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Arquivo Mensal - Junho/2009 08/06/09 - Segunda-feira Os 11 erros de Goiânia 2014 Está no blog do jornalista Eduardo Sartorato: O poder político e econômico foram determinantes para a escolha das 12 cidades-sedes da Copa 2014. Temos também, porém, que olharmos para o nosso próprio umbigo e ver os erros que impediram Goiânia de chegar lá. Aliás, não é nada difícil encontrar defeitos na "corrida" da nossa capital por alguns jogos da Copa do Mundo e muitos milhões de reais em investimentos em infraestrutura. Falta de ação, incompetência administrativa, inexperiência, projeto fraco, a não existência de um forte interlocutor, falta de motivação, além de vários outros motivos, levaram à derrocada goiana. Um insucesso que, repito, vai custar muito para os goianienses a longo prazo. Veja os principais erros do Comitê Executivo da Copa 2014 em Goiânia (Coexgyn) e envolvidos: 1. Projeto desastroso - Não precisava ser perito para perceber que havia algo errado no projeto do Serra Dourada para 2014. Desde o primeiro dia, o modesto plano de obras foi criticado justamente. A principal gafe foi não prever a cobertura total dos assentos do estádio (pelo projeto original 15% das arquibancadas não seriam cobertas). Fico imaginando um jogo de Copa do Mundo, estádio lotado, e 15% do público tomando chuva. O absurdo foi tão grande que dias antes do anúncio das sedes foi feita uma correção no projeto. Uma vergonha! O plano de ação do Serra Dourada estava mais para uma grande maquiagem do que adequação para a disputa de uma Copa do Mundo. Para ler mais, clique AQUI. PS.: Sem falar na incrível 'coincidência' da marca goiana, criada por Siron Franco, com outra, a da logomarca da Terceira Cúpula Extraordinária da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), como mostrou reportagem de Luana Borges na Tribuna do Planalto há algumas semanas (para ler, clique AQUI). Claro, isso não foi decisivo, mas...
22/06/09 - Segunda-feira Política é ponto fraco de Alcides O texto abaixo está na edição desta semana da Tribuna do Planalto, com o mesmo título acima: *** O ponto forte do governo Alcides Rodrigues (PP) é a área econômica. As finanças, antes combalidas por conta de uma herança maldita do governo anterior, estão sendo gradualmente recuperadas. Pouco a pouco, o Estado volta a ter perspectiva de desenvolvimento sustentável. O ponto fraco é a política. Do ponto de vista político, o governo Alcides não existe. É um zero à esquerda. O governo que nega estar fazendo política pensando em 2010, por exemplo, tem dois articuladores para a área: Fernando Cunha (PSDB) e Roberto Balestra (PP). A favor da tese de que não faz nem promove o debate político estaria, pode-se até argumentar que o governo tem dois articuladores mas não tem nenhum, já que ambos dão o tom zero à esquerda para as ações políticas que inexistem no governo. A falta de articulação política é antiga. Mais: está na origem do governo. Um dos principais nomes do PP defende nos bastidores, há tempos, a necessidade de um nome que realmente tenha peso para dialogar com os agentes políticos do Estado. É colocada até na conta dessa falta de um nome político forte a situação de crise gerada na chamada base aliada, com o confronto aberto e fratricida entre PP e PSDB. "Isso só acontece porque o governo não tem ninguém para articular por ele", pondera a fonte. No início do governo, Fernando Cunha teve suas funções esvaziadas por ser muito ligado ao senador Marconi Perillo (PSDB). Era preciso dar uma cara alcidista ao governo, dizia-se. Então surgiu Roberto Balestra. Mas Balestra é um secretário sem pasta desde o início. Não tem estrutura. Nem voz. Nos bastidores é recorrentemente desautorizado. É geral a avaliação de que ele não fala pelo governador. E o próprio governador vira e mexe trata de deixar isso claro, embora em conversas reservadas. Homens do governo Além deles, acredita-se que falam politicamente pelo governo o secretário de Infraestrutura, Sérgio Caiado, o secretário geral do PP, Sérgio Lucas, e o presidente da Metrobus, Francisco Gedda. E o que eles dizem? De concreto, nada. Dentro do PP, são na verdade os principais alimentadores da guerra deflagrada contra o PSDB. Funcionam como contraponto à altura de Carlos Alberto Leréia, Daniel Goulart e Sérgio Cardoso, no PSDB. Uma turma do barulho. Politicamente, os articuladores do governo Alcides, ou anti-articuladores, criaram uma crise interna e agora estão sendo engolidos por ela. De tanta esperteza, estão sendo devorados por ela, a esperteza. Isso porque a situação hoje do PP é a de um partido sem lastro forte nas bases do interior e com três alternativas concretas: Mas e Henrique Meirelles, como fica nessa história? A grande jogada política do PP nos últimos tempos foi assumir Henrique Meirelles como seu sonho de consumo e sua salvação. Sua candidatura ao governo foi lançada e incensada com convicção e dentro de visão de jogada genial, por colocar o governador Alcides Rodrigues de volta ao debate político, ele que estava escanteado pela ação estratégica de Marconi Perillo e Iris Rezende (PMDB), que não falam de outra coisa senão do confronto final entre dois como forma justamente de não abrir espaço para um terceiro nome. O governador está só De fato, a estratégia pepista funcionou. Mas funcionou contra, também. Colocou o PSDB em alerta e o fez antecipar a campanha e os contra-ataques ao governador, que virou "traidor" na boca de Leréia e "ingrato" na propaganda subliminar tucana na TV e no rádio. No que funcionou a favor, a estratégia do PP motivou Meirelles a se apresentar como possível candidato. E ele fez sua parte, de um lado dando corda às especulações, de outro, ajudando o governo a resolver problemas concretos, como a recuperação da Celg. Ocorre que Meirelles, ao mesmo tempo, avisou: topa ser candidato, está fazendo a sua parte, mas para isso o PP e o governador terão de fazer a parte deles. A parte do PP e do governador é dar visibilidade ao governo, melhorando sua imagem, e criando uma estrutura partidária firme, para dar conta do embate com Marconi e Iris, se for o caso. Sobre esses dois pontos, o que foi feito até agora? Nada. O governo deu visibilidade há duas semanas a uma agenda positiva que ficou resumida ao lançamento de asfalto para cidades (Paci) e ao anúncio da salvação próxima para a Celg. Não há, além disso, qualquer trabalho de imagem sendo conduzido dentro do governo, de forma a dar um rumo a um governo que não o tem desde o início. Se antes os governistas eram só entusiasmo com a candidatura de Meirelles, hoje o que impera é a desconfiança. Por uma razão simples. Menos por conta da falta de uma admissão oficial de Meirelles sobre uma candidatura (o que, naturalmente, pelo cargo que exerce no comando do Banco Central, não vai acontecer), e mais por conta da falta de segurança em relação ao atual governo sobre a decisão de verdadeiramente investir na candidatura dele contra Iris e Marconi. A visão de dentro do governo é a de que Alcides bravateia a candidatura de Meirelles, mas nada faz para que ela se concretize. O resultado é um governo com auxiliares acovardados, que nem defendem Meirelles nem o governador. No fundo, nada fazem porque, mais que a fé num fortalecimento do governo e na candidatura de Meirelles, prevalece cada vez mais o medo da volta de Marconi Perillo ao governo. Comunicação? Que comunicação? Alcides é, assim, um governador que poucos elogiam, ou que, quando o fazem, o fazem de forma envergonhada, protocolar. Não há entusiasmo no hasteamento da bandeira deste governo. Não à toa o principal inimigo dos aliados alcidistas não são nem mesmo Marconi, mas o principal secretário do governador: Jorcelino Braga (Fazenda). Por incrível que pareça, Braga é elogiado no PMDB e no PT, visto com reservas no PSDB (fora os que o atacam estrategicamente, na ação e reação da briga pela 'paternidade' da quebradeira do Estado) e criticado principalmente por alcidistas, que o acusam de acumular poder. Braga, no entanto, é a única voz que defende com convicção o governador. Certo que é sustentáculo do governo, operador e mentor. Quer dizer, falar mal do governo seria atirar no pé. Ainda assim, poderia permanecer em silêncio vendo o circo pegar fogo, já que não é político. Ele, porém, vai para o ataque. E são muitos alcidistas os primeiros a chamá-lo de primeiro ministro ou governador. Xingam Braga porque não têm coragem de falar mal do governador - a não ser nos bastidores, vez em quando, deixando o subconsciente falar mais alto. Neste ambiente, é natural Henrique Meirelles surgir como a salvação, mas salvação não como parte de uma estratégia inteligente de gente inteligente buscando inteligentemente manter-se no poder, e sim como o milagre que, se Deus quiser, haverá de chegar. Como, em política, milagre é voto na urna, a questão que fica é: e se Meirelles decidir não ser candidato ao governo? Ou, ainda: neste ambiente, por que ele viria? A fragilidade política do governo Alcides é que faz a comunicação não andar. É ilusão imaginar que apenas propaganda sustenta um governo. Marconi, por exemplo, é criticado por ter gastado demais com publicidade, o que é verdade. Porém, ao mesmo tempo que sempre manteve gastos altos com publicidade, o senador sempre manteve azeitada máquina política que multiplicava com declarações, discursos, entrevistas, reuniões, bate-papos tudo aquilo que era dito sobre ele. Do ponto de vista da comunicação, o governo Marconi foi politicamente forte, potencializando todo e qualquer elogio ao chamado 'tempo novo'. Do ponto de vista da comunicação, o governo Alcides é fraco por investir pouco e mal, mas também porque tudo que propaga não encontra eco, a não ser o do descrédito e o do deboche, o que se potencializa por total falta de ação política direcionada a favor e imensa movimentação inversa, dos adversários internos. Marconi vence Alcides A máquina de comunicação de Marconi é ainda hoje bem maior que a de Alcides. Maior e mais eficiente. Os espaços na imprensa ocupados pelo senador, além de maiores, são visivelmente mais consistentes e constantes. Basta abrir os jornais e olhar. Basta ligar o rádio e ouvir. Basta ligar a TV. Em reforço a isso, o que se vê é uma sequência interminável de defensores marconistas se somarem na defesa de seus propósitos, multiplicando os dividendos de uma boa imagem que vai sendo cultivada apesar da munição negativa, no caso, a que o apresenta como mal administrador e gastador inveterado. Vê-se nas declarações de alcidistas uma ilusão constante: a de que o povo goiano está entendendo os desmandos que ele praticou e que, por isso, não o perdoará. Não é o que a história mostra. Não é o que pesquisa qualitativa a que a Tribuna teve acesso mostra. A imagem que segue desgastada é a do governador, e não a do senador. E somando-se a isso a perspectiva de poder que Marconi vai conseguindo cristalizar à sua ação, tem-se aí um nome que, em vez de perder força, tende a ganhar. E é recorrente em Goiás a ameaça de dossiês contra este ou aquele político. O PMDB é conhecido por sempre ter em mãos documentos fortes contra adversários. Já os teve, em campanhas para o governo, contra o próprio senador tucano. Só que nada acontece. Na última campanha, por exemplo, a avaliação dos marqueteiros peemedebistas era de que bater seria um erro, denunciar seria um tiro no pé. Quer dizer: apesar da munição farta, optou-se pelo silêncio. Números mostram, portanto, que na guerra da comunicação com o povo, Marconi está vencendo Alcides.E nessa área o governador nem pode contar muito com a ajuda do PMDB, que também não sabe se comunicar. O PMDB ainda está apegado aos tempos em que tudo que Iris dizia ganhava ares de profecia e virava verdade. O partido nem assessoria para a área tem. Muito menos equipe orientando suas ações, como o tem Marconi. O PMDB permanece gerido pela intuição. O que faz prever que, em 2010, teremos a intuição de Iris versus o profissionalismo de Marconi. Nos últimos anos, quem tem vencido? Desde 1998, quem vence em Goiás? E se não tem ajuda do PMDB, Alcides também não o tem do PT. Lula, o grande aliado político do governador, dá ajuda a conta-gotas a Alcides, e a estratégia que faz antever é a que coloca o PP como coadjuvante de seu inimigo histórico, o PMDB, e não como protagonistas. Ou seja: o PP, em vez de ser coadjuvante de Marconi, tem como alternativa de sobrevivência ser coadjuvante de Iris. Politicamente, é o tamanho do PP hoje. *** (QUADRO) Goiás em tempos de guerra Eis alguns pontos do embate na política em Goiás. Até agora, os alcidistas acham que estão ganhando, os marconistas não têm dúvida de que estão na frente e os peemedebistas entendem que Deus proverá a Iris o que Iris acredita ser dele e do PMDB Guerra da comunicação O que se vê estrategicamente hoje no Estado * A visão alcidista é a de que Marconi está desgastado, carimbado com a marca do administrador perdulário e que deixou de herança um Estado quebrado. O desgaste seria irreversível e fatal * A estratégia marconista lembra que, sem o senador, Alcides não teria sido eleito, e que ele estaria sendo ingrato, embora nessa conta não entre o apoio que Marconi recebeu em 1998 e que lhe garantiu a eleição * O PMDB dá corda à confusão. Tudo que quer é rachar a base inimiga e, quem sabe, ganhar um novo aliado (o PP). Já o PT prega a unidade da base lulista, prevendo o PP nela, o que também significaria afastamento do governador em relação ao PSDB. Os partidos menores aguardam para ver quem leva a melhor entre PP e PSDB, para então negociar com o vencedor, ou o lado que se mostrar mais forte. Um e outro Algumas diferenças de estilo entre o governador e o senador tucano Alcides 1) Além do secretário da Fazenda, não tem quem o defenda com convicção Marconi 1) Tem aliados de sobra para defendê-lo - elogiando ou batendo duro no inimigo Reclamação de Base A maior reclamação hoje nos bastidores do governo é esta: falta de apoio do governador para os seus velhos aliados/amigos, de modo a dar a estes confiança para enfrentar Marconi. No caso de deputados, falta de obras e benefícios para bases. No caso dos que querem mandato, falta de uma política direcionada a eleger fiéis colaboradores Recomendação mais ouvida Em vez de repetir que não é hora de fazer política, coisa na qual ninguém acredita - devido às constantes declarações políticas do próprio governador, a insistência em apresentar Henrique Meirelles como candidato governista, e o embate claro com os tucanos -, o governador Alcides Rodrigues deveria fazer mais política. Afinal, gestão é com equipe competente; política é com o governador. Não é o que Lula faz? E se o que está ruim é a política... Ato falho O PP e Alcides querem atrair Henrique Meirelles, mas o que estão fazendo para isso? A estrutura do PP em Goiás é hoje uma das mais frágeis dos médios e grandes partidos do Estado.
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25/02/10
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