipou definitivamente o debate da sucessão estadual. Fez de 2008 plebiscito de seu poder de fogo.

Ao mesmo tempo, estabeleceu o sentimento, dentro daquela que foi sua base, de que, para não ser vítima de sua fúria em uma de fato possível volta ao comando do Estado, é preciso ou aliar-se a ele logo, ou derrotá-lo de vez. Assim é que o PP não vê saída: se não derrotar Marconi em 2010, correrá o risco de ser destruído por ele depois, junto com o legado que Alcides conseguir deixar (insisto: nos bastidores, os dois já romperam). Vingança é vingança.

Marconi é vítima de si mesmo por ter montado um partido à sua imagem e semelhança, mas tão à sua imagem e semelhança que, quanto mais emparedado ele se encontra, mais isolado o partido fica. O PSDB é Marconi, apenas ele. Se Marconi perecer, o tucanato goiano perece de embrulho.

O partido até tem estrutura para eleger mais prefeitos que todas as outras legendas, mas na sua base há tantos ex (ex-democratas, ex-peemedebistas, ex-pepitas, ex...), que nada impede que virem, depois das eleições, ex-tucanos. Coptação é isto: avenida de muitas mãos.

Sem falar nos liderados que sairão por conta própria. Já não são poucos os incomodados dentro do PSDB com tanto mando do senador. A senadora Lúcia Vânia não é mais a única. Como estaria se sentindo, por exemplo, a deputada federal Raquel Teixeira, pré-candidata tucana a prefeita de Goiânia, que vem sendo sistematicamente atrapalhada por ninguém menos que o senador, em uma ação de bastidores que não cessa e até já lançou o democrata Demóstenes Torres à Prefeitura?

Como se sente Raquel, colocada na fogueira do mensalão para dar aval a Marconi, e há pouco deixada praticamente só (para não macular a imagem dele) na defesa de possíveis (como as denunciadas agora pela Época) irregularidades com a prestação de contas quando secretária de Educação? No PSDB, há outras lúcias, há mais raquéis.

Marconi é vítima de si mesmo por ressuscitar o maguitismo e investir-se dele. O ex-governador Maguito Vilela, hoje favorito para a prefeitura de Aparecida de Goiânia, também achava-se imbatível em 2002 e 2006. Os marconistas, e Marconi à frente, não têm dúvida: ninguém é capaz de vencê-lo em 2010. No mundo da fantasia da eleição ganha por antecipação, o tucano parece blindado contra a realidade (em que pese a grande aprovação popular que goza dois anos antes da eleição.)

Colhendo o que plantou e vítima de si mesmo, não quer dizer, em todo caso - é bom destacar -, que Marconi Perillo está condenado, morto e acabado. Quer dizer que ele está emparedado e reagindo como o afogado que, quanto mais se debate, mais em direção ao fundo vai. Quer dizer que, nesta exata hora, ele está assim.

Mas...

Com Marconi, é sempre necessário considerar o 'mas'. Seu poder de reação é conhecido, sua capacidade de dar a volta por cima é considerável.

Quer dizer que subestimá-lo é um erro.

E não dá para ignorar que os ânimos em Goiás estão tão acirrados, tão armados, que o clima de todos contra todos chegou a alturas inimagináveis, o que faz tudo ser possível.

Em certa parte da base aliada, a semana foi de eufórica comemoração, em razão das denúncias contra Marconi; em outra, de raiva explícita, com ameaças veladas, reveladas entredentes, dando conta de que o senador vai contra-atacar assim que voltar da África, para onde foi em missão para o Senado, coincidentemente no mesmo instante em que surgiu a primeira denúncia.

O nível de informação que corre nos bastidores dá conta de um jogo pesado, com dossiês para todos os lados. O campo está minado em todas as direções. Documentos? Só os que vêm de fora do Estado. Como aqui ninguém confia em ninguém, ninguém dá provas a ninguém, muito menos a jornalistas, só o que resta é a retaguarda dos interesses nacionais.

Como todos têm bomba atômica nas mãos, não será novidade se a guerra na base aliada deixar vivo apenas quem está de fora, na torcida: o PMDB (e, de quebra, o PT). Ou seja: o confronto entre Alcides e Marconi tende a ficar mais visível e incontrolável.
Mas isso ainda virá.

Agora, para Lula, o denunciador do mensalão é o denunciado por peculato e tráfico de influência; para Iris, o detonador de Otoniel Machado é o réu Marconi Perillo. Otoniel foi condenado?

***

Fato e conseqüencia

Na quarta, 14, à tarde, sai na página da revista na internet nova denúncia envolvendo o senador Marconi Perillo (PSDB). Abaixo, reprodução so site, a notícia e o seu desdobramento:

Do site da revista Época:

Dentre os documentos enviados ao Ministério Público pela Polícia Federal, há novas gravações telefônicas com potencial de enredar o senador tucano em outros processos. Uma delas, em especial, levou o procurador-geral a pedir abertura de novo inquérito contra Perillo, pelo crime de tráfico de influência. Trata-se de um comprometedor diálogo com a desembargadora Beatriz Figueiredo Franco, do Tribunal de Justiça de Goiás, que nesta sexta-feira (16) assumirá [o que se confirmou] a presidência do Tribunal Regional Eleitoral do estado e, a partir do posto, vai comandar as eleições goianas deste ano. Na conversa, Marconi Perillo tenta conduzir uma decisão da desembargadora num processo envolvendo a Prefeitura de Itumbiara, município do interior administrado por um aliado seu. A magistrada, escolhida desembargadora pelo próprio Perillo, demonstra presteza. "O interesse é conceder ou negar a liminar?", pergunta Beatriz. Ela se nega a ser tratada com deferência. "Que vossa excelência, o quê", diz.

A defesa do advogado de Marconi (Antônio Carlos 'Kakay' de Almeida Castro):

"A conversa entre o Senador Marconi Perillo e a Desembargadora Beatriz Figueiredo Franco transcrita pela revista evidentemente não caracteriza tráfico de influência. Basta lê-la com um olhar isento."

Desembargadora Beatriz Figueiredo Franco, em sua defesa:

"Eu assumo, a minha fala pode demonstrar uma falta de ética. Mas digo que eu sou simples, não sou sofisticada, e sou sempre assim."

(Texto publicado na Tribuna do Planalto de 18.05.2008)

***

Mais sobre este assunto:

Marconi outra vez na Época

Marconi outra vez na Época (2): e a desembargadora toma posse

Marconi outra vez na Época (3): a desembargadora se defende

Processo contra Senador Marconi Perillo no STF

MP denuncia Perillo e Alcides por caixa dois

Alcides fala sobre denúncia de caixa dois

Link direto para a reportagem de Época: AQUI.

Postado por Vassil Oliveira em 18/05/08 às 03:43.
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11/05/08 - Domingo
Para entender Alcides II: Uma questão de rumo. E de gestão

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* O Alcides da campanha é o mesmo Alcides do governo. Um explica o outro

Na campanha passada para o governo, o candidato Alcides Rodrigues (PP) marcou um rumo e foi em frente. Muitos não botavam fé no seu sucesso; pouquíssimos acreditaram na estratégia desde o início. No governo, Alcides Rodrigues também marcou um rumo. Muitos não botavam fé que ele fosse chegar sequer aqui; outros tantos, não botam fé até hoje; e uns pouquíssimos acreditam que o governo vai dar certo, é uma questão de, bem, de tempo.

Na campanha, a tese central era a de que errar 'no' rumo, tudo bem, bastava aprumar o que estava errado e seguir em frente; o inadmissível seria errar 'o' rumo, porque um erro de origem dificilmente pode ser corrigido. No governo, o pressuposto é o mesmo. O rumo agora é o que está estabelecido no novo slogan: desenvolvimento com responsabilidade.

O slogan é político e administrativo exatamente por ser fundado na direção idealizada pelo governo. Administrativamente, o rumo é o gasto com equilíbrio e o crescimento com base em ações plausíveis, realizáveis, sem pirotecnia, sem excesso de comissionados e não perdulário nas benesses sociais (para os pobres) e comerciais (para alguns privilegiados investidores, inclusive em campanhas). Politicamente, o rumo é o da prioridade para a história de Alcides, e não para a de seu antecessor.

O projeto de reforma apresentado pelo governo na semana passada à Assembléia é o conceito do rumo (leia mais neste caderno). Ele não arruma um governo antigo, ele funda um novo governo. Em outras palavras: ele marca 'o' rumo de Alcides. O que traz embutido outro pressuposto: para estabelecer 'o' rumo Alcides, é preciso abandonar 'o' rumo anterior. O novo se torna naturalmente negação do outro porque fundado em sua contradição, ou, se quiserem, em seu contraditório. O governo responsável contra o... anterior.

Em seu rumo, Alcides busca equilibrar as contas, organizar a máquina administrativa e governar. Nos últimos meses, o governo focou a arrumação do caixa estadual. Agora, com o projeto de reforma, conclui a primeira fase e inicia a segunda, que é organizar a estrutura da administração dentro de parâmetros pragmáticos: enxuta, definida, motivada. E, o mais importante, tocada por gente de confiança, com poder real.

Porque de nada adianta uma brilhante estrutura de poder se a gestão não corresponde, seja para puramente obedecer às ordens, seja para fazê-las serem obedecidas; ou, que seja, para buscar soluções providenciais, e ter criatividade. Assim como não adianta meio comando em uma administração pela metade. Uma gestão não vai pra frente se a equipe não segue o líder da vez, e, sim, o líder que já era. Nem se não há clareza de quem manda e, se preciso, desmanda. Só pra deixar claro, o líder da vez é Alcides. O que já era... Pode até voltar a ser. Mas, por ora... já era.

O ponto de interrogação é: Alcides terá tempo suficiente para chegar ao alvo, que é fazer um governo que fique de pé e se perpetue com louvor nas páginas da história? Não há dúvida de que sobrará pouco tempo para Alcides governar. Mas havia alternativa? Melhor seria tocar a administração como estava, fazendo o que desse e nas condições que hoje se conhece: caixa estourado e personalização instituída da máquina, com capitalização irreversível do bônus para outro e do ônus para ele?

Rumo definido, muita fé na ação traçada, o governo de Alcides agora depende dele. Para dar certo a tempo e hora, terá de ser competente na gestão. A reforma só dará certo se bem aplicada, se bem conduzida. As mudanças administrativas só se confirmarão grandes e positivas, se conduzidas nessa direção. O que fazer com a reforma aprovada importa mais do que a própria reforma escrita. Não há novidade nisso: a teoria é uma coisa, a prática, outra.

Alcides terá ainda de ser cirúrgico na gestão política. Nesta área, há muito a ser feito. Porque não basta peitar deputados e ex-aliados para aprovar o projeto enviado para a Assembléia. Isso será fácil. Há muito o Legislativo goiano sobrevive subjugado pelo Executivo. Por uma razão de notório saber: os deputados têm lápis; o governador, caneta. Em Goiás é assim: o governante de plantão escreve certo por linhas tortas.

Para Alcides será fundamental ir além: apagar a velha ordem e estabelecer a nova, ou deixá-la estabelecer-se. Sem prejuízo para a sua administração. Para assim ser (perdoem o trocadilho, inevitável) fundador de um 'novo tempo', e não afundador do 'tempo novo', marca registrada dos governos tucanos que o antecederam. Dar um novo rumo político ao Estado é, para Alcides, atestado de autenticidade; condição sine qua non para não passar recibo de coadjuvante histórico de seu antecessor.

Curioso que o governo Alcides seja criticado por não saber comunicar-se. Saber, sabe. O seu silêncio contumaz, de um ano e meio, comunicou o necessário, nos propósitos traçados: que o governo anterior (do qual ele mesmo fazia parte, mas como coadjuvante apagado) não tinha responsabilidade, não tinha rumo, embora tivesse apetite absurdo para a autopromoção - o que pode ser traduzido por excesso de gastos com comunicação. Pior: excesso e falta de critério, premiando maravilhosamente quem nunca comunicou senão a contra-informação de seus próprios interesses político-econômicos. Se é que me faço entender.

Comunicação é solução e necessidade. Mostra o governo para que o governante tenha respaldo para governar (desde que esteja bem). Mostra o governo à sociedade, que acreditou, elegeu e quer resultados. Se não pode ser tocada com irresponsabilidade, que o seja com responsabilidade. Mas que o seja. Imperdoável é não ter o que comunicar. Sim, porque quem faz é o governo; a comunicação, comunica. E cadê?!

Alcides mais confunde do que explica. É o seu jeito. Não parece, no entanto, confuso com o rumo que traçou. Nem amedrontado pelas ameaças de dossiês contra ele ou seus auxiliares diretos. Ao contrário, cada vez que uma aparece, mostra-se mais animado, mais incentivado a seguir adiante. Coisa, por sinal, que também confunde muitos.

Se este rumo desagrada ou  se mostra incerto à torcida contrária ou aos adversários de fato, para ele está certo e está claro. A dificuldade de se entender isso é mais outra: é a de se aceitar a nova realidade. Para o bem ou para o mal (de uns, não do Estado), Alcides está governando.

Você, leitor, com o texto de duas semanas atrás nas mãos ('Para entender Alcides. E Iris'), perguntará: quer dizer então que o governo Alcides começou?

Para ele, sim. E faz tempo. Para nós, o tempo vindouro, e não o passado, é que dirá.

(Publicado na Tribuna do Planalto em 11.5.2008)

Postado por Vassil Oliveira em 11/05/08 às 13:24.
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27/04/08 - Domingo
Para entender Alcides (e Iris)

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á meses provoco um auxiliar do atual governo perguntando a ele quando é que o governo Alcides vai começar. "Uai, já começou faz tempo!", responde ele, um tanto contrafeito - porque sabe o sentido real da provocação - e outro tanto contrariado - e aí já não posso dizer se só comigo ou se, também, com o governador.

Pois bem. Partamos do princípio de que o governador Alcides Rodrigues (PP) provou que de bobo não tem nada ao forçar na hora certa para ser candidato à reeleição em 2006 e ao surpreendentemente ser reeleito; e que, por não ser bobo nem nada, com tinta e caneta à mão, é claro que tem um plano, apesar de um Estado de gente achar que ele está mesmo é perdido, porque o cargo é maior que ele.

Partamos do princípio, pois, de que tudo que Alcides fez até agora não passou então de preparação para o que virá. E o que será? O seu governo.

Quer dizer. Depois da aprovação pelos deputados da reforma pensada e articulada ao longo de meses, a coisa vai mudar. Vai ganhar outro ritmo. Isso explicaria ele não ter feito de uma tacada só o que vem fazendo em gotas, matando do coração seus adversários internos. Contra o fogo-amigo, o silêncio e a 'canseira'; contra o 'tempo novo', o tempo passando, passando...

Porque, se Alcides perdeu em número de aprovação ao seu governo, em contrapartida ganhou com o seu tempo. Criou condições especiais, próprias, para o que fará, segundo o que estabelecemos por princípio. Por exemplo: para se defender, ou para atacar, ou que seja para contra-atacar, Alcides, ao longo de meses de (in)ação, fragilizou a base aliada a tal ponto que, de rebelde, ela passou a abalada, depois para descabelada, e agora, para submissa.

A dependência ao governo aumentou para todos: para quem quer ou precisa de cargos, para quem busca ser candidato em outubro, para quem tem ou quer ter negócios com a administração estadual. Quem queria romper, já não fala mais nisso, senão marcando data para depois de outubro. Quem gritava, cochicha. Quem conspirava, aguarda, sem saber o que fazer.

Em menos de um ano e meio de governo, Alcides colocou contra a parede toda e qualquer liderança que se arvorou maior que ele. Em vez de passar recibo de perspectiva de poder alheio, confundiu o jogo. Fez o seu. Perspectiva de poder em que direção? Com quem no comando? Iris Rezende (PMDB)? Henrique Meirelles? Outra alternativa? Qual? E ele, Alcides: vai até o último dia do governo ou sai antes? Entra ou não entra na campanha de 2008? E depois?

A confusão política foi criada junto com outra, armada e estendida ao máximo. A da situação das contas do Estado. Em silêncio, Alcides transferiu para as administrações que o antecederam, nas quais era vice, boa parte da carga negativa que sempre carrega quem age maquiavelicamente com mão-de-ferro em início de governo.

O desgaste que poderia ter, não tem. Ao contrário: sem abrir a boca para culpar diretamente quem quer que seja, firmou o conceito de que está arrumando as finanças estouradas por aquele a quem sucedeu. Porque ele, Alcides, ao contrário do outro, governa com res-pon-sa-bi-li-da-de. Está lá, no slogan de sua administração.
Alcides fez mais, em muitos meses. Ele principalmente tapou gargalos por onde vazavam recursos públicos sem dó nem piedade. Está arrumando a casa. E juntando dinheiro. Para quê? Para ele mesmo. Para o que virá - lembremos do princípio.

O governador fez também novos amigos. Novos, sem renegar os antigos. Foi assim que o PMDB, de inimigo político histórico (Arena x MDB; UDN x PSD...), passou a aliado festivo. E, até agora, confiável. Mais confiável que certos aliados da própria base governista, armados com fogo amigo. Aliás, pode-se dizer até que ter o PMDB como novo amigo ajudou Alcides a recuperar a lealdade que estava sendo perdida em seu reduto. Não totalmente, e talvez por um tempo apenas, mas...

Outro aliado providencial nestes tempos para Alcides: o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula estava distante do governo goiano; estava relutante com os encaminhamentos políticos no Estado; estava sem tinta na caneta para Goiás. Hoje, tem o que comemorar: o governador é seu aliado, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, também é, o PP e o PMDB falam em aliança, e o PT já se aliou ao PMDB e pisca o olho esquerdo para a direita, quer dizer, para o PP. E o PSDB, inimigo nacional? Está emparedado tanto pelo inimigo (com Iris 2008/2010; Meirelles 2010...) quanto pelos não mais tão amigos. E vendo Alcides receber providencial ajuda federal. Quer situação melhor?

Com novos amigos, Alcides mostrou que pode tomar novos rumos, se preciso, se fustigado, se provocado, se quiser. E, com tempo ganho, torneiras apertadas, novos rumos à vista em vez de necessariamente tempos novos, o governador consegue outra coisa mais: separar o que, para ele, é o joio, do trigo. Quem é amigo, de quem não é. Quem está do seu lado, de quem não está. Na hora de dividir o poder, isso conta. Muito. Ele sabe hoje com quem pode contar e com quem só pode contar se for para fazer negócio. Político, claro.

Com quem não é bobo nem nada, e por princípio com um plano na cabeça, Alcides fez do silêncio arma de grosso calibre. De reserva, sempre teve à mão uma destruidora (para os contrários) teimosia. Cansou os críticos e as críticas que lhe foram chegando de mansinho ou de supetão, deixando-os sem resposta ou sem fôlego. Mesmo denúncias como a da semana passada, de possível envolvimento em irregularidades com obras da construtora Gautama, acabam por cair no vazio. Têm vida curta. (Só um senão: têm sido assim; não quer dizer que será sempre assim.)

O mais inusitado que pode acontecer a Alcides a partir de agora é ser alvo de noticiário positivo, porque o negativo já foi longe na pauta. E também nisto lhe valeram o silêncio e a teimosia. O que teve seu lado bom. A imprensa ganhou espaço para criticar, para ser imprensa sem as amarras dos governos anteriores. Em contrapartida, teve de aprender a viver mais com menos. Os veículos que só existiam para captar recursos, caducaram. Sim, nem todos. Mas já foi um senhor avanço.

Partindo-se do princípio de que Alcides preparou terreno para o que fará, para o que virá, o governo está com dinheiro em caixa e com condições políticas azeitadas para fazer o que imaginar. Vai poder pagar programas sociais, retomar obras, arrumar as estradas, enfim, vai poder. E governo que pode, é governo.

"Ah, mas ele está muito desgastado e tem menos de dois anos de governo. Não vai dar tempo de fazer nada", dirão os mais céticos. Com razão. Em todo caso, a história ensina que um governo em ação cala a boca dos piores críticos. Se o governo for eficaz, em seis meses o que agora parece errado e fraco será louvado como estratégico e forte, muito forte. Agindo com competência, dois anos é muito tempo. Café morno no Palácio das Esmeraldas, só depois de outubro de 2010.

Um dos lances mais certeiros de Alcides - não esqueçamos o princípio estabelecido - foi a aproximação com Iris. Que, é fato, só aconteceu porque interessava igualmente a Iris. Ela fortaleceu Alcides por principalmente colocar na roda o PSDB e seus maiores líderes (leia, na página do jornal na internet, edição anterior, "Alcides e Iris colocam o PSDB na roda"). Manteve acesa a possibilidade de divisão de poder com governador para aqueles que tinham a intenção de desistir e partir para o confronto. Iris foi, para Alcides, um 'elemento' estranho a confundir um jogo esquisito.

Para Iris, fica o registro. O 'caso' com Alcides tem sido bom em muitos sentidos. Iris ajuda Alcides, que ajuda Iris. Na comunicação, por exemplo, no que o governador fechou o cofre do Estado, o prefeito reinou absoluto com o caixa miúdo da Prefeitura, até bater nos 80% de aprovação, como mostra a pesquisa Tribuna do Planalto/Rádio 730/Grupom desta semana (para ver a pesquisa, clique AQUI; Para ler comentário, é só ir ao post anterior). No campo político, o tempo ao tempo, o longo tempo das guerras veladas, deu no que deu: o governador não quer enfrentar, e o PSDB está com medo... dele. Iris.

Partindo-se do princípio de que tudo aconteceu porque era para acontecer - um tanto programado, outro tanto na esteira dos fatos programados -, Alcides é um gênio político. Pensou em tudo. Que coisa!

Agora, sem o princípio...

O governo Alcides vai começar quando, mesmo?

(Publicado na Tribuna do Planalto em 27.04.2008)

Postado por Vassil Oliveira em 27/04/08 às 18:23.
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18/03/08 - Terça-feira
Todo poder aos intangíveis!

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Político bom é político que faz. Eis uma daquelas verdades incontestáveis no mundo da política. Outra: político bom de discurso raramente é bom administrador. É isso que dizem, por exemplo, de Henrique Santillo aqueles que tentam minimizar seu governo: como governador de Goiás, deixou a desejar; como tribuno, principalmente no senado, foi incomparável, gigante! Não importa que Santillo tenha idealizado os agentes de saúde, tenha segurado o Estado durante o episódio do Césio 137 e, como ministro da Saúde, tenha combatido o cartel das indústrias de remédio para abrir espaço aos genéricos.

O que faz é que é bom; o que pensa tem lá seu valor, mas nem se compara com aquele que dá cesta básica e constrói pontes. É o que mais se ouve. Claro, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, para usar a clássica expressão nascida nos campos de futebol. O problema é o povo. O povo, sabe, aquele mero detalhe entre os elevado (com ou sem trocadilho, por favor!) interesse público do candidato e a urna. A fé no fato de que bom é quem faz está no insofismável fato de que, enfim, entre feijão e poesia, o povo quer mesmo é feijão.

Mas você já parou para imaginar o mundo sem a cadência das idéias, sem as vozes enlevadas, a suavidade dos pensamentos e as propostas mirabolantes, que, tirando o exagero, até que param de pé? Percebe?! É como se fosse possível ser são, mas sem direito a alguns minutos de pura loucura. Pra mim, aí, sim, é que este mundo seria de enlouquecer!

CONTINUA...

-0-

10 passos para umacampanha intangível

1

Candidato: pense, não se deixe pensar pelos marqueteiros.

Eleitor: pense no outro, na cidade, no futuro; nem pense em vender o voto.

2

Candidato: proponha o possível, e não o que é preciso para vencer mesmo sabendo que não vai fazer.
Eleitor: não se deixe enganar pelas frases de efeito, tipo "Eleitor, você é minha única razão de ser", porque, convenhamos, não é; para este tipo de candidato, a única razão de ser é a vitória, custe o que custar.

CONTINUA...

Para ler todo o texto, publicado na Tribuna do Planalto desta semana, clique AQUI (no blog) ou AQUI (direto para o jornal).

Postado por Vassil Oliveira em 18/03/08 às 00:22.
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10/03/08 - Segunda-feira
Marconi em guerra com Marconi

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Este texto abaixo, com este título mesmo, Marconi em guerra com Marconi,  saiu na Tribuna do Planalto e no site Massa e Poder (o sonho não acabou!). A data: 24/06/2007 - 21:13. Não sei por quê, me deu vontade de republicá-lo. Um pedaço dele:

Este é mais um fato a mostrar que o tempo passa e Marconi cria inimigos mesmo onde há amigos. Agindo por precipitação, ou por auto-afirmação, ele parece querer acreditar que estão todos contra ele. É o que o faz ver falta de companheirismo onde, o que há, é companheiros à deriva, esperando por uma liderança solidária, jamais cega, inconteste - até que a recíproca, na própria base, em relação a ele, seja verdadeira. Pior fica sua situação porque, acostumados a bajulá-lo e a concordar sempre, por compulsão, seus aliados mais próximos pouca ou nenhuma coragem têm de contestá-lo, alertá-lo, com receio de que, ao fazê-lo, sejam vistos como novos inimigos a alimentar ódio por ele. A explicação do ódio é a mais óbvia. Serve para esconder e negar o que é dito, mesmo as verdades incontestáveis.

O mal de Marconi são os marconistas, que o deixam medir-se pelo 'espelho, espelho meu', e não pelo retrato na parede, que muda com os anos, assim como a parede. Um erro, negar-se a ouvir. Líder em potencial, em formação - a se comprovar fora do poder, porque, com o poder na mão, às vezes prevalece a falsa ilusão -, ele não pode querer ser perene, inabalável. Nem Deus é unanimidade. Os marconistas precisam, antes de tudo, se desmarconizar - o que não quer dizer negar, e sim desvendar, acreditar no que há - para que então possam vê-lo como ele é: homem, falível, imperfeito. Foi o culto a Iris que o derrotou em 1998. O culto a Marconi é a senha para derrotá-lo. Não há como ajudar quem julga não precisar.

Para leitura completa, aqui vai o link para o Massa e Poder (AQUI) e o deste blog (AQUI). 

Postado por Vassil Oliveira em 10/03/08 às 09:58.
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23/01/08 - Quarta-feira
Morta a base, viva o PMDB!

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A ruptura entre o governador Alcides Rodrigues (PP) e o senador Marconi Perillo (PSDB) já aconteceu. Só não vê quem não quer. Mas o maior problema na base aliada hoje não é este. É o andar de cima negar, sem razão aparente, uma crise que tonteia o andar de baixo, que corre por todos lados para salvar a pele antes que seja tarde. A não ser que tudo não passe de um calculado movimento de auto-destruição consciente.

O tempo perdido com a negação do inegável é tempo ganho pelo adversário, o PMDB, que trata de vender a idéia de volta inevitável do partido ao poder em 2010. Só assim para se entender por que tem governista pregando o fim dos tempos como se anunciasse a boa-nova.

O raciocínio dos soldados rasos da base, aqueles que não dividem a mesa nem com Alcides nem com Marconi - só cumprem ordens e se beneficiam do poder emanado deles -, é este: com os dois juntos, a base é imbatível; com eles separados, vira presa fácil. Como a unidade está perdida, estão todos perdidos. Então, cada um que cuide de sua alma.

E a tese marconista de que "os adversários de hoje podem ser os aliados de amanhã", ou vice-versa, mais tonteou os já estonteados aliados do que lhes meteu medo. Muitos ouviram, entenderam o recado e agora estão irritados e desesperados. A cúpula joga? Então a ralé também tem de fazer seu jogo. Fogo cruzado.


Está na Tribuna do Planalto  desta semana. Para ler mais, clique AQUI (no blog) ou AQUI.

Postado por Vassil Oliveira em 23/01/08 às 12:01.
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15/11/07 - Quinta-feira
Os tempos são outros em Goiás

postado na categoria Ensaio

Eis ensaio (acesso direto AQUI) publicado na Tribuna do Planalto deste domingo, 11, com o mesmo título acima e esta chamada:  Reforma destrói mito do governo perfeito de Marconi Perillo e sepulta a aliança de uma base que nunca mais será a mesma

O chamado "Tempo Novo" já tinha acabado. Estava morto. Agora está morto e sepultado, com o anúncio da reforma administrativa do governo Alcides Rodrigues (PP). A reforma coloca em xeque os dois governos de Marconi Perillo (PSDB), de quem Alcides foi vice até o ano passado. Mais: desconstrói o mito de governo marconista revolucionário. Chega também ao último suspiro em Goiás uma era de disputas políticas polarizadas por dois grupos: o formado pela atual base aliada governista e o puxado pelo PMDB do prefeito de Goiânia, Iris Rezende. É o fim da história para um campeonato de clássico único: Iris x Marconi.

Depois da ditadura e antes de 1998, reinaram no Estado os peemedebistas. De lá para cá, os aliados - PSDB, DEM, PP e PTB, mais o PR, que em certa estratégica hora mudou de lado - é que têm dado as cartas. No futuro, os grupos fatalmente serão outros, porque outros são os interesses em jogo. A nova configuração de forças não está fechada. Está em formação. E não há ideologia que lhe dê razão. Há objetivos. Há vontade de poder. Há perspectiva de poder para todos os lados.

A reforma do ex-vice sepulta a unidade como ela tem-se mantido, porque consolida a idéia de herança maldita deixada pelo tucano, e porque recrudesce de vez, ainda que na resistência dos bastidores, uma disputa não mais surda e muda entre alcidistas e marconistas. Muitos anseiam pela liderança de Marconi; porém muitos outros a renegam. Fato que soma à  perspectiva natural de poder em 2010 o fator resistência a um novo mandato para o ex-governador é a sanha pelo que se terá: uma vaga para o governo, duas para o Senado e 17 cadeiras na Câmara dos Deputados.

A divisão de forças aliadas já não é mais negada nem nas declarações oficiais. No máximo, tenta-se inutilmente omitir a guerra interna. E o que parecia inimaginável, torna-se viável. Os inimigos podem ser novos amigos. Há semanas o presidente Lula defende abertamente a aliança, no Estado, entre o seu PT, o PP e o PMDB. E ela não é renegada por nenhuma das partes. Basta uma conversa reservada com os líderes de ponta dessas legendas para se perceber que um linha, além da vontade do presidente, os une: a possibilidade de derrotar ou ao menos refrear o apetite por poder de Marconi Perillo.

Iris já foi Marconi

Em um passado distante, Iris Rezende inspirava sentimento parecido, de amor e ódio, em igual intensidade. Foi derrotado pelo jovem Marconi Perillo, escolhido candidato quase por exclusão, no entanto sustentado por uma aliança política que só não era inédita porque, dois anos antes, tinha feito prefeito o tucano Nion Albernaz, e que se provaria alicerce eficaz para qualquer nome, desde que unida. Hoje, Iris navega sem o ranço de outrora em um partido que não está mais cego pelo poder. É o oposto do que era, assim como Marconi. E o PMDB tem mais a ganhar do que a perder.

Para 2010 é mais fácil imaginar PMDB e PR juntos do que PSDB e PR amarrados. Não é segredo para ninguém a aversão do presidente republicano, deputado federal Sandro Mabel, pelo ex-colega tucano, que o colocou no centro do mensalão em nome de uma ética que não titubeou, pouco antes, em cooptar prefeitos de um partido aliado, o DEM, apenas para que fosse marcada posição imperial de um governante contra o seu presidente, o deputado federal Ronaldo Caiado.

Pura reafirmação de força e de poder. E o que esperar de um aliado que, inesperadamente, manda para Aparecida de Goiânia, onde o PR (de Mabel, mas também do vice-governador, Ademir Menezes, e do prefeito, José Macedo) tem hegemonia, um de seus principais seguidores obedientíssimos, complicando uma aliança que, em tese, nem deveria ser posta em questão? Não foi o que fez este ano o PSDB, com a mudança de domicílio eleitoral do deputado estadual Daniel Goulart, que até há pouco mal tinha andado por uma rua da cidade? Por quê?

Pode-se argumentar que o PR vive um nó político, pelo desejo de aproximação de Mabel com Iris, ao mesmo tempo em que o PMDB prepara a candidatura do ex-senador Maguito Vilela contra José Macedo, porém o nó é mais um fator a alimentar as especulações que distanciam o PR do PSDB do que o contrário. Assim como a reaproximação do DEM de Ronaldo Caiado e do senador Demóstenes Torres com a base aliada mais se firma no distanciamento dos tucanos, porque fundada na boa relação com Alcides, do que o contrário.

Caiado sonha em governar Goiás. Demóstenes quer a reeleição. E com outra coisa não sonha o PR, que, lembremos, tem o vice, que pode em tese assumir o governo nos últimos nove meses e tentar a reeleição, a exemplo de Alcides no ano passado. Sonho por sonho, o PP já deixou claro que quer se manter no poder - eleger o sucessor de Alcides, e/ou Alcides senador, e quantos deputados for possível (, e prevalece a avaliação interna de que isso só se dará com o PSDB de coadjuvante, jamais na cabeça de uma chapa. Outro governo tucano com o PP de estepe? Fale isso para o pepista. Veja a reação.

As pretensões do PTB são menores. O seu presidente, o deputado federal Jovair Arantes, diz que quer a Prefeitura de Goiânia. Entretanto faz pouco para consegui-la. E de que lado ficaria Jovair em caso de choque entre PP e PSDB? A forte ligação dele com Marconi talvez seja a resposta. Ou já foi maior esta ligação? Que se diga que o PTB é uma das opções tidas como preferenciais do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para uma possível disputa dele pelo governo estadual em 2010. Sim, o PTB, o PR, o PMDB...

Fator agregador

Eis aí: Meirelles é hoje o maior fator possível de aglutinação política em Goiás. O que Iris não é, e Marconi menos ainda. Meirelles está sem partido. Pode escolher à  vontade. Dos maiores, todos o aceitam, quando não o desejam ansiosamente, como os supracitados. E que entre na relação dos desejosos o PP. Longe de ter sido fato ou ato isolado de política de boa vizinhança, no primeiro semestre Meirelles foi um dos comensais de Alcides no Palácio das Esmeraldas, em um jantar que rendeu ajuda providencial do presidente do BC ao logo depois confirmado secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, naturalmente presente à  mesa.

Partidos menores, que gravitam em torno do poder ou de legendas consideradas mães, igualmente sonham, igualmente planejam e igualmente estão aptos a acordos que atendam aos seus interesses. O PSB espera por Meirelles, mais para apoiar, porque Meirelles é um dos apoiadores informais de seu presidente, Barbosa Neto, que, por ora, é auxiliar de primeiro escalão do governo Alcides.

O PPS é poder. Tem sido assim. E está bem estabelecido com sua presidente, Linda Monteiro, à  frente de uma agência do Estado. Barbosa e Linda são outros que não admitem em público, mas que nos bastidores revelam guardar más lembranças da convivência política com Marconi. E com Iris, é certo, eles que foram tão ligados ao prefeito antes de romper e se entender com o então oposto político.

E o que poderia ser uma alternativa a tudo e a todos, está mais longe disso: o PT tem projeto de poder para o ano que vem, em Goiânia, e para o governo, em 2010; tem também a recorrente lembrança de que já governou a capital goiana duas vezes, com Darci Accorsi e Pedro Wilson. Só não tem nome. Darci, sem mandato, está em outra... legenda. Pedro Wilson, eleito deputado federal, está recolhido a projetos maiores, como salvar o mundo na árdua defesa do meio ambiente. O PT, que já foi alternativa de aliança para o PSDB em Goiás, é hoje adversário. Conversa com o PMDB, que tanto combateu no passado, e até com o PP, um partido convicto de direita. O PT não é mais aquele. O PT precisa primeiro se reencontrar.

Eis um esboço da nova ordem das alianças desenhadas no Estado. O jogo nunca esteve tão aberto, com campo tão livre para todos os times. Eis, pois, uma explicação razoável para a falta de oposição no Estado. Opor-se a quem se todos podem ser aliados, se é que já não são?

O que virá

Para re-unir a base aliada, só outra abstinência de poder, como a que resultou nas vitórias precursoras de 96 e 98; só outra confluência vital de interesses que fosse dar em um novo 'Marconi'. Um "novo", que inspirasse verdadeiramente um tempo novo - ainda que este se cumprisse unicamente no governo das palavras.

Nesta nova ordem é inegável, porém, que este Marconi terá participação destacada, a seu modo. Terá a experiência de dois mandatos como governador, um exército considerável de seguidores e um rosto e um nome conhecidos em todos os 246 municípios do Estado. Capital político invejável. Justo por isso ele tanto atraia quanto desagregue. Tanto inspire amor quanto resistência. Nesta nova ordem, ignorar a força potencial de Marconi Perillo será um erro fatal para quem quer que seja, assim como o papel de um Iris maduro para ser candidato ou líder em ação.

Irreversível o fim do chamado Tempo Novo. Irreversível a possibilidade de reestruturação do PMDB em um bloco coeso em 2010 (voltando ao tempo de temível máquina de campanha, como não conseguiu ser com Maguito Vilela candidato ao governo em 2002 e 2006). Irreversível a nova ordem. O que não quer dizer que não veremos nova polarização de poder no Estado. Mais certo é que se volte a ter duas forças opostas. Que forças serão estas, como elas estarão formadas, é que são elas. É isto que se vê em formação. E que definirá o destino de Goiás.

Para registro: as mudanças propostas por Alcides, ruins para Marconi, não deixam de ser boas para Iris, em pleno vigor da inauguração de obras. Ele está fortalecido no discurso contra o ´Tempo Novo` que o sucedeu. Este tempo, depois da ajuda alcidista, ele poderá muito bem definir como um tempo fracassado, ou, no mínimo, desastrado. Discurso na ponta da língua. Por fim: as mudanças mostram Alcides preocupado consigo, com o seu legado. Não há defesa de projeto político difuso, e sim a edificação de uma herança própria como governador. Alcides escreve a sua história.

Postado por Vassil Oliveira em 15/11/07 às 15:19.
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